Oscar Schmidt morre aos 68 anos em São Paulo
Ídolo do basquete brasileiro passou mal, foi internado às pressas e teve a morte confirmada nesta sexta-feira (17/4); causa não foi divulgada
A busca por um corpo mais forte e definido tem levado cada vez mais pessoas, especialmente jovens, a recorrerem aos esteroides anabolizantes. O que parece um caminho rápido para resultados estéticos pode esconder riscos silenciosos e potencialmente graves para a saúde — e um dos órgãos mais afetados é o coração.
Os esteroides anabolizantes são substâncias que imitam a ação da testosterona, hormônio naturalmente produzido pelo corpo e relacionado ao desenvolvimento muscular, à força e à disposição física. O problema aparece quando essas substâncias passam a ser usadas em doses elevadas e sem indicação médica adequada.
Dr. Renato Lott Bezerra, cardiologista do Hospital Márcio Cunha
Foto: Divulgação
Quando uma pessoa utiliza esse hormônio de forma excessiva, ocorre um efeito desejado que é o aumento da força muscular. A pessoa fica mais ativa, com mais energia. É como se o corpo fosse uma máquina que passa a funcionar com mais potência. No entanto, para que essa máquina funcione mais forte, o motor também precisa trabalhar mais. E o nosso motor é o coração
Dr. Renato Lott Bezerra, cardiologista do Hospital Márcio Cunha
Esse aumento da demanda pode provocar sobrecarga no sistema cardiovascular. Entre os efeitos observados estão o aumento da pressão arterial e alterações estruturais no coração. De acordo com o especialista, pode haver aumento da espessura do músculo cardíaco, deixando o coração maior e mais sobrecarregado. Além disso, o aumento do colesterol, somado a esses fatores, pode contribuir para o entupimento das artérias que levam sangue ao coração.
Problema pode evoluir de forma silenciosa
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As consequências do uso de anabolizantes podem ser graves: infarto, insuficiência cardíaca e até morte são citados entre os riscos associados. Mesmo quando não há desfecho fatal, os danos podem comprometer a qualidade de vida, com sintomas como fraqueza e falta de ar excessiva, afastando o paciente de suas capacidades habituais.
Na prática clínica, casos preocupantes têm sido observados em pessoas jovens e aparentemente saudáveis. O médico relata a presença de muitos jovens utilizando anabolizantes para fins estéticos, muitas vezes em doses maiores e por períodos prolongados. Ele também afirma que, mesmo em doses consideradas baixas e por pouco tempo, já foram observados problemas importantes.
O risco aumenta porque os efeitos negativos podem surgir sem sinais claros no início. Enquanto o usuário percebe aumento de força, energia e bem-estar, o coração pode estar sendo progressivamente prejudicado. Segundo o cardiologista, quando surgem sintomas como falta de ar, dor no peito ou desmaio, muitas vezes o dano cardíaco já é considerado irreversível.
O especialista explica que existem situações específicas em que a reposição de testosterona pode ser indicada, mas são restritas e exigem avaliação criteriosa. Em homens, a principal condição citada é o hipogonadismo, caracterizado por níveis persistentemente baixos de testosterona associados a sintomas como queda de energia, diminuição da libido, redução de pelos e alterações na função sexual.
Ele ressalta que obesidade e sedentarismo são causas frequentes de testosterona baixa e que, em muitos casos, perder peso e praticar exercícios físicos pode normalizar os níveis hormonais, sem necessidade de exposição aos efeitos danosos da testosterona.
Entre as mulheres, a indicação é ainda mais limitada e pode ser considerada em casos específicos ligados à redução importante da libido após a menopausa, sempre com cautela e acompanhamento rigoroso.
Com a popularização dessas substâncias e a influência das redes sociais, especialistas reforçam a necessidade de informação de qualidade e maior conscientização. O médico aponta um cenário de desinformação, especialmente nas redes, e afirma haver um aumento expressivo do uso de testosterona entre jovens, muitas vezes com base em informações não confiáveis.
Para quem busca saúde e qualidade de vida, a orientação segue sendo a adoção de hábitos comprovados: manter exercício físico regular — incluindo atividades aeróbicas e de resistência —, dormir bem, ter alimentação equilibrada e realizar consultas periódicas para avaliação da pressão, colesterol e outros fatores de risco.
Ao final, o especialista reforça o perigo dos chamados “atalhos”, lembrando que resultado rápido e sensação momentânea de bem-estar não são, necessariamente, sinal de saúde. O alerta é de que os danos podem ser graves e irreversíveis, exigindo cuidado com caminhos fáceis.
O Hospital Márcio Cunha é um hospital geral de alta complexidade com 60 anos de atuação. Possui 558 leitos e três unidades, sendo uma exclusiva para o tratamento oncológico. Atende uma população de mais de 1,6 milhão de habitantes de 87 municípios de Minas Gerais e conta com cerca de 500 médicos em 58 especialidades, com serviços em áreas como ambulatório, pronto-socorro, medicina diagnóstica, ensino e pesquisa, terapia intensiva adulta, pediátrica e neonatal, urgência e emergência, terapia renal substitutiva, alta complexidade cardiovascular e oncologia adulto e infantil.
No último ano, foram cerca de 5.580 partos realizados no HMC, cerca de 35 mil internações, mais de 17 mil cirurgias e mais de 67 mil sessões de hemodiálise. Na unidade de oncologia, foram mais de 18 mil sessões de radioterapia e cerca de 33 mil sessões de quimioterapia.
O HMC foi o primeiro hospital do país a ser acreditado em nível de excelência (ONA III) pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Além disso, é classificado pela revista norte-americana Newsweek, por sete anos consecutivos, entre as melhores unidades hospitalares do Brasil, sendo o 6º em Minas Gerais.