Anônimo teria mandado ácido para ministro do STF, mas não há confirmação oficial, diz jornalista

Mensagem viral nas redes sociais menciona envio de ácido a um ministro do Supremo, porém o caso não foi confirmado publicamente por fontes oficiais nem por grandes veículos e segue em apuração.

16/03/2026 às 17:57 por Redação Plox

Uma mensagem que circula nas redes sociais com o comando “Anônimo mandou ácido para ministro do STF, revela jornalista” sugere um ataque químico contra um integrante da Corte. Até o momento, porém, não há confirmação pública em fontes oficiais ou em veículos jornalísticos de grande circulação sobre um episódio recente em que “ácido” teria sido enviado a um ministro do Supremo nesses termos. A informação segue ainda em apuração.

O que há documentado de forma oficial é um caso anterior de correspondência suspeita enviada ao então presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, no qual a Polícia Federal concluiu que o “pó branco” encontrado em um envelope era lactose, sem qualquer indício de substâncias tóxicas, radioativas, explosivas ou de microorganismos.

Composição dos ministros do STF em 2023

Composição dos ministros do STF em 2023

Foto: Fellipe Sampaio /SCO/STF


Precedente no STF com “pó branco” em envelope

Em agosto de 2008, uma correspondência endereçada ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, foi aberta por um funcionário, que relatou cheiro forte e conteúdo ofensivo na mensagem. O material foi encaminhado para análise da Polícia Federal.

Após perícia, a PF informou que o pó encontrado era lactose (açúcar do leite), descartando risco biológico, tóxico, radioativo ou explosivo. Na ocasião, foi indicada a abertura de investigação para tentar identificar o responsável pelo envio.

Esse episódio ganhou relevância como precedente porque, diante de qualquer “pó suspeito” ou suposta substância agressiva em correspondências dirigidas a autoridades, a praxe é acionar protocolos de segurança e perícia antes de qualquer conclusão sobre a presença de “ácido” ou de outro agente químico.

O que registram documentos e fontes oficiais

À época, o Correio Braziliense registrou a informação atribuída à Polícia Federal de que o material analisado não continha substâncias tóxicas, microorganismos, compostos radioativos ou explosivos, e que o pó havia sido identificado como lactose.

O Relatório de Gestão 2008 da Polícia Federal, documento oficial, também menciona o chamado “Caso do Pó Branco no STF” e relata que, por meio de análises como difração de raios X, foi possível determinar em poucas horas que a substância era lactose, “sem riscos biológicos e radioativos”.

Com isso, aquele caso de envelope suspeito envolvendo o Supremo Tribunal Federal foi classificado como uma falsa ameaça do ponto de vista do risco químico e biológico, ainda que tenha acionado mecanismos de segurança e apuração.

Como o público deve ler mensagens sobre “ácido” enviado a ministro

Para quem recebe comandos como “Anônimo mandou ácido para ministro do STF, revela jornalista”, sem indicação clara de quem é o jornalista, qual o veículo, a data ou o ministro supostamente envolvido, o alerta é imediato: esse tipo de formulação pode sinalizar boato, recorte fora de contexto ou informação incompleta.

Nesses casos, a orientação é tratar a alegação como não confirmada até que haja registros verificáveis, como nota oficial do STF ou da Polícia Federal, ou ainda reportagens identificáveis com data, autoria e veículo.

Do ponto de vista institucional, qualquer episódio de correspondência suspeita costuma acionar protocolos específicos: isolamento de área, perícia do material e avaliação de risco. Só após essas etapas é possível determinar se de fato havia substância corrosiva, como um ácido, ou apenas material inofensivo.

Na cobertura política, alegações de intimidação contra ministros do STF tendem a ter repercussão e podem resultar em investigação formal, desde que haja confirmação do fato e registro oficial do episódio.

O que ainda precisa ser verificado

Em relação à mensagem que afirma que um anônimo teria enviado ácido a um ministro do Supremo, ainda é necessário checar pontos básicos:

Primeiro, se existe alguma nota oficial do STF ou comunicação da Polícia Federal sobre um caso recente que envolva especificamente “ácido”, e não apenas “pó suspeito”.

Segundo, a identificação de qual seria o “jornalista” mencionado no comando — com nome, veículo e data da publicação — para que o conteúdo original possa ser localizado e analisado, reduzindo o risco de desinformação.

Caso se confirme a existência de um episódio atual, os próximos passos de apuração incluirão buscar informações sobre eventual boletim de ocorrência, abertura de inquérito, laudos periciais e medidas de segurança adotadas em resposta ao fato.

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