Europa envia militares à Groenlândia após novas investidas de Trump sobre controle da ilha
Aliados da Dinamarca iniciam missões de reconhecimento e preparam exercício no Ártico, em meio a tensões diplomáticas e disputa por rotas marítimas, minerais estratégicos e infraestrutura crítica
15/01/2026 às 08:51por Redação Plox
15/01/2026 às 08:51
— por Redação Plox
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Países europeus aliados da Dinamarca começaram a deslocar militares para a Groenlândia em missões de reconhecimento e em atividades de preparação ligadas a um exercício no Ártico. O envio ocorre em meio a um clima de tensão diplomática depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltar a defender que Washington passe a controlar a ilha, que tem autonomia local, mas integra o Reino da Dinamarca.
As tropas já estão chegando à Groenlândia
Foto: Reprodução
O governo dinamarquês afirma que a iniciativa é parte de um esforço para ampliar presença e treinamento em condições árticas, em coordenação com aliados, e que o objetivo é fortalecer a capacidade de atuação na região.
O que está acontecendo na Groenlândia
De acordo com o Ministério da Defesa da Dinamarca, a partir de agora haverá “presença militar ampliada” em e ao redor da Groenlândia, com participação também de aliados. O plano está conectado a atividades de exercício ao longo de 2026 e inclui ações como proteção de infraestrutura crítica, apoio a autoridades locais, recepção de tropas aliadas, emprego de aeronaves de caça na área e operações navais.
A Groenlândia, com baixa população e enormes distâncias, é vista como ponto-chave no tabuleiro do Ártico por ficar entre a América do Norte e a Europa e por ganhar relevância com rotas marítimas e interesses econômicos.
Quem está enviando tropas e qual o tamanho do reforço
O movimento, por ora, envolve equipes pequenas e tarefas específicas. A Alemanha informou que enviará 13 militares para uma missão curta de reconhecimento, citando que o deslocamento foi feito a convite da Dinamarca e pode incluir avaliação de possíveis contribuições futuras, como vigilância marítima.
A França comunicou que os primeiros militares já seguiram para a Groenlândia para participar do exercício organizado por Dinamarca e Groenlândia. Suécia e Noruega também confirmaram envio de pessoal para integrar o esforço com aliados — no caso norueguês, com menção a um contingente reduzido para mapear cooperação.
O que dizem as autoridades — e o pano de fundo com os EUA
A Dinamarca sustenta que o reforço no Ártico é uma resposta ao cenário de segurança e à necessidade de operar em condições extremas, em cooperação com parceiros. Já a escalada política em torno da Groenlândia ganhou força após declarações de Trump sobre a intenção de os EUA controlarem o território, o que provocou reações na Dinamarca e na Groenlândia e aumentou a pressão por demonstrações de unidade entre aliados europeus.
Nenhum anúncio público detalhou um cenário de confronto direto, mas o gesto tem peso simbólico: sinaliza coordenação entre europeus e reforça a mensagem de que a defesa do território dinamarquês é tema sensível dentro da Otan.
Por que isso importa fora do Ártico
Mesmo distante do Brasil, a disputa no Ártico tem efeitos indiretos: a região concentra rotas marítimas que podem se tornar mais usadas com mudanças climáticas e também abriga ativos estratégicos, como minerais e infraestrutura crítica. Qualquer aumento de tensão entre grandes potências costuma mexer com expectativas do mercado, cadeia de logística e custos de transporte — temas que acabam respingando no bolso e no comércio internacional.