Acordo Mercosul-União Europeia deve baratear importados e impulsionar exportações brasileiras

Tratado reduz ou elimina tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral, amplia competitividade do agronegócio e pode elevar PIB do Brasil em 0,46% até 2040, segundo Ipea

17/01/2026 às 07:34 por Redação Plox

A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, prevista para este sábado (17) após mais de 25 anos de negociações, deve mudar de forma significativa o fluxo de mercadorias entre os dois blocos. No Brasil, os efeitos devem atingir tanto o consumo do dia a dia quanto setores produtivos, como a indústria e o agronegócio.

Entre as mudanças mais visíveis para o consumidor está a maior presença de produtos tradicionais da União Europeia nas prateleiras brasileiras. Além de uma possível redução nos preços de vinhos, azeites, queijos e lácteos, a expectativa é que marcas premium de chocolates e outros itens de supermercados passem a chegar ao país em maior volume.


Acordo UE-Mercosul é celebrado por presidente da Comissão Europeia e presidentes do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai

Acordo UE-Mercosul é celebrado por presidente da Comissão Europeia e presidentes do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai

Foto: Imagem: TV Globo

O acordo prevê a redução ou a eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que hoje incidem sobre mais de 90% do comércio total entre os blocos. O texto também estabelece regras comuns para áreas como bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.

No caso dos vinhos, a União Europeia concentra alguns dos principais produtores do mundo, como Itália, França e Espanha — o que permite encontrar rótulos de boa qualidade a preços baixos na região. Com a redução gradual das tarifas, a expectativa é de que o consumidor brasileiro tenha acesso ampliado a esse mercado, com preços mais competitivos.

Dinâmica semelhante deve ocorrer com outros produtos europeus. Carros importados da UE, que hoje pagam 35% de imposto de importação, devem ter essa alíquota zerada em até 15 anos, favorecendo o barateamento desses veículos no mercado nacional.

Medicamentos e produtos farmacêuticos — inclusive de uso veterinário —, que já são os principais itens importados da União Europeia pelo Brasil, respondendo por mais de 8% do total, também tendem a sentir os efeitos do tratado.

A redução de preços, porém, deve ser gradual, sobretudo em itens complexos como automóveis, que dependem de uma cadeia global de componentes e insumos, incluindo produtos vindos da China.

Impactos na produção interna e nas exportações

Os efeitos do acordo não se limitam ao consumo final. Eles se estendem também aos insumos utilizados pela indústria brasileira e abrem espaço para que mais produtos nacionais cheguem ao mercado europeu.

Com acesso facilitado a tecnologias europeias mais baratas, empresas brasileiras podem reduzir custos e ampliar investimentos em modernização. No campo, a perspectiva é de queda nas despesas com máquinas, equipamentos, fertilizantes e implementos agrícolas, o que pode elevar a competitividade do agronegócio.

Do lado das exportações, o tratado deve favorecer o aumento das vendas brasileiras de calçados, frutas e outros produtos agrícolas para a União Europeia. Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), o acordo cria uma rede de comércio avaliada em US$ 22 trilhões (R$ 118,4 trilhões), com potencial de acrescentar US$ 7 bilhões (R$ 37,7 bilhões) às exportações brasileiras.

Calçados produzidos no Mercosul, hoje sujeitos a tarifas de 3% a 7% na União Europeia, devem ter esses impostos zerados em até quatro anos. Em alguns casos, como o da uva, a taxação de 14% será eliminada assim que o acordo entrar em vigor.

No ano passado, as exportações do Brasil para o bloco europeu já estavam em alta e somaram US$ 49,8 bilhões (R$ 267,9 bilhões). Ainda assim, a balança comercial permanece mais favorável à União Europeia, que vendeu ao Brasil US$ 50,3 bilhões (R$ 270,6 bilhões) no mesmo período.

Como funciona o acordo Mercosul-União Europeia

O tratado tem como objetivo facilitar as trocas comerciais entre os 27 países da União Europeia e os quatro integrantes do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Para isso, reduz tarifas alfandegárias tanto sobre produtos europeus vendidos no Brasil quanto sobre bens do Mercosul destinados ao mercado europeu.

O acordo abrange um mercado de 720 milhões de consumidores — 450 milhões na Europa e 270 milhões na América do Sul —, o equivalente a cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) global.

Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontam que o Brasil tende a ser o principal beneficiado. Até 2040, a assinatura pode elevar o PIB brasileiro em 0,46%, crescimento superior ao projetado para a União Europeia e para os demais países do Mercosul.

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