Poze do Rodo, Ryan SP e outros: veja quais famosos são investigados em operação da Polícia Federal
Megaoperação cumpriu 45 mandados de busca e apreensão e 39 prisões temporárias em nove estados e no DF, com medidas de bloqueio e sequestro de bens
O policial militar Luiz Gustavo Xavier do Vale, preso pela morte a tiros de duas mulheres em Cariacica, na Grande Vitória, entrou na corporação em abril de 2008 e, desde então, acumula denúncias. Entre os registros, estão suspeitas de agressão durante trabalho em boate, um homem baleado em abordagem e a apuração pela morte de uma mulher trans em 2022.
O caso mais recente ocorreu na noite de 8 de abril, no bairro Cruzeiro do Sul. O cabo foi flagrado fardado e em horário de serviço atirando à queima-roupa contra Daniele Toneto, de 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, de 31. Após os disparos, ele foi preso em flagrante.
Segundo o Portal da Transparência do governo do Espírito Santo, o policial investigado recebe salário líquido de R$ 7.393,36. O sistema também aponta que ele acumulou 100 dias de ausência e 264 dias de licença médica ao longo dos anos. O afastamento mais longo foi de 156 dias, entre janeiro e junho de 2010.
Momento em que policial militar chega e atira em casal de mulheres, no dia 8 de abril, em Cariacica, Espírito Santo
Foto: Reprodução/Rede social
Nesta terça-feira (14), o governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB), afirmou que pediu a suspensão total de todos os policiais militares envolvidos no assassinato do casal. O afastamento, segundo ele, vale tanto para atividades operacionais nas ruas quanto para funções administrativas. As armas dos agentes também serão recolhidas.
Determinei ao comandante da PM uma ação efetiva, imediata sobre o caso. São cenas chocantes e não vamos conviver com esse tipo de atuação que desonra a farda da PM. Estamos anunciado ainda hoje providências para que esses policiais possam estar afastados das suas responsabilidades. A gente não vai conviver com esse tipo de coisa Ricardo Ferraço
Vídeo mostra momento em que policial militar atira e mata casal de mulheres no meio da rua, em Cariacica, Espírito Santo
Foto: Reprodução
Atualmente, Luiz Gustavo atuava como guarda em uma companhia da corporação em Itacibá, no mesmo município. A Polícia Militar não detalhou o tipo de trabalho, mas informou que se tratava de função administrativa.
O cabo estava fora das atividades nas ruas desde a morte de uma mulher trans conhecida como Lara Croft, em 2022, baleada com cinco tiros durante uma abordagem no bairro Alto Lage, em Cariacica. Na época, a Polícia Militar informou que ela teria reagido com violência, enquanto testemunhas afirmaram que houve execução. Ele responde ao processo.
Também há registros de denúncia por agressão durante um “bico” em uma boate, em março de 2020. Na ocasião, segundo o texto original, o cabo deu socos e coronhadas em um homem, que teve fraturas no maxilar, passou por cirurgia e ficou 11 dias internado. O caso ainda não foi a julgamento.
Em abril de 2020, ele também foi apontado como suspeito de balear um homem durante uma abordagem. Ainda de acordo com o registro, depois do disparo, o cabo deu uma rasteira e a vítima desmaiou. A Justiça Militar do Espírito Santo absolveu o policial da acusação de lesão corporal grave nesse caso, com decisão sujeita a recurso.
O policial militar Luiz Gustavo Xavier do Vale é investigado pelas mortes de Daniele Toneto e Francisca Chaguiana Dias Viana, em Cariacica, Espírito Santo
Foto: Reprodução
Imagens de uma câmera de segurança repercutiram nesta terça (14) por registrarem com mais detalhes o que ocorreu desde a chegada do policial ao endereço das vítimas até o momento em que ele efetua diversos disparos.
O vídeo mostra as duas mulheres sentadas em um degrau na calçada, em frente ao prédio onde moravam. Uma viatura para em frente às vítimas, enquanto uma segunda estaciona em uma rua perpendicular. Em seguida, seis policiais dobram a esquina e caminham em direção ao casal, com Luiz Gustavo à frente e com a arma nas mãos.
Em entrevista ao vivo ao Gazeta Meio Dia (TV Gazeta), o Major Torezani confirmou que os colegas do cabo investigado já foram ouvidos e foram remanejados para atividades administrativas. Segundo ele, caso haja responsabilização, as medidas cabíveis serão adotadas com a individualização das condutas.
De acordo com a Polícia Militar, Luiz Gustavo será alvo de um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar transgressões cometidas no exercício da função, como abandono de posto e uso irregular de viatura. O procedimento pode levar à abertura de processo administrativo na Corregedoria.
A investigação do duplo homicídio tramita na Justiça comum. A Polícia Militar informou que a arma utilizada na ocorrência pertence à corporação e que o cabo não tinha restrição para portar arma de fogo, apenas para exercer funções administrativas.
Ele foi autuado por duplo homicídio qualificado e está detido no Presídio Militar, em Vitória.
O crime aconteceu na noite de 8 de abril, no bairro Cruzeiro do Sul. Conforme a apuração descrita no texto original, a ex-mulher do militar ligou para ele relatando uma discussão com o casal e disse que o filho dos dois também estaria envolvido.
Testemunhas relataram que as vítimas e a ex-esposa do policial moravam em andares diferentes. Moradores disseram que a ex-companheira do agente teria sido ameaçada pelo casal horas antes do crime.
Ainda segundo testemunhas, a discussão começou por causa de um ar-condicionado, em meio a acusações sobre um possível furto de energia, apesar de residirem em andares distintos. Na manhã de quarta (8), as mulheres voltaram a discutir, e as vítimas mencionaram o filho que a ex-esposa do PM tem com ele. Foi nesse momento, ainda de acordo com o relato, que ela acionou o ex-marido, durante o horário de trabalho.
Após a ligação, o cabo deixou o posto onde cumpria função administrativa e foi ao endereço acompanhado de outros policiais. Testemunhas disseram que houve uma discussão antes dos disparos. Daniele morreu no local, e Francisca foi socorrida, mas não resistiu. Após o crime, o policial foi preso.