Fachin diz que STF vive crise institucional e admite desgaste com críticas ao Judiciário

Em palestra na FGV, ministro afirmou que o país enfrenta desconfiança institucional e polarização, e que a confiança pública se perde quando há percepção de juiz como agente político

17/04/2026 às 17:32 por Redação Plox

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta sexta-feira (17) que a Corte vive uma crise institucional. A declaração foi feita durante uma palestra na manhã de hoje a alunos da Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo.


Ministro Edson Fachin, afirmou nesta sexta-feira (17) que a Corte vive uma crise institucional.

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil


Segundo Fachin, é necessário admitir o problema e encará-lo de forma direta, diante das críticas relacionadas à atuação do Judiciário. Para ele, ignorar o cenário pode levar à repetição de respostas antigas para desafios atuais, sem resolver as questões de fundo.

Quando falamos em crises, é fundamental reconhecer que efetivamente estamos imersos, em relação à atuação do Judiciário, em uma crise que precisa ser enfrentada, com olhos de ver e ouvidos de ouvir, sob pena de repetirmos, para problemas novos, soluções velhas, que significam relegar os problemas sem resolvê-los

Fachin cita desconfiança institucional e polarização

O ministro também apontou que o país enfrenta um ambiente de “desconfiança institucional” e de “intensa polarização”. Nesse contexto, destacou que a confiança pública se perde quando há percepção de que um juiz atua como agente político.

Tensão interna no STF foi ampliada por tentativa de indiciamento na CPI

De acordo com o relato, a crise interna no STF se intensificou nesta semana após a tentativa do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) de indiciar os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado.

O texto informa que o ambiente já estava abalado por investigações envolvendo o Banco Master.

Investigações citadas envolvem Toffoli e Moraes

Em fevereiro, o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do inquérito que apura fraudes após reconhecer que é sócio do resort Tayayá. O empreendimento, segundo o texto, foi comprado por um fundo de investimentos que pertenceu ao Master e é investigado pela Polícia Federal.

Em março, o ministro Alexandre de Moraes negou ter mantido conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, em 17 de novembro do ano passado. A data coincide com a primeira prisão do empresário, quando ele foi alvo da primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no banco.

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