Dólar abre em queda a R$ 5,2658 com tensão no Oriente Médio e petróleo em alta

Moeda recua 1,08% na manhã desta segunda (16), enquanto o Brent chega a US$ 106 e a guerra eleva a volatilidade; Receita divulga às 10h as regras do IRPF 2026

16/03/2026 às 09:24 por Redação Plox

A segunda-feira (16/03/2026) começa com o mercado brasileiro sob influência direta do cenário externo. O dólar abriu em queda de 1,08%, cotado a R$ 5,2658, em meio à atenção redobrada com a guerra no Oriente Médio e seus reflexos sobre o preço do petróleo. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inicia as negociações às 10h.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik


Petróleo dispara com escalada da guerra

O movimento no câmbio ocorre em um ambiente de forte aversão ao risco. O preço do petróleo voltou a subir com a escalada da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O barril do Brent chegou a US$ 106, acumulando alta de mais de 40% desde o início do conflito, em meio a incertezas sobre o transporte global da commodity.

Nesta segunda, o Exército de Israel anunciou o início de operações terrestres “limitadas” no sul do Líbano contra o grupo rebelde libanês Hezbollah, o que, na prática, representa uma invasão de território. Em comunicado, a pasta de defesa informou que a ação tem como objetivo “estabelecer e fortalecer uma postura defensiva avançada” com a destruição de infraestrutura do Hezbollah na região.

Tensões geopolíticas e mercado de câmbio

A escalada no Oriente Médio mantém o petróleo no centro das atenções e reforça a volatilidade nos mercados globais. Com a commodity se aproximando e superando a marca de US$ 100, investidores avaliam os riscos de interrupções nas rotas estratégicas de fornecimento de energia e os impactos sobre inflação, juros e crescimento mundial.

No Brasil, esse ambiente tende a influenciar diretamente o câmbio e os ativos de risco. Moedas de países emergentes costumam ser pressionadas em momentos de incerteza geopolítica, mas o início desta segunda mostra o dólar em queda frente ao real, em meio a ajustes de posição e monitoramento dos próximos desdobramentos.

Agenda doméstica: foco no Imposto de Renda 2026

Além do noticiário externo, a agenda local concentra a atenção de investidores e contribuintes. A Receita Federal divulga hoje, às 10h, em Brasília, as regras da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2026, que vai considerar rendimentos e despesas referentes ao ano de 2025.

As normas a serem apresentadas em coletiva de imprensa vão detalhar prazos, obrigatoriedades, eventuais mudanças em deduções, declaração pré-preenchida e critérios de restituição. O anúncio serve de marco para que contribuintes e contadores ajustem o planejamento de entrega e organizem documentos.

Dólar, bolsa e desempenho recente

No acumulado recente, o sobe e desce dos mercados reflete o ambiente de incerteza:

💲 Dólar

Acumulado da semana: +1,34%;
Acumulado do mês: +3,51%;
Acumulado do ano: -3,18%.

📈 Ibovespa

Acumulado da semana: -0,95%;
Acumulado do mês: -5,94%;
Acumulado do ano: +10,36%.

Petróleo na faixa dos US$ 100 e risco inflacionário

Os preços do petróleo seguem elevados, próximos da casa de US$ 100 por barril, em meio às tensões no Oriente Médio e ao temor de interrupções no fornecimento global de energia. Na última sexta-feira, o barril do Brent avançava 2,12% perto das 16h (horário de Brasília), negociado a US$ 102,59. O WTI, referência nos EUA, era cotado a US$ 97,84.

Desde o início do conflito na região, o petróleo acumula valorização de cerca de 40%. No começo de 2026, o barril era negociado próximo de US$ 60, patamar que agora ficou distante, com os preços retornando a níveis não vistos desde meados de 2022.

Na tentativa de aliviar a pressão sobre o mercado de energia, o Tesouro dos Estados Unidos concedeu uma licença temporária de 30 dias — válida até 11 de abril — permitindo que países comprem carregamentos de petróleo e derivados russos que já estavam embarcados até quinta-feira (12). Mesmo assim, investidores seguem atentos à evolução da guerra e ao risco de interrupções no fluxo de petróleo no Oriente Médio, incluindo ameaças de fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio mundial da commodity.

Governo brasileiro reage à alta dos combustíveis

O encarecimento do petróleo no mercado internacional já levou o governo brasileiro a anunciar medidas para tentar conter a pressão sobre os combustíveis. Na quinta-feira (12), foi divulgado um pacote voltado, principalmente, ao preço do diesel.

Entre as ações, o governo decidiu zerar os tributos federais PIS e Cofins sobre o diesel e anunciar apoio financeiro a produtores e importadores do combustível, como forma de reduzir o impacto da alta externa. Segundo estimativas oficiais, essas medidas podem diminuir em cerca de R$ 0,64 por litro o preço do diesel.

