Confira como passam a funcionar as novas regras do programa Minha Casa, Minha Vida

Mudanças publicadas no Diário Oficial ampliam limites de renda, aumentam teto dos imóveis e preveem início das operações até o fim do mês

15/04/2026 às 07:01 por Redação Plox

As mudanças anunciadas em março para o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) já foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU). Ainda assim, o início das operações pela Caixa Econômica Federal não tem data definida. A previsão é que elas comecem até o fim deste mês.

As alterações se concentram na ampliação do teto de renda e do valor máximo dos imóveis em cada faixa do programa. Na prática, as novas regras facilitam a compra de unidades maiores ou melhor localizadas, com juros mais baixos do que os praticados no mercado.

Especialistas consultadas pelo g1 avaliam que as mudanças devem favorecer principalmente a classe média, ao permitir que uma parcela significativa volte a buscar e financiar imóveis. Até então, esse grupo enfrentava mais restrições, diante de juros elevados e das limitações do MCMV.

Segundo o governo federal, ao menos 87,5 mil famílias devem ser beneficiadas com taxas mais baixas.


Imagem ilustrativa.

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Foto: Freepik


Novos limites de renda ampliam o acesso a juros menores

O programa atualizou os limites de renda em todas as faixas:

  • Faixa 1: passou de R$ 2.850 para até R$ 3.200
  • Faixa 2: passou de R$ 4.700 para até R$ 5.000
  • Faixa 3: passou de R$ 8.600 para até R$ 9.600
  • Faixa 4: passou de R$ 12.000 para até R$ 13.000

Como os juros do financiamento aumentam gradualmente conforme a renda, a ampliação dos limites beneficia diretamente famílias que estavam próximas dos cortes e que passam a acessar taxas menores.

Um dos efeitos apontados é que quem tinha renda entre R$ 4.700,01 e R$ 5 mil, antes enquadrado na faixa 3, passa agora para a faixa 2. Esse grupo tinha acesso a juros de 8,16% ao ano e passa a ter taxas de 7% ao ano, segundo a advogada Daniele Akamine, especialista em mercado imobiliário.

Outro exemplo envolve famílias com renda entre R$ 8.600,01 e R$ 9.600, que antes estavam na faixa 4 e passam agora para a faixa 3. Nesse caso, o grupo sai de juros de cerca de 10% ao ano e passa a ter taxas de até 8,16% ao ano.

Teto do valor dos imóveis sobe e amplia a oferta dentro do programa

O valor máximo dos imóveis financiados pelo Minha Casa, Minha Vida também aumentou, abrindo espaço para unidades maiores ou em áreas melhor localizadas. Os novos limites ficaram assim:

  • Faixas 1 e 2: de R$ 210 mil a R$ 275 mil, a depender da localidade
  • Faixa 3: de até R$ 350 mil para até R$ 400 mil
  • Faixa 4: de até R$ 500 mil para até R$ 600 mil

Na faixa 3, o teto passou a ser de até R$ 400 mil, um aumento de R$ 50 mil em relação ao limite anterior, o que amplia o leque de opções para uma nova “prateleira” de imóveis. Já na faixa 4, o valor máximo subiu para até R$ 600 mil, um acréscimo de R$ 100 mil, ampliando o acesso a imóveis de padrão mais elevado.

Para Daniele Akamine, o impacto das mudanças é direto na capacidade de compra, já que os limites anteriores não acompanhavam a alta nos preços dos imóveis.

Com o mesmo salário, é possível adquirir um imóvel melhor ou exigir uma entrada menor, já que o crédito ficou mais acessível e as taxas dentro do programa são mais baixas

Daniele Akamine

Classe média ganha fôlego em um cenário de juros altos

Segundo o governo, a atualização das faixas inclui cerca de 31,3 mil famílias na faixa 3 do programa e outras 8,2 mil na faixa 4.

A coordenadora de Projetos de Construção do FGV Ibre, Ana Maria Castelo, afirma que o movimento ocorre em meio a um cenário mais difícil para parte da classe média fora do programa, que enfrentou juros elevados no financiamento imobiliário. O contexto é marcado por uma taxa básica (Selic) que ficou na casa dos 15% durante boa parte do ano passado e que está agora em 14,75%.

Ela destaca que pessoas que estavam logo acima da faixa de corte do programa passam a ser incluídas, ampliando o acesso da classe média à casa própria.

Em menos de um ano, teto de renda sobe de R$ 8 mil para R$ 13 mil

Até abril de 2025, o MCMV atendia, no máximo, famílias da faixa 3, com renda de até R$ 8 mil — limite ampliado para R$ 8,6 mil naquele mês. Em maio, foi criada a faixa 4, estendendo o programa a famílias com renda de até R$ 12 mil, com juros mais altos, mas ainda abaixo dos praticados no mercado.

Com as mudanças de abril de 2026, o alcance foi ampliado para rendas de até R$ 13 mil. Na prática, o teto de acesso ao programa saltou de R$ 8 mil para R$ 13 mil em menos de um ano.

Ana Castelo lembra que o MCMV atingiu um novo recorde de contratações em 2025 e afirma que o programa teve peso relevante para o setor. Ela também observa que, fora do MCMV, a renda média sofreu mais, já que as taxas de financiamento ficaram mais altas, enquanto o mercado mostrou melhor desempenho nas pontas: no programa habitacional e no nicho de imóveis de alto padrão, que não depende de financiamento.

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