Governo Trump amplia para 50 países exigência de caução de até US$ 15 mil para visto de turismo e negócios

Medida vale para vistos B-1 e B-2, passa a incluir mais 12 nações a partir de 2 de abril e prevê reembolso a quem cumprir o prazo; Brasil não está na lista

18/03/2026 às 11:13 por Redação Plox

O governo Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (18) que cidadãos de 50 países poderão ser obrigados a depositar uma caução de até US$ 15 mil — o equivalente a cerca de R$ 78 mil — para solicitar vistos de turismo e negócios para os Estados Unidos.

A medida vale para os vistos B-1 (negócios) e B-2 (turismo e tratamento médico) e foi divulgada nas redes sociais no perfil oficial do Departamento de Estado dos EUA, órgão responsável pela análise desses pedidos. Segundo a publicação, o objetivo é reduzir a “permanência ilegal” de estrangeiros após o vencimento do visto.


A busca pelo visto EB-2 NIW nos EUA

A busca pelo visto EB-2 NIW nos EUA

Foto: Divulgação


Nova rodada de países entra em vigor em 2 de abril

De acordo com o anúncio, a exigência da caução começa a valer para mais 12 países a partir de 2 de abril. A lista atualizada passa a reunir 50 nações sujeitas ao depósito de US$ 15 mil como condição para a concessão de vistos de turismo e negócios.

Os 12 países que entram no programa em 2 de abril são:

Camboja, Etiópia, Geórgia, Granada, Lesoto, Maurícias, Mongólia, Moçambique, Nicarágua, Papua Nova Guiné, Seicheles e Tunísia.

Antes da atualização, 38 países — em sua maioria nações africanas — já eram alvo da medida. Com a ampliação, o mecanismo de caução ganha alcance mais amplo, inclusive sobre países classificados para a Copa do Mundo que será disputada neste ano nos EUA, Canadá e México.

O Brasil não está incluído no programa.

Como funciona a caução de US$ 15 mil

O governo americano vincula a política de caução ao combate a visitantes que ultrapassam o prazo de permanência permitido pelo visto. Na prática, o estrangeiro que se enquadrar na regra precisará pagar um valor que pode chegar a US$ 15 mil para obter o visto de turismo ou negócios.

Segundo o que foi divulgado, o valor é reembolsável para quem cumprir todas as condições da autorização de entrada e deixar o país dentro do prazo. A medida já vinha sendo implementada desde 2025 como parte de um programa-piloto voltado a países com histórico de índices mais altos de permanência irregular.

A notícia sobre a aplicação da nova rodada da política foi divulgada mais cedo, em primeira mão, por uma agência internacional de notícias, que citou um funcionário do Departamento de Estado sob condição de anonimato. Segundo ele, a modalidade de fiança passa a valer em 2 de abril.

Lista completa de países afetados

Além dos 12 países recém-incluídos, outros 38 já enfrentavam a exigência de caução para alguns pedidos de vistos B-1/B-2. Veja os 12 que entram agora:

Camboja, Etiópia, Geórgia, Granada, Lesoto, Maurícias, Mongólia, Moçambique, Nicarágua, Papua Nova Guiné, Seicheles e Tunísia.

E os 38 que já estavam na lista:

Argélia, Angola, Antígua e Barbuda, Bangladesh, Benin, Botsuana, Burundi, Butão, Cabo Verde, Costa do Marfim, Cuba, Djibuti, Dominica, Fiji, Gabão, Gâmbia, Guiné, Guiné-Bissau, Malaui, Mauritânia, Namíbia, Nepal, Nigéria, Quirguistão, República Centro-Africana, São Tomé e Príncipe, Senegal, Tajiquistão, Tanzânia, Togo, Tonga, Turcomenistão, Tuvalu, Uganda, Vanuatu, Venezuela, Zâmbia e Zimbábue.

Brasil fora da lista, mas cenário mais duro para imigração

Embora o Brasil não faça parte do grupo de países afetados pela caução de US$ 15 mil, a medida se insere em um contexto mais amplo de endurecimento das regras de entrada nos EUA durante o segundo mandato de Donald Trump.

Para brasileiros, o impacto é indireto: a mudança atinge conexões aéreas, empresas com parceiros nas nações afetadas e aumenta a incerteza sobre o rumo da política migratória americana. Para cidadãos dos países na lista, porém, o custo total do processo de visto sobe de forma significativa, já que o depósito se soma às taxas consulares tradicionais.

