Mateus Simões anuncia pagamento de R$ 103 milhões do Propag e chama União de “agiota federal”
Governador de Minas diz ter quitado a 4ª parcela do programa, mas boletim do Tesouro Estadual indica aumento do saldo da dívida no início de 2026
16/04/2026 às 07:40por Redação Plox
16/04/2026 às 07:40
— por Redação Plox
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O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), voltou a criticar o governo federal ao anunciar, nesta quarta-feira (15/4), o pagamento de cerca de R$ 103 milhões referentes à quarta parcela do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
Em uma publicação na rede social X, Simões chamou a União de “agiota federal” ao informar o repasse.
Tá pago: mais uma parcela depositada na conta do 'agiota federal'
Mateus Simões
Adesão ao Propag e condições de refinanciamento
Minas Gerais aderiu ao esquema de renegociação da dívida pública em dezembro de 2025, quando confessou um débito de R$ 179,3 bilhões, valor referente ao início daquele mês. A entrada no programa permitiu o refinanciamento em 30 anos e a revisão de encargos, com correção pelo IPCA acrescido de 0% de juros reais ao ano — antes do Propag, a dívida era corrigida por IPCA + 4%.
Divulgação | Governo de Minas Gerais.
Pagamentos feitos e evolução do saldo devedor
Desde a adesão ao Propag, o Estado já pagou R$ 408,6 milhões em parcelas. Ainda assim, o débito com a União segue em alta, segundo o boletim da dívida pública divulgado pelo Tesouro Estadual.
De acordo com o documento, Minas encerrou 2025 devendo R$ 182,1 bilhões à União. Já o boletim mais recente, divulgado em fevereiro de 2026, aponta um acréscimo de R$ 1 bilhão, levando o total a R$ 183,1 bilhões.
Dívida pública como tema central na gestão anterior
A dívida pública mineira foi um dos temas mais delicados durante a gestão de Romeu Zema (Novo), antecessor de Mateus Simões, que comandou o Estado de 2019 a março de 2026. No período, o débito passou de R$ 114,7 bilhões para mais de R$ 183 bilhões.
Zema chegou a ficar um longo período sem pagar os serviços da dívida com a União graças a liminares concedidas pelo Supremo Tribunal Federal durante o governo Fernando Pimentel (PT), entre 2018 e 2019, e prorrogadas ao longo de sua administração.
O ex-governador, no entanto, sustentava que não havia contratado nenhuma nova operação de crédito e que, por isso, não seria o responsável pela elevação do saldo. Para explicar a escalada, apontava encargos elevados nos contratos de refinanciamento com a União e o acúmulo de prestações suspensas por decisões judiciais entre 2018 e 2022.