Dia na Terra pode chegar a 25 horas em centenas de milhões de anos, apontam pesquisas
Desaceleração gradual da rotação, influenciada pelo atrito das marés e pela gravidade da Lua, faz o planeta girar cada vez mais devagar ao longo do tempo
16/04/2026 às 23:07por Redação Plox
16/04/2026 às 23:07
— por Redação Plox
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Pesquisas recentes indicam que a duração de um dia solar na Terra, hoje estimada em cerca de 24 horas, pode chegar a 25 horas em um horizonte de centenas de milhões de anos. O cenário está ligado à desaceleração gradual da rotação terrestre, um fenômeno já considerado pela comunidade científica e com reflexos nos ciclos naturais e na forma como o tempo é medido.
Planeta Terra visto do espaço, com o Sol iluminando o horizonte.
A principal causa da lentidão no giro do planeta é o atrito gerado pelas marés, resultado da força gravitacional exercida pela Lua. À medida que o satélite puxa as massas de água, ocorre um atrito contínuo entre os oceanos e o fundo marinho, transferindo parte da energia de rotação da Terra para a órbita lunar. Com isso, a Lua se afasta do planeta a uma taxa média de 3,8 centímetros por ano, enquanto a rotação terrestre diminui gradativamente.
O que dizem as estimativas sobre o “dia de 25 horas”
Segundo estudos citados na apuração, a duração do dia aumenta, em média, 1,7 milissegundo a cada século, o equivalente a 0,0017 segundo a cada 100 anos. Nesse ritmo, seriam necessários mais de 39 mil anos para acumular um ganho de seis milissegundos. Para que o dia terrestre chegue a 25 horas, a estimativa aponta para cerca de 200 milhões de anos.
Atualmente, o dia solar completo registra duração aproximada de 23 horas, 56 minutos e 4 segundos.
Fatores que alteram o giro no curto prazo
Além da interação gravitacional com a Lua, outros elementos podem provocar variações temporárias na velocidade de rotação da Terra. Entre eles estão o derretimento de calotas polares, grandes terremotos, deslocamentos de massas de ar na atmosfera, dinâmicas do núcleo interno e mudanças nas correntes oceânicas. Essas oscilações, porém, são medidas em frações de milissegundos e, de acordo com o texto, nenhuma geração humana perceberá diretamente a diferença no comprimento do dia.
O registro do fenômeno na história geológica
Há evidências desse processo na própria história geológica do planeta. Cientistas analisam anéis de crescimento em corais antigos e camadas sedimentares que funcionam como um “relógio” natural. Os resultados indicam que, há cerca de 600 milhões de anos, um dia terrestre tinha aproximadamente 21 horas. No início da Terra, há cerca de 4,5 bilhões de anos, o giro seria ainda mais rápido, com dias estimados entre cinco e dez horas.
Impactos já percebidos na tecnologia
Embora o dia de 25 horas seja uma possibilidade restrita a um futuro muito distante, pequenas mudanças na rotação terrestre já interferem em tecnologias atuais. Sistemas de navegação por satélite, como o GPS, dependem de medições de tempo extremamente precisas e utilizam segundos intercalares para sincronizar relógios atômicos com o ritmo real de rotação da Terra. Instituições científicas ao redor do mundo monitoram essas variações para garantir o funcionamento adequado de satélites, redes de comunicação e sistemas de posicionamento global.