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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, trocou mensagens com uma agência de influenciadores digitais para viabilizar publicações favoráveis à instituição quando o banco já enfrentava uma grave crise. A agência citada nas tratativas é a Spark, que se apresenta como especialista em marketing de influência.
A negociação foi revelada nesta quarta-feira (15/5) pelo “Estadão”. Segundo o jornal, peritos da Polícia Federal (PF) extraíram do celular de Vorcaro um trecho de diálogo que mostra a tratativa, ocorrida no fim de 2024, com uma diretora da agência.
Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro negocia um acordo de delação premiada com a PF e a PGR
Foto: Banco Master/ Divulgacao
Na conversa, a diretora teria mencionado que o influenciador a ser contratado seria Renoir Vieira, que publica conteúdos sobre o mercado financeiro. Em abril de 2025, ele fez uma publicação defendendo a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB) e afirmou que bancos privados também estariam interessados na aquisição.
No entanto, naquele momento, a negociação com o BRB já estava sob investigação, e bancos particulares teriam descartado a compra do Master devido aos problemas de liquidez enfrentados pela instituição.
Não tem motivos para o BC (Banco Central) não aprovar essa transação. Essa transação é positiva, melhora o risco de crédito para quem é investidor do Master
Renoir Vieira
Ao “Estadão”, Renoir confirmou que recebeu a proposta da Spark em outubro de 2024, mas disse que não aceitou a oferta por não publicar conteúdos patrocinados sobre bancos. Ele afirmou ainda que a publicação de abril de 2025 expressava sua opinião sobre o cenário financeiro e não teria sido patrocinada.
A compra de parte do Master pelo BRB foi impedida pelo Banco Central (BC). Em setembro de 2025, o BC liquidou a instituição de Vorcaro e, no mesmo dia, ele foi preso pela primeira vez pela Polícia Federal. Diretores do BRB foram afastados das funções.
A Spark confirmou que houve tratativas com o Master, mas disse que a proposta não avançou por ser “eticamente incompatível” com os critérios que orientam a atuação da agência.
Segundo a reportagem, esta é a segunda agência mencionada em negociações para pagar influenciadores em troca de conteúdo favorável ao Master. Um inquérito da PF apura se Vorcaro e aliados contrataram influenciadores para atacar autoridades do BC no fim de 2025, após a prisão, e criar um ambiente público voltado a anular a liquidação do banco.
As investigações incluem a suspeita de contratação de influenciadores por meio da Mithi, do empresário Thiago Miranda, citado como administrador de negócios do grupo Léo Dias. O “Estadão” informou na semana passada que o jornalista Léo Dias recebeu R$ 9,9 milhões do Master.
Preso desde 4 de março, Vorcaro negocia um acordo de delação premiada com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR). A reportagem também aponta que o BRB acumula rombo bilionário após ter comprado papéis do Master.