Premiê da Groenlândia pede que população se prepare para possível invasão dos EUA após postagem de Trump

Jens-Frederik Nielsen anuncia força-tarefa para orientar sobre estoques de comida, rotas de fuga e abrigos, enquanto aliados europeus enviam tropas à ilha em resposta às ameaças americanas

20/01/2026 às 22:26 por Redação Plox

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, pediu que a população da ilha comece a se preparar para uma possível invasão militar ao território, em meio à escalada de tensão com os Estados Unidos após uma postagem do presidente Donald Trump com uma montagem de inteligência artificial em que ele finca a bandeira dos EUA na Groenlândia.

Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos

Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos

Foto: Reprodução TV

Em entrevista coletiva à imprensa nesta terça-feira (20), Nielsen afirmou que as autoridades locais já trabalham com o cenário de uma eventual incursão militar norte-americana e que a sociedade deve estar pronta para reagir.

O líder do outro lado (Donald Trump) deixou bem claro que essa possibilidade não está descartada. Portanto, devemos estar preparados para tudo

Jens-Frederik Nielsen

Governo prepara população para cenário de conflito

Segundo a agência de notícias Bloomberg, o premiê determinou a criação de uma força-tarefa com autoridades locais para orientar a população sobre como agir diante de uma eventual invasão. Entre as recomendações em estudo estão medidas como estocar alimentos em casa e se informar sobre rotas de fuga e abrigos.

Nielsen afirmou ainda que o governo prepara panfletos com instruções detalhadas sobre o que fazer em caso de incursão militar, numa tentativa de organizar uma resposta civil caso a crise avance.

Apesar de considerar um conflito armado pouco provável, o primeiro-ministro admitiu que não pode excluir completamente essa hipótese e que o país precisa agir com cautela.

"Não é provável que haja um conflito militar, mas não podemos descartar essa possibilidade", declarou na entrevista coletiva. "Mas precisamos enfatizar que a Groenlândia faz parte da aliança ocidental, a Otan, e, se houver uma escalada ainda maior, isso também terá consequências para todo o mundo exterior".

Uma foto divulgada pela imprensa mostra o primeiro-ministro da Groenlândia durante a coletiva desta terça-feira (20).

Trump endurece discurso sobre controle da ilha

Também nesta terça, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que "não há volta atrás" em seu objetivo de controlar a Groenlândia, recusando-se a afastar a possibilidade de tomar a ilha ártica pela força.

A Groenlândia é um território sob controle da Dinamarca, país membro da Otan, e ocupa posição estratégica no Atlântico Norte e no Ártico. Um infográfico divulgado pela imprensa internacional destaca a localização da ilha e sua relevância militar e geopolítica.

A insistência de Trump em anexar a Groenlândia coloca sob pressão a aliança ocidental, que há décadas é um dos pilares da segurança no Atlântico Norte. O republicano tem defendido que o território é "vital" para o chamado Domo de Ouro, um escudo antimísseis que deseja erguer para proteger os Estados Unidos.

Segundo o governo dinamarquês, o presidente norte-americano ameaça a estabilidade da região desde que assumiu seu segundo mandato, há um ano, quando passou a ventilar publicamente o plano de anexação.

Tensão na Otan e reação europeia

Mais cedo, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, avaliou que a crise está longe de terminar ao comentar a investida de Trump contra a Groenlândia.

"É um capítulo sombrio no qual nos encontramos e podemos, infelizmente, estar em uma situação em que o pior não ficou para trás, mas ainda está à nossa frente", afirmou Frederiksen em discurso ao Parlamento dinamarquês.

Diante das ameaças ao território groenlandês, países europeus passaram a reforçar sua presença militar na região. Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia enviaram tropas para a Groenlândia a partir da última quinta-feira (15) e planejam realizar exercícios militares conjuntos na ilha.

Para analistas, essa movimentação é um sinal de que os aliados europeus buscam deixar claro que a Groenlândia, como parte da Otan, não está isolada e que qualquer escalada terá impacto direto em toda a aliança ocidental.

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