PGR vê indícios de desvio bilionário no Banco Master em benefício de controladores
Procuradoria-Geral da República aponta esquema de gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro com uso de fundos de investimento e empresas de fachada; Toffoli centraliza apuração no STF e autoriza bloqueio de bens
17/01/2026 às 08:49por Redação Plox
17/01/2026 às 08:49
— por Redação Plox
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A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que há indícios consistentes de que o Banco Master se valeu de vulnerabilidades do mercado de capitais e de falhas na regulação e fiscalização para desviar bilhões de reais em benefício de seus controladores, em especial o empresário Daniel Vorcaro e pessoas ligadas a ele.
Em manifestação encaminhada ao ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, o procurador-geral descreveu um esquema estruturado de gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. Segundo a PGR, as irregularidades teriam sido executadas por meio de fundos de investimento e empresas de fachada, muitas delas registradas em nome de interpostas pessoas, os chamados “laranjas”.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet
Foto: Fellipe Sampaio/STF
Parecer da PGR se apoia em investigação da Polícia Federal
De acordo com a investigação da Polícia Federal, acolhida pela PGR, o Banco Master captava recursos no mercado por meio da emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e destinava esses valores a fundos dos quais o próprio banco era cotista único. Esses fundos, então, adquiriam títulos e direitos creditórios de empresas vinculadas a sócios da instituição financeira ou a pessoas próximas, sem respaldo econômico efetivo.
Relatórios policiais apontam que, de mais de R$ 3,5 bilhões aplicados pelo Banco Master nesses fundos, cerca de R$ 1,8 bilhão foi usado para comprar títulos emitidos por empresas ligadas ao grupo controlador. Com a consolidação das operações investigadas, o montante total sob suspeita chega a R$ 5,77 bilhões.
Empresa de fachada e uso de “laranjas”
Um dos episódios citados envolve a Clínica Mais Médicos S.A., que teria emitido mais de R$ 361 milhões em notas comerciais sem qualquer garantia. Segundo a PF, a empresa tinha capital social zerado e faturamento anual inferior a R$ 60 mil. A presidente da companhia, de acordo com a investigação, recebia auxílio emergencial durante a pandemia e atuava como interposta pessoa.
Para a PGR, os elementos reunidos até o momento indicam a atuação de uma organização criminosa voltada à gestão fraudulenta de instituição financeira, indução de investidores em erro, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
Operações com empresas ligadas ao grupo
As apurações também identificaram operações envolvendo outras empresas e fundos associados ao grupo, como a Reag DTVM e a Astralo 95. Essas estruturas teriam sido usadas para transferir recursos do Banco Master para empresas controladas por familiares de dirigentes da instituição financeira.
PGR rejeita prisão de Vorcaro, mas defende medidas cautelares
Embora a Polícia Federal tenha pedido a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, a PGR se manifestou contra a medida. O órgão considerou que o empresário já está submetido a medidas cautelares em outro processo — como uso de tornozeleira eletrônica e proibição de atuar no mercado financeiro — e avaliou que, neste momento, não há elementos suficientes para justificar uma nova ordem de prisão.
Toffoli centraliza apuração no STF e determina quebras de sigilo
Ao analisar o caso, o ministro Dias Toffoli decidiu concentrar a investigação no Supremo Tribunal Federal, diante de indícios de participação de autoridades com foro por prerrogativa de função. O magistrado autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de mais de cem pessoas físicas e jurídicas, além do bloqueio de bens nos valores apontados pela Polícia Federal.
Na decisão, Toffoli ressaltou que os documentos já reunidos indicam um uso sistemático de fragilidades do mercado de capitais, o que, segundo ele, justifica a adoção de medidas cautelares para garantir o andamento das investigações.
As diligências seguem sob supervisão do Supremo Tribunal Federal. A defesa de Daniel Vorcaro foi procurada pela reportagem, mas informou que não irá se manifestar sobre o caso por enquanto.