Fim da aposentadoria compulsória pode alcançar desembargador do TJMG acusado de abuso sexual

PEC 3/2024 em tramitação no Senado discute proibir a punição que afasta magistrados com remuneração e pode influenciar casos em apuração, como o do desembargador Magid Nauef Láuar, alvo de procedimentos no TJMG e no CNJ

16/03/2026 às 16:40 por Redação Plox

A discussão no Congresso para proibir a aposentadoria compulsória como sanção disciplinar aplicada a magistrados voltou ao centro do debate público e pode atingir diretamente casos em apuração no Judiciário. Em Minas Gerais, o tema se cruza com a repercussão envolvendo o desembargador Magid Nauef Láuar, do TJMG, alvo de procedimentos após denúncias de abuso sexual e de controvérsia em julgamento relacionado a estupro de vulnerável.

Láuar (centro) tomou posse como desembargador do TJMG há apenas nove meses, em junho de 2025

Láuar (centro) tomou posse como desembargador do TJMG há apenas nove meses, em junho de 2025

Foto: Juarez Rodrigues/TJMG


Debate sobre o fim da aposentadoria compulsória

Nos últimos meses, avançou no campo político e jurídico a proposta de acabar com a aposentadoria compulsória como punição, hoje prevista na Lei Orgânica da Magistratura (Loman) e aplicada em processos disciplinares, inclusive no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A ideia central é impedir que a sanção administrativa resulte em afastamento remunerado, substituindo-a por punições que não preservem a remuneração após falta considerada grave.

No Senado, há registro formal de tramitação da PEC 3/2024, que trata do fim da aposentadoria compulsória como sanção, conforme documento de “Atividade Legislativa” disponibilizado pela própria Casa. Até o momento indicado no texto original, não há confirmação, nas fontes mencionadas, de que qualquer mudança constitucional esteja aprovada e em vigor, o que significa que o impacto sobre casos concretos depende do texto final, da aprovação e de eventuais regras de transição.

Caso do desembargador do TJMG

Paralelamente ao debate nacional, o desembargador Magid Nauef Láuar passou a ser investigado em Minas Gerais após a repercussão de um caso no Tribunal de Justiça do Estado. Na sequência, surgiram denúncias de abuso sexual atribuídas ao magistrado, levando à abertura de procedimentos tanto no TJMG quanto no CNJ, segundo reportagens citadas no texto original.

De acordo com informação atribuída à CNN Brasil, o TJMG comunicou ter instaurado procedimento administrativo para apurar “eventual falta funcional” relacionada ao desembargador, a partir de denúncia apresentada por familiar. Já o CNJ aparece, conforme noticiado por VEJA e outros veículos, como instância de apuração, com investigação e medidas de corregedoria voltadas à atuação do tribunal e do magistrado.

Possíveis efeitos da mudança nas punições

O fim da aposentadoria compulsória como punição pode alcançar diretamente o caso do desembargador do TJMG acusado de abuso sexual, a depender de como for concluída a tramitação da proposta no Congresso. Se uma PEC que proíba a aposentadoria compulsória como sanção for aprovada, o impacto tende a se dar em ao menos dois níveis.

No plano dos novos processos disciplinares, a sanção de aposentadoria compulsória pode ser extinta ou significativamente restringida, alterando o conjunto de punições aplicáveis a magistrados em casos de falta grave.

Para casos em andamento, como o que envolve o desembargador do TJMG, o alcance da mudança dependerá de como o texto constitucional tratará temas como retroatividade e normas de transição. Alterações dessa natureza costumam abrir espaço para disputas jurídicas sobre a aplicação a processos já instaurados, o que tende a ser decidido pelo próprio Judiciário. Esse cenário permanece condicionado ao texto final e a futuras interpretações.

O debate também se conecta à percepção de parte da opinião pública de que a aposentadoria compulsória, quando aplicada como sanção, mantém remuneração e benefícios, funcionando, na prática, como uma espécie de “prêmio” após condutas graves. Essa crítica é recorrente em reportagens e discussões legislativas.

O que está em jogo nos próximos meses

Nos próximos passos, a atenção se volta à tramitação da PEC 3/2024 no Senado, incluindo possíveis apensamentos ou substitutivos, para verificar se o texto final alcançará apenas magistrados ou também outras carreiras, e quais sanções substitutivas serão previstas no lugar da aposentadoria compulsória.

Também permanece em foco o acompanhamento dos procedimentos no TJMG e no CNJ relacionados ao desembargador, com atenção para eventual abertura de processos administrativos disciplinares, medidas cautelares como afastamento, prazos de apuração e decisões colegiadas.

Outro ponto relevante é a observação de posicionamentos oficiais, como a defesa do magistrado, manifestações formais do TJMG e do CNJ e notas de entidades de classe ou de representação jurídica, como associações de magistrados e a OAB. As informações reunidas até aqui, conforme o texto original, indicam que o caso e o debate sobre a aposentadoria compulsória seguem em evolução, e a consolidação de versões e documentos ainda depende de acompanhamento contínuo.


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