Desfile em homenagem a Lula provoca acusações de intolerância religiosa e reações da direita

Parlamentares e aliados criticaram fantasias na Sapucaí, enquanto oposição mira Lula no TSE por suposta propaganda antecipada; PT defende autonomia da escola e liberdade artística

18/02/2026 às 12:32 por Redação Plox

Parlamentares de direita reagiram às fantasias usadas por uma ala da Acadêmicos de Niterói, no desfile deste domingo, que apresentou famílias conservadoras representadas "dentro" de latas de conserva. A ala integra o enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já é alvo de uma ofensiva da oposição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por suposta propaganda eleitoral antecipada.





A tentativa de judicialização mira a possibilidade de tornar Lula inelegível. Paralelamente, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro usaram as redes sociais para responder ao desfile, divulgando imagens de suas próprias famílias “enlatadas”, produzidas com auxílio de inteligência artificial, em tom de ironia à escola de samba.

Ala ‘neoconservadores em conserva’ e reação de bolsonaristas

Denominada “neoconservadores em conserva”, a ala retratou um grupo que, segundo a Acadêmicos de Niterói, vota contra a maioria das pautas defendidas por Lula. As fantasias mostravam um homem, uma mulher e duas crianças associados ao agronegócio, a segmentos evangélicos e a grupos de direita, que defendem bandeiras como flexibilização do porte de armas, exaltação às Forças Armadas e valores tradicionais da família.


Em resposta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que o desfile expôs a fé cristã ao escárnio em nome de uma suposta “cultura travestida de politicagem” e cobrou um posicionamento da Frente Parlamentar Evangélica da Câmara para rebater o que foi apresentado na Marquês de Sapucaí.

A ex-primeira Dama se pronunciou nas redes sociais.

A ex-primeira Dama se pronunciou nas redes sociais.

Foto: Reprodução / Redes sociais.


Outro a se manifestar foi o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que sugeriu que a esquerda “odeia a família conservadora” e disse que os evangélicos deveriam lembrar do desfile nas eleições de outubro deste ano. Em uma publicação, escreveu que a família e a fé são alvos de zombaria, mas que, no período eleitoral, o voto desse eleitorado é disputado.

O Deputado se pronunciou nas redes sociais.

O Deputado se pronunciou nas redes sociais.

Foto: Reprodução / Redes sociais.


Senadores e deputados falam em ataque à fé e preconceito religioso

Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o carnaval merece respeito, mas criticou o que chamou de ataque à fé de milhões de brasileiros. Ele destacou a quantidade de evangélicos, além de católicos e outros cristãos que, segundo ele, trabalham, pagam impostos e sustentam suas famílias, e defendeu que esses grupos merecem respeito, não deboche financiado pelo governo.


O senador Rogério Marinho também reagiu, publicando uma imagem em que aparece com a família dentro de uma lata de conserva para ironizar as fantasias da Acadêmicos de Niterói. Para ele, a postura da escola de samba explicaria por que Lula e o PT teriam “perdido as ruas”, ao zombar da família, descrita por ele como alicerce do país, e se distanciar de quem trabalha, crê em Deus e educa os filhos.


Na mesma linha, o deputado federal Deltan Dallagnol (Novo-PR) escreveu que, embora tentem transformar o tema em piada, quem vive em família conhece o seu valor. Ele afirmou que a família deve ser valorizada e que, se para alguns é fantasia, para outros é fundamento.


O perfil oficial do Partido Liberal (PL) também entrou na disputa de narrativas. Em vídeo produzido com imagens geradas por inteligência artificial, exibindo uma família conservadora “enlatada”, a legenda defendeu que família não é fantasia de carnaval e não se mistura com alegorias de quem vive para desprezar o povo. A publicação acusou a esquerda de zombar das famílias brasileiras e de chamar de “enlatado” aquilo que sustenta milhões de lares: fé e princípios.


O partido publicou pronunciamento nas redes sociais.

O partido publicou pronunciamento nas redes sociais.

Foto: Reprodução / Redes sociais.


Damares, Zema e críticas ao uso de verba pública

Uma das primeiras reações veio da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que divulgou um vídeo logo após o desfile para manifestar repúdio ao que foi apresentado pela Acadêmicos de Niterói. Ela afirmou que uma das alas ridicularizava a igreja evangélica e o agronegócio e considerou inadmissível o uso de verba pública para isso, defendendo que, a partir de agora, é preciso olhar de forma diferente para o presidente Lula e seus ministros, apontados por ela como responsáveis por homologar o desfile.



O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG), também criticou as fantasias, classificando-as como constrangedoras e inaceitáveis. O também pré-candidato à Presidência afirmou que o desfile retratou os evangélicos de forma caricata e acusou a escola de samba de praticar preconceito religioso, ao sustentar que, embora haja espaço para divergências políticas, ridicularizar a fé de milhões de brasileiros não seria arte, mas desrespeito.

PT fala em liberdade artística e nega propaganda antecipada

Em nota divulgada nesta segunda-feira, o PT defendeu o enredo sobre Lula como uma manifestação típica da liberdade de expressão artística e cultural. No texto, o partido afirmou que a Acadêmicos de Niterói organizou o desfile de forma autônoma e rechaçou a tese de propaganda eleitoral antecipada.


O partido publicou uma nota oficial sobre o assunto.

O partido publicou uma nota oficial sobre o assunto.

Foto: Reprodução / Internet.



A legenda sustentou que não configura irregularidade eleitoral a mera exaltação de qualidades pessoais de um agente político, sobretudo quando feita por terceiros e sem pedido explícito de voto, reforçando que esse pedido é considerado elemento indispensável para caracterizar propaganda antecipada no TSE.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a