Aliados avaliam que viagem de Lula pode esfriar polêmica do carnaval

Giro por Índia e Coreia do Sul, entre 17 e 24 de fevereiro, é visto por aliados como forma de reduzir o desgaste após homenagem na Sapucaí, enquanto adversários apontam possível uso político em ano eleitoral

17/02/2026 às 07:30 por Redação Plox

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que a viagem à Índia e à Coreia do Sul, prevista para ocorrer entre 17 e 24 de fevereiro, deve abrir uma janela para “esfriar” a polêmica do Carnaval após a homenagem da Acadêmicos de Niterói na Sapucaí. A expectativa no entorno do Planalto é que a agenda internacional, centrada em temas como minerais críticos, terras raras e segurança no uso de inteligência artificial, ajude a deslocar o foco do debate político, ao menos no curto prazo.

Foto: Foto: Ricardo Stuckert/PR


Desfile no Rio acendeu disputa política em ano eleitoral

A controvérsia ganhou corpo depois do desfile da Acadêmicos de Niterói, que levou para a avenida um enredo centrado na trajetória de Lula. O fato de a homenagem ocorrer em ano eleitoral deu combustível à repercussão, com adversários apontando possível promoção antecipada de candidatura e uso político de um evento cultural.

Segundo coluna da Rádio Itatiaia, aliados do presidente apostam que a ida à Índia e à Coreia do Sul, entre 17 e 24 de fevereiro, pode ajudar a reduzir a temperatura do assunto, enquanto a oposição promete manter o tema em evidência e buscar espaço para críticas mesmo em discussões de outras pautas no Congresso.

Na imprensa internacional, a Associated Press registrou que críticos enxergaram risco de questionamentos legais e políticos ligados à homenagem e à presença de autoridades, enquanto a escola de samba defendeu o caráter cultural do tributo. Já o The Guardian destacou o ineditismo de uma homenagem dessa dimensão a um presidente em exercício no Carnaval, o que ampliou o debate sobre a possível conotação eleitoral do desfile.

Viagem é vista como oportunidade para mudar o foco

Até agora, não há, nesta apuração, um posicionamento oficial único e consolidado do Palácio do Planalto ou da Presidência sobre a ideia de usar a viagem para “esfriar” a polêmica. A interpretação aparece como leitura de bastidores divulgada por colunista, e não como estratégia assumida publicamente.

O que está descrito de forma oficial na fonte principal é que, durante a missão internacional, Lula deve tratar de minerais críticos e terras raras, além de segurança no uso de inteligência artificial. Na volta ao Brasil, o governo pretende priorizar debates como a escala 6x1 e a PEC da Segurança no Congresso, temas considerados pela base governista como capazes de dominar o noticiário e reduzir o espaço da controvérsia em torno do Carnaval.

Nesse contexto, aliados veem a viagem como peça central de uma tentativa de “virada de pauta”, em que a agenda externa e, depois, projetos prioritários no Legislativo passariam a ocupar o centro da disputa política.

Governo aposta em virada de pauta; oposição quer manter desgaste

No Planalto e no Congresso, a tendência é investir nessa mudança de eixo, reforçando compromissos internacionais e, em seguida, a tramitação de propostas como a escala 6x1 e a PEC da Segurança. A avaliação de aliados é que a sucessão de temas econômicos, trabalhistas e de segurança pública pode reduzir a visibilidade da discussão sobre o desfile.

Na oposição, o movimento apontado é o oposto. A estratégia deve ser manter a polêmica em circulação, conectando o desfile da Acadêmicos de Niterói a debates sobre segurança pública e financiamento do Carnaval, como já foi sinalizado na coluna da Rádio Itatiaia. A ideia é aproveitar qualquer brecha, inclusive em discussões de outras pautas, para ressuscitar o episódio e prolongar o desgaste político.

No ambiente eleitoral, a homenagem tende a seguir como matéria-prima para narrativas opostas: para apoiadores, expressão cultural da trajetória de Lula; para críticos, um sinal de antecipação de campanha que pode alimentar questionamentos jurídicos e políticos, como registrado nas reportagens internacionais.

O que observar nos próximos dias

Aliados e adversários devem acompanhar de perto a agenda oficial e os anúncios concretos decorrentes da viagem entre 17 e 24 de fevereiro, para medir se o noticiário de fato muda de rumo. Também está no radar a possibilidade de partidos e atores da oposição formalizarem representações ou pedidos de apuração em instâncias eleitorais e de controle, ponto citado em coberturas internacionais.

Na volta ao Brasil, a atenção se volta para o comportamento da base governista no Congresso. O desempenho da articulação em torno da escala 6x1 e da PEC da Segurança será um termômetro importante para saber se esses temas conseguirão, como projetam aliados, ocupar o centro do debate político e deixar em segundo plano a polêmica do Carnaval.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a