Como organizar as finanças para sobreviver ao aperto de janeiro sem se endividar

Planejador financeiro explica que não é o calendário o vilão do orçamento, mas a falta de organização ao longo do ano, e ensina estratégia em camadas para priorizar gastos e criar um ‘fundo janeiro’

18/01/2026 às 22:23 por Redação Plox

O início do ano costuma ser sinônimo de aperto no orçamento para milhões de brasileiros. Em janeiro, além de compromissos como IPTU e IPVA, famílias precisam arcar com matrícula e material escolar, o que exige planejamento redobrado para equilibrar as contas.

Nesse cenário, o acúmulo de despesas previsíveis se encontra com os gastos elevados do fim de ano. Depois de um respiro temporário proporcionado pelo 13º salário, quem não conseguiu guardar parte da renda extra entra em janeiro com o orçamento mais vulnerável.

Momento para aqueles que não economizaram o 13º salário é de atenção

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Foto: Joédson Alves/Agência Brasil


Pressão no orçamento e risco de endividamento

Para o planejador financeiro e sócio da iHUB Investimentos, Lucas Sharau, o problema não é o calendário, mas a forma como as pessoas organizam – ou deixam de organizar – suas finanças ao longo do ano.

Janeiro apenas evidencia o que já vinha acontecendo ao longo do ano: orçamento apertado, ausência de reserva e pouco controle do fluxo financeiro

Lucas Sharau, planejador financeiro

De acordo com o especialista, a combinação de custos fixos inevitáveis com gastos emocionais compromete a liquidez das famílias, sobretudo quando despesas previsíveis acabam sendo parceladas em prazos longos. Nesses casos, é comum perder o controle do fluxo de caixa e acabar recorrendo a linhas de crédito caras, como o rotativo do cartão.

Estratégia em camadas para os três primeiros meses

Para atravessar o início do ano com mais tranquilidade, Sharau recomenda separar os gastos em três camadas e definir prioridades de corte e de preservação. Em momentos de aperto, ele defende que é essencial proteger o que é indispensável, ajustar o que é importante e eliminar, sem culpa, o que é apenas desejável.

Na camada dos gastos inevitáveis estão impostos como IPTU e IPVA, matrícula e mensalidade escolar, contas essenciais, alimentação básica, saúde e transporte. Essas despesas são previsíveis e pouco flexíveis, por isso devem ser priorizadas e preservadas.

Os gastos importantes reúnem atividades extracurriculares, academia, assinaturas, planos de serviços e lazer recorrente. Eles podem ser reduzidos, renegociados ou temporariamente suspensos em períodos de maior pressão financeira.

Já os gastos ajustáveis envolvem compras por impulso, delivery em excesso, trocas de marca motivadas por status, parcelamentos de itens apenas desejáveis, eletrônicos fora de hora e reformas estéticas. Em um cenário de orçamento apertado, essa é a camada que deve ser cortada por completo, sem peso na consciência.

“Fundo janeiro” e reorganização financeira

Sharau avalia que o início do ano pode ser mais do que um período de contenção: pode marcar uma verdadeira reorganização financeira. O ponto de partida, segundo ele, é mapear o trimestre, listando vencimentos e valores estimados de todas as despesas que se concentram nesse período.

Outra recomendação do especialista é criar um “fundo janeiro” para o ano seguinte. A ideia é diluir, ao longo dos meses anteriores, os custos que sempre se repetem no começo do ano, como impostos e despesas escolares, evitando o acúmulo de cobranças em um único momento.

Para Sharau, não se trata de buscar soluções milagrosas, mas de adotar método, disciplina e foco na proteção do caixa. Quem consegue manter uma reserva, priorizar liquidez e não comprometer o hábito de investir tende a atravessar o trimestre inicial sem se endividar e com mais fôlego para construir patrimônio no longo prazo.

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