Dólar recua e Ibovespa cai em pregão encurtado; liquidação do Banco Pleno entra no radar

Moeda era cotada a R$ 5,2166 e índice caía a 185.967 pontos nesta quarta (18), enquanto o mercado reagia à decisão do BC e aguardava ata do Fomc

18/02/2026 às 14:22 por Redação Plox

O dólar operava em queda de 0,24% nesta quarta-feira (18), cotado a R$ 5,2166 por volta das 14h, em um dia de negócios encurtado pela Quarta-feira de Cinzas, quando os mercados abriram apenas à tarde. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuava 0,27%, aos 185.967 pontos.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik


Em meio ao ritmo mais fraco por causa do feriado, o foco dos investidores no Brasil recaiu sobre a liquidação extrajudicial do Banco Pleno pelo Banco Central do Brasil (BC). Embora o movimento já fosse amplamente esperado pelo mercado, a ligação da instituição com o caso Master reacende o debate sobre a necessidade de regras mais rígidas para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O FGC informou que o Banco Pleno tem cerca de 160 mil credores com depósitos elegíveis, somando R$ 4,9 bilhões. Com isso, a liquidação de Master, Pleno e Will Bank deve provocar um rombo superior a R$ 50 bilhões no fundo.

Por causa do Carnaval, o Boletim Focus será divulgado excepcionalmente às 14h, seguido às 14h30 pelo fluxo cambial semanal, indicador usado para medir a entrada e saída de dólares do país e seus possíveis efeitos sobre o câmbio.

No exterior, indicadores divulgados pela manhã nos Estados Unidos mostraram um quadro misto. As construções de moradias iniciadas subiram em dezembro, enquanto as encomendas de bens duráveis recuaram no mesmo período. A produção manufatureira de janeiro, por sua vez, registrou melhora.

À tarde, as atenções se voltam para a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Federal Reserve (Fomc), responsável pela definição dos juros nos EUA. O documento pode influenciar as apostas sobre o ritmo de cortes ou eventual manutenção das taxas.

Desempenho do dólar e da bolsa

Dólar

Acumulado da semana: +0,17%
Acumulado do mês: -0,35%
Acumulado do ano: -4,73%

Ibovespa

Acumulado da semana: +1,92%
Acumulado do mês: +2,81%
Acumulado do ano: +15,73%

BC decreta liquidação extrajudicial do Banco Pleno

O Banco Central do Brasil decretou nesta quarta-feira a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A. e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., que integravam o mesmo conglomerado financeiro.

As duas instituições faziam parte do grupo do Banco Master e foram vendidas no segundo semestre do ano passado ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.

De acordo com o BC, a decisão foi tomada após o agravamento da situação econômico-financeira do Banco Pleno, que passou a enfrentar dificuldades para honrar compromissos do dia a dia. A autoridade monetária também apontou descumprimento de normas e de determinações do próprio órgão regulador.

A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil. Banco Central do Brasil

A liquidação extrajudicial é adotada quando o Banco Central encerra as atividades de uma instituição financeira que já não tem condições de operar. Um liquidante assume o controle, encerra as operações, vende os ativos e paga os credores na ordem prevista em lei, até a extinção da instituição. Nesse processo, o banco deixa de integrar o sistema financeiro nacional.

Construção de moradias avança nos EUA

As construções de moradias iniciadas nos Estados Unidos cresceram 6,2% em dezembro, na comparação com o número revisado de novembro de 2025, alcançando taxa anualizada de 1,404 milhão de unidades, segundo o Departamento do Comércio.

As permissões para novas obras também avançaram, com alta de 4,3%, para taxa anualizada de 1,448 milhão. Em novembro, o volume de construções havia sido de 1,322 milhão, enquanto as permissões somaram 1,388 milhão.

Encomendas de bens duráveis recuam

As encomendas de bens duráveis nos EUA caíram 1,4% em dezembro em relação a novembro, totalizando US$ 319,6 bilhões, de acordo com dados do Departamento do Comércio.

O resultado contrariou as expectativas de analistas, que projetavam alta de 1,6%. Excluindo o setor de transportes, os pedidos cresceram 0,9% no mês. Já sem a categoria de defesa, houve queda de 2,5%.

O dado de novembro foi revisado, com a variação mensal ajustada de alta de 5,6% para 5,4%.

Produção manufatureira dos EUA ganha fôlego

Segundo o Federal Reserve, a produção manufatureira dos Estados Unidos subiu 0,6% em janeiro, após ter ficado estável em dezembro. Economistas esperavam avanço menor, de 0,4%.

Na comparação com janeiro do ano anterior, a alta foi de 2,4%. O desempenho de dezembro também foi revisto, com o crescimento ajustado de 0,2% para zero.

O setor manufatureiro responde por cerca de 10,1% da economia americana e vem sendo impactado pelas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, que, segundo empresários, aumentaram custos para indústrias e consumidores.

Alguns segmentos, como o de tecnologia, se beneficiaram do aumento dos investimentos em inteligência artificial, e analistas avaliam que esse impulso pode se espalhar para outras áreas, somando-se a possíveis efeitos de cortes de impostos.

O crescimento da produção em janeiro foi disseminado. A produção de bens duráveis avançou 0,8%, com destaque para máquinas, computadores e eletrônicos, produtos minerais não metálicos e veículos e autopeças, que voltaram a crescer após meses de queda.

Os bens não duráveis tiveram alta de 0,4%, puxados por papel, impressão, químicos, plásticos e borracha.

A produção de mineração recuou 0,2%, enquanto os serviços públicos cresceram 2,1%, ainda influenciados pelo clima frio. No total, a produção industrial avançou 0,7% em janeiro, após alta de 0,2% em dezembro, acumulando crescimento de 2,3% em 12 meses.

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