“Espero que a justiça seja feita”, diz brasileira após depor sobre tentativa de estupro em Paris

Jhordana Dias, de 26 anos, prestou depoimento à juíza de instrução francesa em caso de tentativa de estupro na linha RER C, enquanto suspeito segue em prisão preventiva e caso reacende debate sobre segurança de mulheres nos transportes públicos

16/01/2026 às 12:06 por Redação Plox

A brasileira Jhordana Dias, vítima de uma tentativa de estupro em um trem na região de Paris, foi ouvida na quinta-feira (15) pela juíza de instrução responsável pelo caso. Segundo o advogado dela, o suspeito pela agressão está em prisão preventiva.


Brasileira que sofreu tentativa de estupro em metrô de Paris foi socorrida por mulher que ouviu os gritos de outro vagão, diz família

Brasileira que sofreu tentativa de estupro em metrô de Paris foi socorrida por mulher que ouviu os gritos de outro vagão, diz família

Foto: Arquivo pessoal/Cícero Junior e reprodução/Instagram Jhordana Dias


Hoje eu passei por uma fase muito importante onde a juíza me ouviu e confrontou os fatos. Eu espero que a justiça seja feita em breve. Eu preciso e pretendo ficar na França porque meu processo está correndo. Jhordana, em entrevista à RFI

Essa foi a primeira vez que a jovem de 26 anos prestou depoimento à Justiça francesa. Em outubro, logo após o ataque, ela havia registrado queixa em uma delegacia.

Depoimento da vítima e andamento do processo

De acordo com o advogado André Fernandes, a oitiva de Jhordana marca uma etapa importante da investigação judicial.

A juíza que instrui o caso decidiu ouvir a Jhordana para dar a palavra à vítima no curso dessa instrução penal. A partir daí, a juíza, com o poder de dirigir o caso, decidirá o que fazer com esses elementos que ela colheu no depoimento de hoje, que só vieram corroborar aquilo que Jhordana já havia relatado quando foi ouvida anteriormente. André Fernandes, advogado de Jhordana

Segundo o defensor, o processo está em fase de instrução, o que significa que o acusado já foi formalmente denunciado pelo Ministério Público francês.

Fernandes afirma que, neste momento, o suspeito responde por tentativa de estupro. A expectativa da acusação é que essa tipificação seja mantida até o fim do processo. Para a parte civil, a prioridade é que o autor seja punido de forma adequada e que a Justiça reconheça a gravidade da violência sofrida por Jhordana no transporte público.

O advogado ressalta ainda que o caso não é isolado e que outras mulheres relatam episódios de incivilidade e agressões em diferentes níveis nos transportes públicos na França.

Suspeito é identificado e permanece preso preventivamente

O homem apontado como agressor foi identificado após ser reconhecido por supostas outras vítimas em vídeos que circularam nas redes sociais. As imagens, gravadas dentro do trem, ganharam grande repercussão e ajudaram a polícia a localizar o suspeito, preso em 24 de outubro.

De acordo com o advogado de Jhordana, o suspeito deve permanecer em prisão preventiva por um ano, prazo que pode ser renovado pela Justiça francesa.

O trabalho da investigação identificou que ele era realmente a pessoa suspeita de ter cometido os atos violentos contra a Jhordana e, sendo essa a conclusão da polícia, ele foi colocado, também por manifestação do Ministério Público, em privação de liberdade até que o caso seja elucidado. Por enquanto, ele é formalmente acusado e ainda aguarda uma sentença penal condenatória, que virá no curso do processo. André Fernandes, advogado de Jhordana

Fernandes explica que, pela legislação penal francesa, esse tipo de detenção pode ser renovado “para o bem da instrução penal e para evitar novas vítimas”. A Justiça pode estender a medida por até quatro anos.

O advogado pondera que o processo ainda está em andamento e que é cedo para falar em penas concretas. A definição final dependerá da classificação jurídica dos fatos pela magistrada responsável.

Violência no trem e consequências psicológicas

Jhordana relata que está bem “na medida do possível” e faz acompanhamento psicológico para lidar com as consequências da agressão.

Ela foi atacada dentro de um trem da linha RER C, que liga Paris à periferia, na manhã de 15 de outubro. A jovem foi alvo de socos, mordidas e agressões de natureza sexual. O episódio foi filmado por uma passageira, que correu em seu socorro após ouvir os gritos vindos de outro vagão.

As imagens viralizaram nas redes sociais francesas e permitiram a identificação do suspeito, detido poucos dias depois.

A Jhordana teve a coragem de se manifestar, de romper o silêncio, porque muitas mulheres em situações assim se sentem ameaçadas e são silenciadas pelo medo. Mas, apesar dessa coragem de falar abertamente sobre o que aconteceu, ela hoje se encontra extremamente traumatizada pelos eventos. Tem medo de andar novamente em transporte público em determinados horários, ainda não consegue dormir. Enfim, é uma pessoa que realmente sofre um trauma, um estresse pós-traumático. André Fernandes, advogado de Jhordana

O caso expõe o impacto duradouro da violência sexual e reabre o debate sobre segurança nos transportes públicos na França, em meio a relatos semelhantes de outras mulheres.

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