Documentos sobre filme de Bolsonaro elevam desgaste de Flávio e Eduardo na crise do Banco Master

Segundo o The Intercept Brasil, áudios e mensagens citam repasses para “Dark Horse”; PF apura destino dos valores e versões divergem.

16/05/2026 às 09:23 por Redação Plox

A crise em torno do Banco Master ganhou novo desgaste político para Flávio e Eduardo Bolsonaro após a divulgação de documentos, mensagens e áudios sobre a captação de recursos para o filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Segundo o The Intercept Brasil, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria se comprometido a repassar US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época, para financiar a produção; ao menos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões, teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025.

As trapalhadas dos irmãos Bolsonaro durante as novas fases da crise do Master

As trapalhadas dos irmãos Bolsonaro durante as novas fases da crise do Master

Foto: crédito: Foto: Reprodução/Instagram


O ponto que ampliou a pressão

O ponto que ampliou a pressão sobre Flávio foi a mudança de versão. O senador havia negado vínculo relevante com Vorcaro, mas, depois da divulgação dos registros, admitiu ter procurado o banqueiro para buscar patrocínio privado para o filme. Em entrevistas, Flávio negou irregularidades, disse que não ofereceu vantagens em troca do apoio financeiro e afirmou que os contatos tratavam apenas da produção cinematográfica.

A justificativa apresentada pelo senador foi a existência de cláusulas de confidencialidade envolvendo o projeto e investidores privados. Flávio também reconheceu que poderiam surgir novos registros de encontros ou conversas com Vorcaro, mas sustentou que a relação não passou da tentativa de viabilizar financeiramente a obra sobre seu pai.

Eduardo Bolsonaro também passou a ser citado

Eduardo Bolsonaro também passou a ser citado com mais força depois que o Intercept divulgou um contrato de produção do filme. O documento, assinado digitalmente em janeiro de 2024, aponta Eduardo e o deputado federal Mário Frias como produtores-executivos ao lado da empresa GoUp Entertainment, com atribuições ligadas ao orçamento, à captação e à estrutura financeira do projeto.

Após a publicação, Eduardo afirmou em vídeo que investiu cerca de R$ 350 mil de recursos próprios na fase inicial do filme e que, por assumir esse risco financeiro, recebeu a condição de diretor-executivo. Ele negou ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro ou de fundo de investimento ligado ao projeto, e disse que deixou essa função quando a produção passou a outra estrutura de financiamento.

A produtora GoUp Entertainment afirmou que não recebeu recursos do Banco Master ou de empresas de Daniel Vorcaro. Já Mário Frias também negou dinheiro diretamente de Vorcaro, mas, segundo a CNN Brasil, posteriormente reconheceu relação jurídica com a Entre Investimentos e Participações, empresa apontada como ligada a negócios do banqueiro. O caso segue cercado por versões divergentes sobre a origem, o caminho e o destino dos valores citados nas reportagens.

A Polícia Federal apura

A Polícia Federal apura se os recursos atribuídos ao projeto foram efetivamente destinados ao filme ou se a produção pode ter sido usada para encobrir repasses. Até o momento, Flávio e Eduardo Bolsonaro negam irregularidades, enquanto as revelações seguem produzindo impacto político em meio à crise do Banco Master.

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