Charlize Theron conta que a mãe matou o pai para salvar a família

Atriz contou ao The New York Times Magazine que o caso, ocorrido em 1991 na África do Sul, foi reconhecido como legítima defesa após a mãe atirar no marido durante um episódio de violência doméstica.

20/04/2026 às 10:53 por Redação Plox

Charlize Theron relembrou a noite em que o pai, Charles Theron, foi morto pela mãe dela, Gerda Maritz, em um caso que mais tarde foi considerado de legítima defesa. O episódio ocorreu em 1991, na África do Sul, quando a atriz tinha 15 anos. Em entrevista recente ao The New York Times Magazine, ela afirmou que, aos 50 anos, não é mais “assombrada” pela tragédia.


Atriz afirma que episódio vivido na adolescência não a assombra e defende debate sobre violência doméstica.

Atriz afirma que episódio vivido na adolescência não a assombra e defende debate sobre violência doméstica.

Foto: Reprodução / Redes sociais.

Discussão banal e tensão que cresceu ao longo da noite

Segundo o relato, a situação começou após um desentendimento que teria surgido durante uma visita à casa de um tio. Alcoolizado, o pai da atriz teria reagido com irritação ao fato de Charlize ter entrado no local sem cumprimentar os presentes — algo que, de acordo com ela, foi interpretado como desrespeito em um contexto cultural que valoriza a reverência aos mais velhos.


Horas depois, já em casa, a tensão aumentou. Charlize contou que percebeu que algo grave poderia acontecer ao observar o comportamento do pai ao chegar à residência. Com medo, ela foi para o quarto e pediu à mãe que dissesse que ela estava dormindo, numa tentativa de evitar um confronto direto.

Disparos, refúgio no quarto e a reação em legítima defesa

De acordo com a atriz, o pai invadiu a casa atirando contra portas de aço — comuns no país à época em razão do cenário de violência. Ela afirmou que ele deixou claro que pretendia matar a esposa e a filha. As duas se refugiaram no quarto e seguraram a porta com o próprio corpo, enquanto os disparos eram feitos do lado de fora.


Apesar da intensidade do ataque, ninguém foi atingido. Diante do risco, Gerda foi até um cofre para buscar uma arma e se defender.


No confronto, ela atirou primeiro contra o cunhado, que acompanhava o pai da atriz, ferindo a mão dele após um disparo que ricocheteou várias vezes. Em seguida, ao ver o marido tentando buscar mais armas, Gerda efetuou o disparo que o matou. O caso acabou reconhecido como legítima defesa, e ela não foi condenada.

Trauma, silêncio e a necessidade de falar sobre violência doméstica

Charlize afirmou que, por muitos anos, acreditou que o que aconteceu com sua família fosse uma experiência única. Com o tempo, disse ter entendido que a violência doméstica é uma realidade presente em muitos lares.

Essas coisas precisam ser faladas, porque fazem com que outras pessoas não se sintam sozinhas

Charlize Theron

A atriz também relatou que a mãe decidiu seguir em frente imediatamente após o ocorrido e a enviou para a escola no dia seguinte. Embora reconheça que esse caminho pode não ser o mais saudável, ela disse que foi a forma encontrada pela família para lidar com o trauma.


Atualmente, Charlize atua em campanhas de combate à violência contra mulheres e defende maior atenção à gravidade dessas situações.

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