Dólar sobe a R$ 5,022; falas de Trump derrubam petróleo e política eleva cautela

Mercado acompanha pesquisa AtlasIntel, áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e audiência de Gabriel Galípolo no Senado.

19/05/2026 às 09:04 por Redação Plox

O mercado financeiro começou a terça-feira (19) com o dólar em terreno positivo. Na abertura, a moeda americana subia 0,43% e era negociada a R$ 5,0220. O Ibovespa, principal indicador da bolsa brasileira, inicia os negócios a partir das 10h.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik


Petróleo cai após sinalização dos EUA sobre o Irã

No cenário internacional, as cotações do petróleo recuavam depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter dito que suspendeu por dez dias um ataque planejado contra o Irã. Ele também afirmou ver boa chance de um acordo nuclear com Teerã, o que ajudou a reduzir a pressão nos preços da commodity.

Pesquisa e ruído político entram no radar dos investidores

No Brasil, a atenção se voltou para a pesquisa AtlasIntel. O levantamento indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e voltou a liderar no segundo turno.

A sondagem foi realizada após a divulgação de áudios em que Flávio pede dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Em abril, antes desse material vir a público, Flávio aparecia com 47,8% das intenções de voto, contra 47,5% de Lula. Agora, o petista é registrado com 48,9%, enquanto Flávio recua para 41,8%.

Para o mercado, o episódio tende a aumentar a cautela por levantar dúvidas sobre a força da oposição para lançar um nome competitivo contra Lula. Com isso, ganham espaço leituras de menor alternância no poder, fator que pesa nas expectativas sobre o ajuste das contas públicas e pode influenciar o câmbio e a bolsa.

Galípolo participa de audiência no Senado

A agenda do dia também inclui a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, ainda durante a manhã.

Desempenho acumulado: dólar e Ibovespa

Dólar: na semana, acumulava -1,37%; no mês, +0,93%; no ano, -8,94%.

Ibovespa: na semana, acumulava -0,17%; no mês, -5,52%; no ano, +9,84%.

Áudios citam pedido de recursos para filme sobre Jair Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, reconheceu ter solicitado recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, um projeto sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O áudio foi revelado pelo site The Intercept Brasil, e a TV Globo informou ter confirmado, com investigadores e pessoas com acesso às informações, a existência e o conteúdo do material. Na gravação, Flávio pede US$ 24 milhões — montante que, na época, equivalia a cerca de R$ 134 milhões. Depois, ele confirmou o envio da mensagem e disse não ter cometido irregularidade.

A repercussão aumentou porque, até então, o senador vinha negando participação nas tratativas. Ao mesmo tempo, ele elevou o tom contra o Banco Master e passou a defender a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o escândalo envolvendo a instituição.

A Polícia Federal investiga se recursos ligados a Vorcaro teriam sido usados para pagar despesas do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. De acordo com a apuração, o filme pode ter sido utilizado como justificativa formal para a transferência do dinheiro.

Os investigadores tentam esclarecer se os valores foram, de fato, direcionados à produção audiovisual, se houve desvio de finalidade ou se parte dos recursos teria sido empregada para financiar a permanência de Eduardo no exterior.

A GOUP Entertainment, responsável pela produção de “Dark Horse”, afirmou que não recebeu dinheiro de Vorcaro nem de qualquer empresa sob o controle societário do banqueiro.

No mercado, investidores consideram que a controvérsia pode desgastar Flávio Bolsonaro e reduzir suas chances eleitorais. Essa percepção mexe com expectativas sobre uma eventual troca de governo e possíveis impactos nas contas públicas, o que ajuda a pressionar o dólar e contribui para a queda da bolsa.

Bolsas no exterior: desempenho misto nos EUA e alta na Europa

Em Wall Street, os principais índices terminaram sem direção única. As ações de tecnologia recuaram, em meio a preocupações sobre uma possível interrupção no fornecimento de petróleo diante do impasse entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. O Dow Jones subiu 0,32%, enquanto o S&P 500 cedeu 0,07% e o Nasdaq caiu 0,51%.

Na Europa, o pregão foi majoritariamente positivo. O STOXX 600 avançou 0,5%, aos 610,17 pontos. Em Londres, o FTSE 100 ganhou 1,26%, a 10.323,75 pontos; em Frankfurt, o DAX subiu 1,49%, a 24.307,92 pontos; e, em Paris, o CAC 40 teve alta de 0,44%, a 7.987,49 pontos.

Ásia fecha majoritariamente em baixa

Na Ásia, a maior parte das bolsas terminou o dia em queda. Em Xangai, o principal índice recuou 0,09%, aos 4.131 pontos, e o CSI 300 caiu 0,54%, aos 4.833 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1,11%, fechando em 25.675 pontos. Já em Tóquio, o Nikkei encerrou com baixa de 0,97%, aos 60.815 pontos.

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