Onça-parda é encontrada morta em avenida que corta Parque da Cantareira, em SP
Motorista localizou animal no acostamento da Avenida Senador José Ermírio de Moraes, próximo ao Mirante da Pedra Grande; Secretaria de Meio Ambiente aponta atropelamento como causa provável
16/01/2026 às 13:57por Redação Plox
16/01/2026 às 13:57
— por Redação Plox
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Uma onça-parda foi encontrada morta por um motorista no acostamento de uma avenida que corta o Parque Estadual da Cantareira, no Tremembé, na Zona Norte de São Paulo. A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) informou que a causa provável da morte é atropelamento.
O Parque Estadual da Cantareira é uma área protegida de conservação da Mata Atlântica que abrange os municípios de São Paulo, Guarulhos, Mairiporã e Caieiras.
De acordo com as informações divulgadas, o corpo do animal foi visto pelo motorista na manhã de sábado (10), na Avenida Senador José Ermírio de Moraes, e resgatado pelas equipes do parque apenas no dia seguinte.
Onça-parda encontrada morta na Cantareira
Foto: Arquivo pessoal
Animal estava perto de área turística do parque
A onça-parda foi encontrada a cerca de 1,5 quilômetro do Mirante da Pedra Grande, um dos principais pontos turísticos da Serra da Cantareira, conhecido pelas trilhas e pela vista panorâmica da cidade.
A Semil destacou que a região integra a área de vida natural da espécie e reforçou que a presença de grandes felinos na unidade de conservação está ligada às características do ambiente preservado.
Em nota, a Fundação Florestal informou que o animal foi encaminhado ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), na capital paulista, para a realização de necropsia, procedimento que deve confirmar as circunstâncias da morte.
Os animais do Parque Estadual da Cantareira não são rastreados individualmente, segundo a Fundação Florestal. O monitoramento da fauna na unidade é feito por meio de câmeras traps, equipamentos automáticos que registram fotos e vídeos e são utilizados em estudos de biodiversidade.
Ativista acionou gestão do parque
A gestão do parque foi comunicada sobre o caso por Suzi Cavalari, ativista socioambiental. Segundo ela, no momento do contato, a administração ainda não tinha conhecimento do atropelamento.
Na avaliação da ativista, o atropelamento de animais silvestres na região está ligado à ausência de monitoramento adequado, à circulação de veículos em alta velocidade, às ultrapassagens perigosas e ao tráfego irregular de caminhões.
Trecho é conhecido como “curva da morte”
A Avenida Senador José Ermírio de Moraes integra a Estrada da Roseira, via que ganhou a fama de “curva da morte” devido ao histórico de acidentes e às manobras arriscadas de caminhões que desrespeitam a proibição de circulação de veículos pesados no local.
Nesse cenário, animais silvestres que atravessam a pista acabam expostos a um risco constante de atropelamento, especialmente em trechos de pouca visibilidade e onde há excesso de velocidade.
Onça-parda está perto de ser considerada ameaçada
As onças-pardas são a segunda maior espécie de felino das Américas e enfrentam uma tendência de declínio populacional. Entre as principais ameaças estão o avanço da ocupação humana sobre seus habitats, a fragmentação de áreas de mata e a expansão de estradas com tráfego intenso de veículos em alta velocidade.
Segundo o Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a espécie está próxima de ser enquadrada oficialmente como ameaçada de extinção.
Em casos de acidentes ou avistamento de animais silvestres feridos, a recomendação da Semil é acionar o Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, a Guarda Civil Municipal ou as autoridades responsáveis mais próximas, evitando qualquer tentativa de manejo direto por conta própria.