Lula diz que Terceira Guerra Mundial é possível e critica ações de EUA e Israel

Em entrevista ao El País, presidente comenta conflito no Oriente Médio, taxação de Trump ao Brasil e defende respeito à integridade territorial entre países

16/04/2026 às 14:09 por Redação Plox

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que uma Terceira Guerra Mundial “é possível” caso líderes sigam agindo como se pudessem “levantar de manhã e atirar contra qualquer um”. A declaração foi feita em meio a comentários sobre a guerra no Oriente Médio, citada no contexto de ações atribuídas aos Estados Unidos e Israel contra o Irã, e a posicionamentos do presidente norte-americano Donald Trump no conflito.

  • Lula também alertou para o impacto de um eventual novo confronto global e disse que “uma Terceira Guerra Mundial será uma tragédia dez vezes mais potente que a segunda”.
    Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante Reunião Ministerial, realizada no Palácio do Planalto

    Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante Reunião Ministerial, realizada no Palácio do Planalto

    Foto: • Ricardo Stuckert/PR


Entrevista ao “El País” e recado contra violações territoriais

As falas ocorreram em entrevista ao jornal espanhol “El País”, publicada nesta quinta-feira (16). No diálogo, Lula respondeu se teme possíveis intervenções norte-americanas no Brasil e afirmou sentir-se seguro, defendendo que sua relação com outros países não se baseia em confronto militar.

Eu me considero seguro. Minha disputa com qualquer país do mundo não é pela guerra, aqui tem democracia, queremos da forma mais civilizada do mundo negociar em uma mesa. Nenhum país tem o direito de ferir a integridade territorial de outro país

Lula

Taxação e diálogo com Trump

Ao tratar da taxação imposta ao Brasil pelo presidente norte-americano, Lula disse que precisou ter “muita paciência” e que Trump teria usado argumentos que “não foram verdadeiros”. Segundo o presidente, o norte-americano tentou conduzir a conversa para o tema de força militar, assunto que, de acordo com Lula, não era de seu interesse por não querer guerra com os Estados Unidos.

Na mesma entrevista, Lula relatou que afirmou “textualmente” a Trump a necessidade de maturidade no diálogo entre chefes de Estado, citando que ambos têm 80 anos. Ele acrescentou que não pediu concordância ideológica e defendeu que líderes devem priorizar a postura institucional nas conversas.

Críticas a intervenções na Venezuela

Lula também criticou a intervenção militar realizada pelos Estados Unidos na Venezuela, no início do ano, que resultou na prisão do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, a deputada Cília Flores. Ele disse que o PT e democratas brasileiros defenderam a posse de Delcy Rodríguez, apontada no texto como atual presidente venezuelana, por ser vice-presidente, e afirmou considerar necessário um processo eleitoral pactuado com a oposição.

Ao comentar a postura de Washington em relação ao país vizinho, Lula afirmou que não é normal que os Estados Unidos achem que podem “administrar” a Venezuela.

Sanções a Cuba e comparação com o Haiti

O presidente também foi questionado sobre sanções econômicas e restrições à exportação de petróleo para Cuba, mencionadas como agravadas durante o governo de Donald Trump, em meio à crise energética enfrentada pela ilha. Lula classificou Cuba como “muito preciosa” e disse não ver explicação para um bloqueio de 70 anos.

Na entrevista, ele questionou por que críticos de Cuba não demonstrariam a mesma preocupação com o Haiti e defendeu que o país precisa de oportunidade para “fazer as coisas”, citando dificuldades relacionadas a alimentos, combustível e energia.

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