Como gatos podem ajudar a desvendar a cura do câncer em humanos
Pesquisa analisou tumores de quase 500 felinos e cerca de mil genes ligados a 13 tipos de câncer, apontando semelhanças com tumores humanos.
20/02/2026 às 15:23por Redação Plox
20/02/2026 às 15:23
— por Redação Plox
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O primeiro mapa genético detalhado do câncer em gatos domésticos revelou semelhanças marcantes com as versões humanas da doença, abrindo caminho para novas estratégias de tratamento em ambas as espécies.
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Foto: Arquivo Pessoal/Layze Couto
Cientistas analisaram o DNA tumoral de quase 500 gatos domésticos e identificaram mutações genéticas relevantes associadas ao desenvolvimento do câncer. Embora o câncer seja uma das principais causas de doença e morte nesses animais, ainda há pouco conhecimento sobre como a doença se forma e progride.
A genética do câncer em gatos tem sido uma verdadeira incógnita até agora. Quanto mais pudermos entender sobre o câncer em qualquer espécie, melhor para todos.
Louise Van der Wayden
Segundo os pesquisadores, compreender a base genética do câncer em gatos pode abrir caminho para tratamentos mais eficazes, beneficiando não apenas os animais, mas também os humanos.
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Foto: Arquivo Pessoal/Layze Couto
Mapa genético aproxima pesquisa em gatos e humanos
Uma equipe internacional liderada pelo Instituto Wellcome Sanger, em Cambridge, no Reino Unido, examinou cerca de 1 mil genes relacionados a 13 tipos de câncer felino. O levantamento mostrou que muitos dos genes que impulsionam o câncer em gatos são semelhantes aos observados em tumores humanos.
Essas semelhanças sugerem que as duas espécies compartilham processos biológicos essenciais que permitem o crescimento e a disseminação dos tumores. Para os cientistas, o gato doméstico pode ser uma peça-chave na compreensão de determinados tipos de câncer de mama, como o câncer de mama triplo negativo, responsável por cerca de 15 em cada 100 casos da doença em humanos.
Os gatos desenvolvem esse subtipo com maior frequência do que as pessoas, oferecendo um volume maior de amostras para estudo e pistas importantes para o desenvolvimento de novos medicamentos que possam auxiliar no tratamento.
Animais de estimação como sentinelas ambientais
No Reino Unido, quase um quarto dos lares tem pelo menos um gato, o que torna o animal quase tão popular quanto os cães como companheiro doméstico. No Brasil, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), há mais de 30 milhões de gatos de estimação, em comparação com 60 milhões de cães, 40 milhões de aves e 20 milhões de peixes ornamentais.
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Foto: Arquivo Pessoal/Layze Couto
Apesar da popularidade, os gatos ainda são menos estudados do que os cães quando o assunto é câncer. Enquanto a pesquisa oncológica em cães já é extensa, o campo envolvendo felinos permanece relativamente inexplorado.
Os cientistas destacam que ambos os animais de estimação podem oferecer pistas valiosas sobre fatores ambientais relacionados a certos tipos de câncer. Como compartilham os mesmos ambientes que os humanos, estão expostos às mesmas condições e agentes externos, o que pode ajudar a esclarecer a influência do meio na origem e no risco da doença.
Isso pode nos ajudar a entender melhor por que o câncer se desenvolve em gatos e humanos, como o mundo ao nosso redor influencia o risco de câncer e, possivelmente, encontrar novas maneiras de preveni-lo e tratá-lo.
Geoffrey Wood
A pesquisa foi publicada na revista Science (em inglês), reforçando o potencial dos gatos domésticos como modelo importante para o avanço da oncologia comparada e para a descoberta de novas abordagens terapêuticas.