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Está em fase de formatação mais um álbum póstumo de Elis Regina (17 de março de 1945 – 19 de janeiro de 1982), com lançamento previsto para novembro e repertório de dez faixas.
O projeto vem sendo conduzido por João Marcello Bôscoli e pelo engenheiro de som Ricardo Camera, que já trabalhavam na produção antes mesmo de chegar ao público a edição remixada do álbum “Elis” (1973). O novo disco foi criado a partir do áudio extraído de um especial filmado pela cantora para a TV Bandeirantes em 1976.
Capa do single póstumo 'Corsário', de Elis Regina (1945 –1982)
Foto: Divulgação
A revitalização do material de 1976 acontece paralelamente às dissonâncias envolvendo a remixagem do álbum de 1973, caso que pode até parar na Justiça. Segundo texto publicado no blog do jornalista Julio Maria, biógrafo de Elis Regina, Cesar Camargo Mariano notificou a gravadora Universal Music, e João Marcello Bôscoli estaria cogitando processar Mariano.
Gravado há 40 anos por Elis no estúdio paulistano Vice-Versa, em 16 canais, o especial já havia originado em 1984 o álbum póstumo “Luz das estrelas”, produzido por Max Pierre e Rogério Costa (1949 – 1996), irmão da cantora. Naquele disco, a voz de Elis foi posta sobre novos arranjos criados com a tecnologia disponível à época.
Em essência, o processo atual é semelhante ao que resultou em “Luz das estrelas”, mas com o auxílio de recursos digitais do século XXI — incluindo o uso de IA. A ideia do projeto surgiu em 2023, em conversa de João Marcello Bôscoli com o irmão Pedro Mariano.
A voz de Elis nas dez músicas foi extraída da gravação do especial e recuperada a partir de uma fita enviada pela gravadora Som Livre à família da cantora, já que a fita original do programa de TV estaria aparentemente perdida. A restauração foi feita por Ricardo Camera por meio de softwares de IA voltados à redução ou eliminação de ruídos e interferências.
Com a voz restaurada, uma nova base instrumental foi produzida nos Estúdios Trama NaCena, em São Paulo (SP). Os arranjos foram criados por Marcelo Maita com a ambição de soar contemporâneo e, ao mesmo tempo, manter fidelidade ao universo musical de Elis Regina, conhecida pela musicalidade apurada e pela exigência com a criação e a execução dos arranjos.
Para as gravações, foram reunidos músicos como Conrado Goys (guitarra), Daniel de Paula (bateria), Paulinho da Costa (percussão e percussão vocal) e Robinho Tavares (baixo). Eles se juntaram a Marcelo Maita (piano elétrico e sintetizador) em faixas como “Corsário” (João Bosco e Aldir Blanc).
Apresentada ao Brasil na voz de Ney Matogrosso em 1975, no primeiro álbum solo do cantor, “Corsário” foi incluída por Elis no roteiro do especial da TV Bandeirantes ao lado de outras composições de João Bosco e Aldir Blanc (1946 – 2020), dupla recorrente no repertório da artista desde 1972.
Com capa que expõe a assinatura de Elis, o single com a nova versão de “Corsário” está programado para ser lançado em 10 de maio, Dia das Mães. A data dá sequência ao projeto tornado público dois anos antes, em 10 de maio de 2024, com a edição do single que trouxe a nova versão de “Para Lennon e McCartney” (Lô Borges, Marcio Borges e Fernando Brant, 1970).
Originalmente intitulado “Elis para sempre”, o próximo álbum póstumo poderá incluir músicas como “Triste” (Antonio Carlos Jobim, 1967), “O mestre-sala dos mares” (João Bosco e Aldir Blanc, 1974) e “Gol anulado” (João Bosco e Aldir Blanc, 1967).
Elis Regina (1945 – 1982) no camarim do Teatro Bandeirantes em 1976
Foto: Divulgação / Bob Wolfenson