Ministério da Saúde decide não incluir vacina meningocócica B no SUS para bebês

Decisão publicada no Diário Oficial mantém imunizante fora do calendário infantil; doses seguem disponíveis apenas na rede privada

17/04/2026 às 11:17 por Redação Plox

O Ministério da Saúde decidiu não incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) a vacina contra meningite do tipo B para crianças menores de 1 ano. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (17).

Com isso, o imunizante permanece fora do calendário público infantil, apesar de proteger contra o sorogrupo mais frequente da doença meningocócica no país.


Imunizante protege contra o sorotipo mais comum da doença, mas seguirá restrito à rede privada; custo e impacto no orçamento pesaram na decisão.

Imunizante protege contra o sorotipo mais comum da doença, mas seguirá restrito à rede privada; custo e impacto no orçamento pesaram na decisão.

Foto: Freepik


Imunizante seguirá fora do calendário do SUS

Sem a incorporação, famílias que desejarem imunizar seus filhos contra a meningite B terão de recorrer à rede privada.

Cada dose custa, em média, entre R$ 600 e R$ 750. Como o esquema inclui duas a três aplicações no primeiro ano de vida, além de reforço, o valor total pode ultrapassar R$ 2 mil.

Atualmente, o SUS oferece vacinas contra outros sorogrupos da bactéria, como o tipo C e o ACWY, mas não contempla o tipo B.

Análise considera impacto, logística e custo

A escolha segue recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), que avalia a inclusão de novas vacinas com base em eficácia, segurança, impacto epidemiológico e custo.

Segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a análise vai além da importância da doença em si e envolve fatores como número de casos, gravidade, custo da vacina, capacidade de produção e a logística de distribuição em um país com milhões de nascimentos por ano.

Embora a meningite B seja causada pelo sorogrupo mais prevalente, Kfouri afirma que a doença não é considerada frequente o suficiente para justificar, neste momento, a vacinação universal diante do alto custo do imunizante.

Orçamento limitado força definição de prioridades

O orçamento do Programa Nacional de Imunizações (PNI) é limitado e concorre com outras possíveis incorporações.

De acordo com Kfouri, decisões desse tipo envolvem escolhas entre ampliar a cobertura de vacinas já existentes ou incluir novos imunizantes com impacto potencial menor em termos populacionais. Nesse cenário, o preço atual da vacina contra meningite B aparece como um dos principais entraves para sua adoção no SUS.

Possível uso em situações específicas

Apesar da negativa para uso universal, há avaliação de que a vacina poderia ter espaço em estratégias mais direcionadas, como em pessoas imunossuprimidas ou em contextos de surtos localizados, quando o risco de transmissão e gravidade pode ser maior.

Segundo o infectologista, esse caminho intermediário permitiria ampliar a proteção sem gerar o mesmo impacto orçamentário de uma vacinação em massa.

A portaria prevê que a vacina poderá ser reavaliada pela Conitec caso surjam novas evidências ou mudanças que alterem o cenário atual, como redução de preço ou novos dados de impacto.

Doença rara, mas com evolução rápida

A meningite meningocócica é uma infecção que pode evoluir rapidamente e levar à morte ou deixar sequelas importantes, especialmente em crianças pequenas.

A vacinação é a principal forma de prevenção. No caso do tipo B, porém, o acesso segue limitado a quem pode pagar.

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