Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Banco Pleno

Medida também atinge a Pleno DTVM; BC cita comprometimento financeiro e deterioração da liquidez do conglomerado

18/02/2026 às 11:34 por Redação Plox

O Banco Central do Brasil determinou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A., com extensão para a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. As duas instituições integravam o conglomerado que impulsionou a ascensão do Banco Master a partir de 2019.

De acordo com nota do BC, o conglomerado representado pelo Pleno é de pequeno porte e responde por apenas 0,04% do ativo total e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional (SFN). A liquidação foi motivada pelo comprometimento da situação financeira da instituição e pela deterioração de sua liquidez. A liquidação extrajudicial é o mecanismo utilizado pelo Banco Central quando uma instituição financeira é considerada irrecuperável.

Banco Central determinou a liquidação extrajudicial de mais uma instituição ligada ao Banco master

Banco Central determinou a liquidação extrajudicial de mais uma instituição ligada ao Banco master

Foto: Enildo Amaral/BCB


Medida repete decisão tomada contra o Banco Master

A decisão do BC em relação ao Pleno é semelhante à adotada em novembro do ano passado contra o Banco Master. A instituição comandada por Daniel Vorcaro é apontada como protagonista do maior rombo da história do sistema financeiro brasileiro, com prejuízo estimado entre R$ 47 bilhões e R$ 60 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O Banco Master também é descrito como parte de uma intrincada rede de influências envolvendo membros dos três poderes em diferentes esferas do pacto federativo.

Origem do Pleno e trajetória de seu controlador

O Banco Pleno tem origem no antigo Voiter e pertence a Augusto Lima, que foi sócio de Daniel Vorcaro até julho de 2025. O avanço de Lima no mercado financeiro ocorreu em paralelo ao crescimento do Master.

A trajetória do empresário começou na Bahia, seu estado natal, com a criação do Credcesta, uma espécie de cartão de crédito consignado que debita a fatura diretamente na folha de pagamento de servidores. Desde 2018, essa operação se expandiu para outros 24 estados brasileiros.

Conexão com fundo investigado pela Polícia Federal

Um dos pontos de ligação entre os negócios de Augusto Lima e de Daniel Vorcaro foi a aplicação de recursos no Reag, fundo de investimentos liquidado em janeiro deste ano. O fundo é alvo de investigações da Polícia Federal, que identificam indícios de uso para lavagem de dinheiro e fraudes bancárias envolvendo desde pequenos bancos, como o Pleno e o Master, até aplicações ligadas à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

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