Contas de MC Ryan e Chrys Dias saem do ar após prisão em operação da PF
Investigação apura esquema de lavagem de dinheiro de R$ 1,6 bilhão ligado a bets ilegais; Meta não informou se remoção ocorreu por ordem judicial
16/04/2026 às 09:41por Redação Plox
16/04/2026 às 09:41
— por Redação Plox
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O artista MC Ryan e o influenciador Chrys Dias, presos na quarta-feira (15) em uma operação da Polícia Federal que apura um esquema de lavagem de dinheiro de R$ 1,6 bilhão envolvendo bets ilegais, tiveram as contas do Instagram retiradas do ar.
MC Ryan, apontado como o artista mais ouvido do Brasil no Spotify, reunia mais de 15 milhões de seguidores. Chrys Dias somava mais de 14 milhões. Os dois eram associados ao estilo ostentação e à exibição de uma vida de luxo, com destaque para carros esportivos.
Chys Dias também ganhou visibilidade com a promoção de rifas e sorteios online de bens de alto valor, como veículos e imóveis. Segundo a investigação, uma das estratégias do grupo para lavar dinheiro era a contratação de influenciadores para divulgar plataformas de apostas.
O funkeiro e o influenciador reuniam mais de 14 milhões de seguidores na rede social em cada perfil. Ambos eram conhecidos pelo estilo ostentação e pela exibição de uma vida de luxo.
Foto: Reprodução / Redes sociais.
Perfis fora do ar
Ao tentar acessar os perfis dos dois nesta quinta-feira (16), usuários passaram a ver a mensagem: “infelizmente, esta página não está disponível”
Como funcionava o esquema investigado pela PF
Em coletiva de imprensa, o delegado Marcelo Maceira afirmou que o dinheiro movimentado pelo grupo teria origem em apostas em bets ilegais, rifas digitais clandestinas e tráfico internacional de drogas. De acordo com as investigações, o esquema começava com a captação de valores por meio de plataformas de apostas não regulamentadas e rifas ilegais, que arrecadavam dinheiro de milhares de pessoas.
Na sequência, os recursos eram pulverizados em diversas contas bancárias para dificultar o rastreamento. Depois de arrecadado, o dinheiro passava por uma rede estruturada de operadores financeiros, empresas e intermediários responsáveis por centralizar e redistribuir os valores, segundo a investigação.
A decisão judicial descreve um sistema com funções definidas, incluindo responsáveis por captação, armazenamento, circulação e reinserção dos recursos no sistema financeiro formal.
Dentro desse esquema, eles usavam algumas processadoras de pagamento para circular um montante relevante de dinheiro. Através delas, conseguiram partir para as fases finais de lavagem que era a descentralização desses recursos, a utilização de laranjas para que esse dinheiro não chamasse a atenção de autoridades e ficasse mais difícil fazer o rastreio disso
Delegado Marcelo Maceira
Fragmentação, criptomoedas e uso de “laranjas”
Para esconder a origem ilícita, o grupo teria usado práticas típicas de lavagem de dinheiro, como o fracionamento de transferências — conhecido como “smurfing” —, além do uso de criptomoedas e movimentações entre empresas e contas de terceiros.
Também foram identificados indícios do uso de “laranjas” e da transferência de bens e empresas para familiares ou pessoas interpostas, conforme a investigação, como forma de dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários.
Empresas, influência digital e imagem pública
Um dos pontos centrais do esquema, segundo a apuração, foi o uso de empresas ligadas ao setor artístico e de entretenimento para dar aparência legal ao dinheiro. Os valores ilícitos teriam sido usados para custear despesas da carreira artística de alguns investigados pela PF, incluindo cachê de shows.
Influenciadores e páginas de grande alcance nas redes sociais também eram contratados para divulgar plataformas de apostas e rifas, o que, segundo a investigação, ajudava tanto na entrada de novos recursos quanto na legitimação das operações.
Entre os alvos da operação está Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, conhecida por publicações de fofoca e entretenimento.
Patrimônio milionário e ostentação
Após as etapas descritas pela investigação, influenciadores e artistas investigados acumularam patrimônios milionários por meio da compra de imóveis, veículos de luxo, joias e outros bens de alto valor. Segundo a Polícia Federal, essa é a fase final da lavagem, quando os recursos passam a aparentar origem legal e podem ser utilizados sem levantar suspeitas imediatas.
As investigações continuam, e os envolvidos poderão responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Operação Narco Fluxo
Batizada de Operação Narco Fluxo, a ação é um desdobramento da Operação Narco Bet, deflagrada no ano passado. No total, foram cumpridos 33 de 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Goiás, além do Distrito Federal.
Os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo estão entre os presos. Na operação, foram apreendidos veículos, valores em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos. Policiais também encontraram armas e um colar com a imagem do narcotraficante colombiano Pablo Escobar dentro de um mapa do estado de São Paulo.
O que dizem as defesas
A defesa técnica de MC Ryan informou que, até o momento, não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo e, por isso, disse estar impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos. Afirmou ainda a “absoluta integridade” do artista, além da “lisura” das transações financeiras, e declarou que todos os valores que transitam por suas contas teriam origem comprovada, com recolhimento regular de tributos.
No caso de MC Poze do Rodo, a defesa de Marlon Brandon afirmou desconhecer os autos ou o teor do mandado de prisão e que, após ter acesso ao material, se manifestará na Justiça para restabelecer a liberdade e prestar esclarecimentos ao Poder Judiciário.