Vídeo de Zema sobre Flávio Bolsonaro amplia crise e trava negociações entre PL e Novo
Revelações atribuídas a Flávio no caso do banco Master elevam a turbulência na direita e pressionam alianças estaduais.
15/05/2026 às 08:53por Redação Plox
15/05/2026 às 08:53
— por Redação Plox
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A turbulência na direita após revelações envolvendo pedidos de recursos atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro (PL) ao banqueiro Daniel Vorcaro passou a contaminar as conversas eleitorais entre o PL e o Novo em diferentes estados. O caso, que colocou o presidenciável do PL no centro do episódio relacionado ao escândalo do banco Master, ameaça um dos planos considerados estratégicos para 2026: montar palanques estaduais compartilhados entre as duas siglas.
Efeitos da crise na direita ameaçam alianças estaduais entre o PL e o Novo
A escalada da crise ganhou força quando Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, publicou um vídeo nas redes sociais criticando a postura do senador. Na gravação, ele classificou a conduta como “imperdoável” e disse que a situação seria “um tapa na cara dos brasileiros de bem”.
A reação no PL veio rapidamente. Segundo a matéria, um setor do partido levou ao presidente nacional, Valdemar Costa Neto, um pedido para encerrar de vez as tratativas com o Novo. Nos bastidores, essa ala avaliou que Zema teria ido longe demais ao atacar publicamente o nome apontado por Jair Bolsonaro para enfrentar o presidente Lula na disputa presidencial.
Diretórios tentam conter o desgaste nos estados
Apesar do ruído nacional, a tensão alcançou principalmente os locais em que a formação de alianças já estava adiantada. No Paraná, o Novo divulgou uma nota na qual considerou o vídeo de Zema “precipitado” e afirmou que ele provocou “ruídos desnecessários”. Ainda assim, o diretório estadual reforçou o apoio à composição em torno da candidatura de Sergio Moro ao governo.
Em Santa Catarina, a direção estadual também se posicionou em linha parecida, buscando preservar a parceria voltada à reeleição do governador Jorginho Mello (PL). Já no Rio Grande do Sul, segue a articulação de uma frente em que Luciano Zucco (PL) aparece como aposta, com participação de Marcel van Hattem (Novo) e Sanderson (PL) na disputa ao Senado.
No Espírito Santo, as conversas continuam para repetir a aliança entre as legendas, sob condução do senador Magno Malta (PL), segundo o texto. Internamente, integrantes do Novo avaliam que Zema buscou manter coerência ao criticar relações consideradas suspeitas, a partir do que as investigações sobre Daniel Vorcaro vêm revelando. No entanto, setores mais duros do PL — citados na reportagem como representados pela deputada Júlia Zanatta (SC) — interpretaram a iniciativa como uma tentativa de explorar politicamente a fragilidade de Flávio Bolsonaro.
Em São Paulo, disputa interna amplia a crise
O impasse também reverberou em São Paulo, onde o ambiente já era de atrito entre Ricardo Salles e Eduardo Bolsonaro. A matéria relata que a tensão entre os dois se arrasta desde o momento em que o filho do ex-presidente apoiou André do Prado, presidente da Alesp (Assembleia Legislativa), para concorrer a uma das cadeiras ao Senado, movimento que atrapalhou os planos do ex-ministro.
Com a revelação publicada pelo Intercept Brasil, Salles passou a integrar o grupo que defende a substituição de Flávio por Michelle Bolsonaro caso a capacidade eleitoral do senador seja abalada pela repercussão do caso, de acordo com a reportagem.