Defesa de Lulinha evita negar viagem a Portugal com ‘Careca do INSS’ e apuração chega à PF

Relatos apontam que Antônio Carlos Camilo Antunes, investigado por fraudes ligadas ao INSS, teria pago passagem e hospedagem em deslocamento no fim de 2024; caso é explorado na CPMI do INSS

17/03/2026 às 11:47 por Redação Plox

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, evitou negar publicamente que o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, citado em reportagens como “Careca do INSS” e alvo de investigações por fraudes e irregularidades ligadas ao instituto, tenha arcado com passagem e hospedagem em uma viagem a Portugal no fim de 2024. A postura dos advogados, que não confirmam nem desmentem o custeio da viagem, alimenta a pressão política em torno do caso, enquanto aliados de Lulinha afirmam que não há vínculo com o esquema sob apuração.

Fábio Luís Lula da Silva, mais conhecido como Lulinha

Fábio Luís Lula da Silva, mais conhecido como Lulinha

Foto: Redes sociais


Viagem a Portugal entra no foco da CPMI

Reportagens divulgadas no início de março de 2026 apontaram que a Polícia Federal reuniu documentos sobre um voo internacional em que Lulinha e Antônio Carlos Camilo Antunes teriam viajado no mesmo avião, em trecho entre Guarulhos (SP) e Lisboa (Portugal), em data mencionada como novembro de 2024. A partir dessas informações, o episódio ganhou fôlego político e passou a ser citado em discursos e articulações dentro da CPMI do INSS.

O noticiário descreveu o caso de formas distintas. Parte das publicações tratou o episódio apenas como uma “viagem no mesmo voo”. Outras relatam que Lulinha teria confirmado, a interlocutores, que despesas da viagem foram pagas por Antunes. Também houve registro de que o filho do presidente teria ido a Portugal para conhecer um empreendimento ligado ao setor de cannabis medicinal, informação atribuída a reportagem do R7.

Nesse contexto, a presença conjunta de Lulinha e do investigado conhecido como “Careca do INSS” em um deslocamento internacional passou a ser explorada como possível indício de proximidade, tornando-se um ponto de partida para pedidos de novas diligências e quebras de sigilo.

Defesa evita negar custeio da viagem

Segundo o Poder360, a defesa de Lulinha não confirmou nem negou se passagem e estadia em Portugal foram pagas por Antônio Carlos Camilo Antunes, mesmo após a repercussão das reportagens que vinculam a viagem ao chamado “Careca do INSS”. Na prática, a estratégia dos advogados mantém em aberto o ponto mais sensível do episódio: quem financiou exatamente a ida de Lulinha a Lisboa.

Em outra frente, o R7 informou que Lulinha teria declarado, por meio de nota, a intenção de colaborar com a Polícia Federal e de prestar esclarecimentos ao STF, indicado como “foro adequado” para a apuração. A manifestação é usada por interlocutores do petista para argumentar que não há resistência em responder às suspeitas, ainda que detalhes da viagem permaneçam sob questionamento.

Repercussão no Congresso e no debate público

No Congresso, o caso foi incorporado ao discurso de parlamentares que defendem o aprofundamento das investigações sobre fraudes no INSS. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) citou a viagem em pronunciamento e cobrou mais diligências relacionadas ao escândalo, mencionando suspeitas e conexões empresariais atribuídas ao investigado apelidado de “Careca do INSS”, em registro da Agência Senado.

A oposição passou a usar o episódio da viagem como fato político para pressionar por transparência e responsabilização, sobretudo em razão da presença de um filho do presidente em meio a um inquérito de grande repercussão. Já a base governista tende a reagir questionando a existência de “justa causa” para medidas mais invasivas, como quebras de sigilo, e apontando risco de exploração política do caso dentro da CPMI.

Informações ainda sob apuração

Até o momento, boa parte do que circula publicamente sobre a viagem está sustentada em reportagens que citam documentos e relatos atribuídos à Polícia Federal, além de declarações colhidas no âmbito da CPMI. Como não houve divulgação integral desses documentos ao público, detalhes cruciais — como quem pagou exatamente o quê, valores e condições do deslocamento e da hospedagem — permanecem em campo de apuração.

Por isso, a narrativa em torno da viagem a Portugal ainda é marcada por versões divergentes: enquanto críticos destacam a possível ligação financeira entre Lulinha e o “Careca do INSS”, aliados insistem que a coincidência de voo ou a visita a um empreendimento em Portugal não configuram, por si só, prova de envolvimento no esquema.

CPMI e desdobramentos institucionais

Na CPMI do INSS, a tendência é que o caso sirva de gatilho para novos requerimentos de convocações, oitivas e pedidos de acesso a registros de viagem e a eventuais vínculos empresariais mencionados em depoimentos e reportagens. A presença simultânea de um investigado central e do filho do presidente em um voo internacional é vista por integrantes da comissão como argumento para ampliar o escopo das diligências.

No campo jurídico, a defesa de Lulinha pode apresentar manifestações formais à Polícia Federal e ao STF, na tentativa de delimitar o alcance das suspeitas e contestar interpretações que associem diretamente a viagem às fraudes investigadas. Esse movimento tende a abrir disputa sobre competência, acesso aos autos e limites para divulgação de informações de inquérito.

Ao mesmo tempo, a expectativa é de que novas reportagens detalhem datas, registros de passagens, hospedagem e contexto da viagem a Portugal. Até que esses elementos sejam documentados de forma verificável, o tema segue sob apuração em pontos-chave, com a defesa de Lulinha sob escrutínio por não afastar de forma explícita a hipótese de custeio da viagem pelo “Careca do INSS”.

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