Para compensar a perda de arrecadação, também foi criado um imposto de 12% sobre a exportação de petróleo, visando capturar parte dos ganhos extras obtidos pelos produtores com a valorização da commodity no mercado internacional.

A principal preocupação é que o aumento do diesel acabe pressionando a inflação, já que o combustível é amplamente utilizado no transporte de cargas, o que afeta diretamente o custo de alimentos e outros produtos. Nesse contexto, a Petrobras informou que seu conselho de administração aprovou a adesão da companhia ao pacote de medidas, avaliando que o programa, de caráter opcional, é compatível com os interesses da empresa.

Inflação e atividade nos Estados Unidos

No cenário internacional, os dados de inflação e crescimento da economia americana também entram no radar dos mercados. O índice de preços de gastos com consumo (PCE), indicador de inflação mais acompanhado pelo Federal Reserve, subiu 0,3% em janeiro ante dezembro, após alta de 0,4% no mês anterior, em linha com as projeções.

Na comparação com janeiro do ano passado, o PCE acumulou alta de 2,8%, levemente abaixo dos 2,9% de dezembro. Ao desconsiderar itens mais voláteis, como alimentos e energia, o núcleo do PCE avançou 0,4% em janeiro, repetindo o ritmo de dezembro. Em 12 meses, o núcleo registrou alta de 3,1%, acima dos 3,0% anteriores.

Com esses dados, a expectativa predominante é de que o Fed mantenha a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75% na próxima reunião, marcada para quarta-feira. Economistas avaliam que o espaço para cortes de juros pode estar diminuindo, e o mercado financeiro projeta apenas uma redução em 2026, possivelmente em setembro.

Já o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA mostrou sinais de desaceleração no fim do ano passado. De acordo com a segunda estimativa do Departamento do Comércio, o PIB cresceu 0,7% no quarto trimestre, em ritmo anualizado, abaixo da expectativa de 1,5% e da estimativa anterior, de 1,4%. A revisão refletiu ajustes menores em exportações, consumo das famílias, gastos do governo e investimentos, enquanto as importações recuaram menos do que o inicialmente estimado.

Serviços em alta no Brasil

No Brasil, o setor de serviços começou 2026 em terreno positivo. Em janeiro, o volume de serviços avançou 0,3% na comparação com dezembro, acima da expectativa de alta de 0,1%, voltando ao maior nível da série histórica.

Frente a janeiro de 2025, o crescimento foi de 3,3%, também acima das projeções de 2,8%. Entre as atividades pesquisadas, registraram alta outros serviços (3,7%), informação e comunicação (1,0%) e transportes (0,4%). Já os serviços prestados às famílias caíram 1,2%, enquanto os serviços profissionais, administrativos e complementares ficaram estáveis.

Bolsas globais repercutem guerra e petróleo

Os mercados globais seguiram pressionados pelo avanço das tensões no Oriente Médio e pela perspectiva de novas altas no preço do petróleo, cenário que alimenta temores de inflação mais alta e desaceleração do crescimento mundial.

Na Ásia, as bolsas fecharam em queda. O clima de incerteza aumentou após o Irã intensificar ataques na região e ameaçar manter fechado o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo. O índice de Xangai (SSEC) caiu 0,82%, enquanto o CSI300 recuou 0,39%. Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 0,98%, e, no Japão, o Nikkei caiu 1,2%, encerrando aos 53.819 pontos.

Na Europa, o ambiente foi semelhante. O índice STOXX 600 recuou 0,50%. Entre os principais mercados, o CAC 40, de Paris, caiu 0,91%; o DAX, da Alemanha, registrou baixa de 0,65%; e o FTSE 100, de Londres, cedeu 0,43%.

Em Wall Street, além da instabilidade gerada pelo conflito e pela alta do petróleo, investidores reagiram negativamente aos dados de crescimento e inflação. O Dow Jones recuou 0,25%, o S&P 500 caiu 0,60% e a Nasdaq perdeu 0,93%.

O que acompanhar ao longo do dia

Com o câmbio em queda na abertura e o petróleo em alta no exterior, o foco do mercado doméstico se divide entre a evolução da guerra, a trajetória das commodities e a agenda econômica interna. A divulgação das regras do IRPF 2026 pela Receita Federal é o principal evento local da manhã e deve orientar contribuintes e profissionais da área contábil nas próximas semanas.

Ao longo do dia, investidores também acompanham a reação do Ibovespa à combinação de dólar mais fraco na abertura, tensões geopolíticas, petróleo caro e expectativa por decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos.

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