Chefe do PCC e namorado de delegada ensinava técnicas de tortura a jovens da facção
Layla Lima Ayub foi detida em operação do Ministério Público que apura infiltração do PCC no Estado; namorado da delegada, apontado como chefe do tráfico em Roraima, também teve prisão decretada
17/01/2026 às 08:11por Redação Plox
17/01/2026 às 08:11
— por Redação Plox
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Namorado da delegada Layla Lima Ayub, presa em São Paulo sob suspeita de advogar para o Primeiro Comando da Capital (PCC), Jardel Neto Pereira da Cruz, de 28 anos, ensinava técnicas de tortura a jovens da facção em Roraima.
Um vídeo publicado nas redes sociais mostra Jardel, conhecido como “Dedel”, orientando jovens sobre como bater nas mãos de uma vítima com um pedaço de madeira durante uma sessão de tortura. A gravação foi divulgada com a legenda Aqui o chicote estala.
A delegada Layla Lima Ayub e o namorado Jardel Neto Pereira da Cruz, apontado como um dos chefes do PCC em Roraima.
Foto: Reprodução/Redes sociais
Jardel foi preso em flagrante em Roraima em 2021, durante uma operação da Polícia Federal, por recrutar adolescentes para uma facção criminosa. A investigação apontou que ele publicava fotos em redes sociais fazendo um gesto com três dedos, em referência ao PCC. Atualmente, está em liberdade.
Atuação em Roraima e condenação
Após a prisão, Jardel deu entrada na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), o maior presídio de Roraima. Em 2022, foi julgado e condenado a oito anos de prisão em regime semiaberto.
Ele recebeu o benefício da saída temporária em maio de 2023. Em outubro do mesmo ano, não retornou à Pamc e, em dezembro, acabou preso no município de Marabá, no Pará.
Relatórios de inteligência da época indicavam que “Dedel” atuava em bairros da zona Oeste de Boa Vista e frequentava o Conjunto Habitacional Vila Jardim. As apurações apontaram que ele se apresentava como representante da facção paulista e exigia dos chefes locais ações mais violentas, incluindo a articulação de ataques contra autoridades do Judiciário, do sistema prisional e das forças de segurança.
Apologia ao PCC nas redes sociais
Natural de Santa Inês, no Maranhão, Jardel passou a ser monitorado pela PF em 2021 por publicações nas redes sociais. Segundo o inquérito, ele divulgava fotos fazendo o gesto conhecido como “Tudo 3”, em apologia ao PCC, e exibia no corpo uma tatuagem do símbolo “yin e yang”, também associado à facção.
O estatuto/regulamento do PCC onde consta em seu item 2: 'Lutar sempre pela paz, justiça, liberdade, igualdade e união, visando sempre o crescimento da organização, respeitando sempre a ética do crime
— trecho de documento citado no inquérito de 2021 da PF
Nas legendas das fotos, Jardel costumava usar frases reflexivas, quase sempre acompanhadas de emojis de palhaço. Em uma delas, escreveu: Penso Como Um Assassino Vivo Como Um Psicopata Executo As Minha Ações Como Um Bom Calculista Que Sou, E Depois Apenas Relaxo E Vejo Sangue Escorrendo Entre Os Dedos Forte Leal Abraço.
A PF destacou, no inquérito, que a expressão Forte Leal Abraço é um termo de tratamento utilizado entre integrantes do PCC.
Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como “Dedel”, foi preso em flagrante em 2021
Foto: Arquivo
Prisão da delegada em São Paulo
A delegada Layla Lima Ayub foi presa em uma operação do Ministério Público de São Paulo que investiga a infiltração do crime organizado em estruturas do Estado. Ela é apontada como tendo mantido vínculos pessoais e profissionais com integrantes do PCC.
De acordo com a investigação, Layla teria exercido irregularmente a advocacia mesmo após tomar posse como delegada, em dezembro de 2025. O Ministério Público apura a atuação dela e de Jardel pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A Justiça decretou a prisão temporária do casal e autorizou mandados de busca e apreensão em endereços de São Paulo e do Pará. Em sua cerimônia de posse no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, Jardel apareceu ao lado da delegada. Autoridades da Região Norte o apontam como um dos chefes do tráfico de armas e drogas ligado ao PCC em Roraima.
Lavagem de dinheiro e uso de “laranja”
As investigações também apuram a compra de uma padaria na zona Leste de São Paulo com recursos de origem ilícita, supostamente registrada em nome de um “laranja” para ocultar a real propriedade do negócio.