Outras medidas de Trump para restringir a entrada

O programa de caução se soma a uma série de ações adotadas por Trump em seu segundo mandato para limitar a imigração legal e elevar barreiras a quem pretende viver, estudar ou trabalhar nos Estados Unidos.

Entre elas está o congelamento da concessão de vistos para brasileiros e cidadãos de outros 74 países, anunciado pelos EUA em outra quarta-feira (14). Essa suspensão é apresentada pelo governo como parte de um pacote de medidas para reforçar a segurança nas fronteiras, mas amplia a percepção de incerteza para quem planeja viagens ao país.

Aumento de custos para vistos de trabalho qualificado

Uma das mudanças mais significativas ocorreu em setembro de 2025, quando o governo Trump criou uma taxa de US$ 100 mil (cerca de R$ 530 mil) para o visto H-1B, voltado a trabalhadores estrangeiros altamente qualificados.

A cobrança passou a valer para pedidos apresentados a partir de 21 de setembro de 2025 e representa um salto expressivo no custo do visto usado por profissionais como engenheiros, cientistas e programadores. A justificativa do governo é priorizar a contratação de trabalhadores americanos, enquanto especialistas apontam que o valor elevado pode afastar talentos estrangeiros e reduzir a atratividade do país.

Caução em massa para turismo e negócios

Em abril de 2025, os EUA já haviam anunciado que, para alguns pedidos de vistos de turismo e negócios, seria exigido um depósito de até US$ 15 mil, com o objetivo declarado de desestimular visitantes que permanecem no país após o vencimento do visto.

Na época, a regra foi aplicada a 38 países, principalmente na África, Oceania e parte da Ásia, sem incluir o Brasil. Com a ampliação para 50 países, o programa ganha peso dentro da política migratória americana e reforça a mensagem de tolerância zero com qualquer indício de permanência irregular.

“Gold card”: porta aberta para imigrantes ricos

Na contramão do endurecimento para turistas, trabalhadores e estudantes, o governo Trump lançou, em dezembro de 2025, o chamado “gold card”, um programa que concede residência permanente a estrangeiros mediante investimento mínimo de US$ 1 milhão para indivíduos e de US$ 2 milhões para empresas que buscam residência para seus funcionários.

Além do aporte financeiro, o processo exige o pagamento de uma taxa inicial não reembolsável de US$ 15 mil ao Departamento de Segurança do país. De acordo com o secretário de Comércio, Howard Lutnick, cerca de 10 mil pessoas já haviam se inscrito durante o período de pré-registro.

Mais vigilância sobre redes sociais e entrevistas

Outra frente de endurecimento é o monitoramento da vida digital dos candidatos a visto. Desde junho de 2025, quem solicita visto de estudante é obrigado a manter perfis em redes sociais abertos ao público para análise pelas autoridades americanas, que buscam identificar possíveis sinais de hostilidade contra cidadãos, instituições ou princípios dos EUA.

Em dezembro do mesmo ano, o governo propôs ampliar a exigência para turistas de países isentos de visto, que passariam a ter de entregar o histórico de redes sociais dos últimos cinco anos. Se aprovada, a regra afetará cidadãos de 42 países — entre eles Alemanha, França, Reino Unido e Japão — que hoje entram com autorização eletrônica (ESTA).

Desde outubro de 2025, outra mudança impacta o fluxo de viajantes: menores de 14 anos e maiores de 79 passaram a ser obrigados a realizar entrevista presencial para obtenção de visto, com poucas exceções, medida que vale para todos os países que precisam de autorização para entrar nos Estados Unidos, inclusive o Brasil.

Revogação em massa de vistos e proibições de entrada

O governo Trump também vem atuando na revogação de autorizações já concedidas. Desde o início do segundo mandato, em janeiro de 2025, mais de 100 mil vistos foram cancelados, de acordo com balanço divulgado pelo Departamento de Estado em uma segunda-feira (12). O número é considerado recorde para o período.

Além disso, em 2025 foi determinada a proibição total de entrada de cidadãos de 19 países, em duas etapas: uma primeira lista com 12 países anunciada em junho e a inclusão de mais sete em dezembro, com vigência a partir do início de 2026. A maior parte dessas nações fica na África, e o Brasil não está entre elas.

Para o governo republicano, as ações estão ligadas a preocupações de segurança nacional, ameaças de terrorismo e questões relacionadas à imigração. Para quem depende de visto para entrar nos EUA, o resultado é um cenário de restrições mais duras, custos mais altos e regras em constante mudança.

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