Lula critica ameaças de Trump e defende respeito à soberania entre países

Em entrevista ao El País, presidente condena intimidações em redes sociais, critica pressão por rearmamento, comenta crise do “tarifaço” com os EUA e defende reforma da ONU

16/04/2026 às 09:19 por Redação Plox

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao comentar a condução das relações internacionais pelo líder norte-americano e ameaças feitas em redes sociais. Para Lula, não cabe a um chefe de Estado usar intimidações contra outros países e é necessário reforçar o respeito à soberania entre nações.

A declaração foi dada em entrevista ao jornal espanhol El País, publicada nesta quinta-feira (16/4). No mesmo contexto, Lula também condenou o uso do poder econômico e militar como instrumento de pressão nas relações internacionais.

Lula também criticou o uso de poder econômico e militar como instrumento de pressão entre nações

Lula também criticou o uso de poder econômico e militar como instrumento de pressão entre nações

Foto: crédito: Ricardo Stuckert / PR



Críticas ao rearmamento e defesa de prioridades sociais

Lula fez a crítica direta ao ser questionado sobre a corrida armamentista. Ele afirmou que há uma pressão global pelo rearmamento, mas reiterou a posição brasileira de priorizar investimentos sociais. O presidente lembrou que a Constituição de 1988 proíbe a fabricação de armas nucleares no país e disse que prefere investir em livros, comida e empregos.

O presidente também relatou ter procurado líderes internacionais — como os de China, Índia, Rússia e França — para discutir alternativas de redução das tensões globais. Segundo ele, é necessário que as potências assumam maior responsabilidade pela manutenção da paz internacional.

Eu já liguei para o presidente chinês Xi Jinping, o primeiro-ministro indiano Modi, Putin, Macron, todos, pedindo que se reunissem para discutir isso. Porque Trump não tem o direito de acordar de manhã e ameaçar um país. Ele não foi eleito para isso, e sua Constituição não permite. É essencial que aqueles que detêm o poder assumam maior responsabilidade pela manutenção da paz

Lula

Tarifas, crise diplomática e cautela nas conversas

Ao abordar a recente crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, quando Trump anunciou o chamado “tarifaço”, Lula disse ter se surpreendido com os argumentos usados para justificar a imposição de tarifas contra o Brasil. Segundo o presidente, as justificativas “não eram verdadeiras” e vieram acompanhadas de demonstrações de força militar.

Lula afirmou que preferiu adotar uma postura cautelosa durante as conversas e relatou ter defendido um diálogo mais equilibrado entre os dois países. Ele também disse que não considera necessário um alinhamento ideológico para que haja negociação entre chefes de Estado.

Soberania, impactos de ataques e críticas ao papel da ONU

Na avaliação de Lula, Trump acredita que o poder econômico, militar e tecnológico dos Estados Unidos seria suficiente para ditar regras globais, o que, segundo ele, traz consequências negativas para o próprio país. O presidente citou a alta dos preços dos combustíveis após ataques militares contra o Irã e afirmou que os impactos recaem sobre a população.

Para Lula, o cenário global é delicado e marcado por gastos elevados em guerras, que poderiam ser direcionados a políticas sociais. Ele mencionou que, com metade desses recursos, seria possível erradicar o analfabetismo, enfrentar o problema energético global e acabar com a fome para 630 milhões de pessoas.

Reformulação da ONU e geopolítica “ultrapassada”

Nesse contexto, Lula defendeu a reformulação da Organização das Nações Unidas (ONU), com ampliação da representatividade e revisão do poder de veto. Segundo o presidente, a estrutura atual reflete uma geopolítica ultrapassada. “A geopolítica de 1945 não é válida para 2026”, afirmou.

Na entrevista, Lula também criticou o desempenho dos cinco países do Conselho de Segurança e citou conflitos e intervenções que, segundo ele, não foram levados ao órgão.

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