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A eleição de outubro em Minas Gerais pode trazer de volta um arranjo eleitoral que surpreendeu o estado há 20 anos. Em 2006, mesmo em campos opostos, o então governador Aécio Neves (PSDB) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viram surgir o chamado “Lulécio”, quando parte do eleitorado votou simultaneamente em Lula para a Presidência e em Aécio para o governo mineiro.
Naquele ano, Lula venceu a reeleição ao derrotar o tucano Geraldo Alckmin, enquanto Aécio conquistou o governo de Minas pela segunda vez, superando o petista Nilmário Miranda. Mesmo com as disputas nacionais e estaduais em lados opostos, os dois mantiveram uma relação cordial e evitaram embates durante o período eleitoral.
Foto usada pelo ex-juiz Serio Moro em decisão da Operação Lava Jato • Reprodução
Em 2026, a hipótese de um novo “Lulécio” ganhou espaço a partir de declarações de envolvidos, falas de aliados, negociações e alianças discutidas nos bastidores. O cenário em avaliação envolve o senador Rodrigo Pacheco (PSB), apontado como o preferido de Lula para disputar o Governo de Minas e funcionar como palanque do petista no estado.
Nas últimas semanas, também avançou a possibilidade de o deputado federal Aécio Neves ser apoiado — ainda que de forma informal — em uma disputa ao Senado Federal, em movimento associado ao campo de Pacheco. Oficialmente, tucanos e petistas reconhecem dificuldades para uma aliança formal entre PT e PSDB, mas lideranças que acompanham as conversas avaliam um arranjo de “apoio informal”. Se esse desenho se confirmar, parte do eleitorado poderia repetir a lógica: Lula para presidente, Pacheco para governador e Aécio para o Senado. *
Declarações recentes reforçaram a possibilidade de aproximação. Em entrevista à CNN Brasil na última terça-feira (14), Aécio, apesar de destacar divergências históricas com o PT, elogiou Rodrigo Pacheco e também a ex-prefeita de Contagem e pré-candidata do PT ao Senado, Marília Campos.
Eu tenho uma relação de amizade e respeito pelo Rodrigo desde sempre, desde antes de ele entrar na vida pública. O Rodrigo sempre atuou no nosso campo político. Se elegeu senador apoiando meu ex-vice-governador Antonio Anastasia. É um quadro extraordinário da vida pública nacional. Só que hoje, ele avança para um campo, o campo petista, que sempre foi oposição ao PSDB. Os palanques regionais tem uma lógica própria
Aécio Neves
Na mesma entrevista, o deputado afirmou ver em Pacheco condições “pessoais, morais e políticas” para ocupar o governo de Minas e permitir que o estado volte a crescer. Sobre Marília Campos, Aécio disse manter uma trajetória de diálogo e citou parcerias realizadas em Contagem quando foi governador, além de mencionar que recebeu apoio de prefeitos do PT em campanha de reeleição.
Marília Campos também indicou espaço para a presença de Aécio em uma coalizão liderada por Lula e Pacheco. Na segunda-feira (13), durante evento em Belo Horizonte, ela afirmou que o tucano caberia no palanque mineiro de Pacheco. Antes de um evento de pré-campanha, ponderou que a definição sobre o segundo nome ao Senado e a vaga de vice deve partir do nome escolhido pelo partido para disputar o governo estadual.
Marília justificou a possibilidade citando que “posicionamentos políticos se transformam” e mencionou o próprio caso de Rodrigo Pacheco, eleito com base de direita e, depois, com atuação que ela classificou como democrática, avançada e progressista. No plano nacional, o presidente do PT, Edinho Silva, também sinalizou, dias atrás, interesse em discutir uma eventual aproximação com Aécio.
Nos bastidores, porém, há resistência. Interlocutores ouvidos pela Itatiaia afirmaram ser impossível — ou até inadmissível — a hipótese de Aécio no mesmo palanque. Procurada, a presidente do diretório mineiro do PT, deputada estadual Leninha, disse que uma construção de chapa com a presença do tucano “não foi tratada” e avaliou que não há “ambiente favorável”.
Entre os entraves citados por lideranças petistas, está a articulação de Aécio com o ex-presidente Michel Temer (MDB) no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), apontada como obstáculo para qualquer diálogo.
Nas redes sociais, o deputado federal mineiro Rogério Correia (PT) fez críticas e rechaçou a possibilidade de aproximação, citando a atuação de Aécio no impeachment e atacando o tucano em tom duro.
O noticiário político mineiro já registrou outras combinações eleitorais que misturaram campos diferentes. Em 2010, ocorreu o chamado “Dilmasia”, quando eleitores votaram em Dilma Rousseff (PT) para a Presidência e em Antônio Anastasia (então no PSDB) para o governo estadual.
Dois anos antes, em 2008, aconteceu um acordo considerado um dos mais surpreendentes das últimas décadas: o então governador Aécio Neves e o então prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), se uniram e apoiaram Marcio Lacerda (então no PSB) para a Prefeitura. A coligação incluía oficialmente o PT, mas não o PSDB; ainda assim, Aécio e Pimentel fizeram campanha juntos por Lacerda em atos públicos e no horário eleitoral de rádio e TV.