PF faz operação contra consultas ilegais a dados fiscais de ministros do STF
Ação determinada pelo Supremo apura acessos sem autorização em sistemas da Receita, com suspeita de quebra de sigilo envolvendo familiares de integrantes da Corte
17/02/2026 às 11:52por Redação Plox
17/02/2026 às 11:52
— por Redação Plox
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Uma operação deflagrada nesta terça-feira (17/2) pela Polícia Federal, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), investiga consultas irregulares a dados fiscais de ministros da Corte e de seus familiares. Entre os episódios apurados está a suposta quebra do sigilo fiscal de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Escritório onde trabalha Viviane Brci de Moraes foi contratado pelo Banco Master
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Servidores do Serpro são alvo da investigação
De acordo com as investigações, o acesso sem autorização aos dados da advogada Viviane Barci teria sido feito por servidores do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), empresa pública de tecnologia cedida à Receita Federal. As informações foram divulgadas pelo site Metrópoles.
Além da advogada, a declaração de Imposto de Renda do filho de outro ministro também teria sido consultada sem ordem judicial. O caso, que tramita sob segredo de Justiça, ocorre na esteira das polêmicas envolvendo o chamado caso Master.
Rastreamento de acessos na Receita Federal
No início do ano, Alexandre de Moraes determinou a verificação de consultas realizadas nos sistemas da Receita Federal. O ministro pediu o rastreamento de acessos envolvendo integrantes do STF e seus familiares, incluindo cônjuges, filhos, irmãos e ascendentes. O relatório ainda está em elaboração.
O procedimento está vinculado ao inquérito que apura ataques coordenados contra ministros nas redes sociais. A investigação busca esclarecer se os acessos irregulares teriam como objetivo a obtenção de informações para eventual repasse a terceiros.
Mandados em três estados e medidas cautelares
A ação desta terça-feira cumpre quatro mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares determinadas pelo Supremo contra servidores suspeitos de envolvimento no caso. As diligências são realizadas em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
Posicionamento da Receita Federal
Em nota, a Receita Federal afirmou que não tolera desvios de conduta, em especial aqueles relacionados ao sigilo fiscal, considerado um dos pilares do sistema tributário nacional.
O órgão informou que, além das medidas adotadas na operação, já havia instaurado previamente um procedimento investigatório em parceria com a Polícia Federal. Os resultados, segundo o comunicado, poderão ser divulgados oportunamente.
A Receita explicou ainda que, em 12 de janeiro, o Supremo solicitou auditoria em seus sistemas para identificar eventuais acessos indevidos a dados de ministros, familiares e outras pessoas nos últimos três anos. Esse trabalho foi incorporado a um procedimento aberto no dia anterior pela Corregedoria, com base em reportagens publicadas na imprensa.
De acordo com a instituição, a auditoria envolve dezenas de sistemas e contribuintes, segue em andamento e os desvios já identificados foram comunicados preliminarmente ao relator no STF.
Reforço nos controles e punições aplicadas
A Receita ressaltou que seus sistemas são rastreáveis, o que permite identificar, auditar e punir irregularidades, inclusive na esfera criminal. Desde 2023, os controles de acesso foram reforçados, com restrição de perfis e ampliação de alertas.
No período, sete processos disciplinares foram concluídos, resultando em três demissões e na aplicação de outras sanções nos demais casos. Segundo o órgão, o mesmo rigor será mantido nas apurações em curso.