PF aponta que Banco Master repassou ao BRB ativos com valores inflados, segundo documentos apreendidos
Operação Compliance Zero investiga criação de carteiras fictícias de consignado; tabelas citadas indicam sobrepreço e injeção bilionária em 2024
20/04/2026 às 16:30por Redação Plox
20/04/2026 às 16:30
— por Redação Plox
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Antes mesmo de o Banco de Brasília (BRB) anunciar formalmente a proposta de compra do Banco Master, o banco controlado por Daniel Vorcaro já teria operado um esquema de superfaturamento em ativos repassados ao banco público do Distrito Federal. Documentos apreendidos pela Polícia Federal (PF) indicam que carteiras de crédito foram infladas em até 93% acima do valor contábil.
O material faz parte da Operação Compliance Zero, deflagrada para apurar a criação de carteiras fictícias de crédito consignado pelo Master entre janeiro e maio de 2025. Mensagens extraídas de celulares de diretores, porém, apontam que a relação financeira com o BRB é anterior à investigação e já apresentava indícios de irregularidades.
Policia Federal aponta que Banco Master repassou ativos com valores inflados ao Banco de Brasília.
Foto: Joédson Alves / Agência Brasil
PF aponta sobrepreço de 32% e impacto de R$ 2,4 bilhões
Segundo tabelas internas recuperadas pela PF e obtidas pelo jornal O Estado de S. Paulo, o BRB injetou ao menos R$ 8,4 bilhões no Master nos seis meses anteriores ao início das fraudes, entre julho e dezembro de 2024. No período, o valor contábil dos ativos transferidos era de R$ 7,5 bilhões, mas o banco público de Brasília pagou R$ 9,9 bilhões.
O conjunto dos dados indica um sobrepreço de 32%, equivalente a R$ 2,4 bilhões embutidos pelo Master na operação.
Mensagens citam crise de caixa e pressão por cessão de CCB
As conversas extraídas de celulares apreendidos sugerem que Vorcaro recorreu a aportes do BRB ao menos desde agosto de 2024 para enfrentar uma crise aguda de caixa. Em um dos diálogos, o banqueiro alertou que, sem os recursos do banco estatal, teria de recorrer ao “depósito compulsório”, a reserva obrigatória mantida junto ao Banco Central para garantir a liquidez e a segurança do sistema financeiro.
No dia seguinte, Vorcaro voltou a pressionar Lima por uma definição sobre a cessão de uma Cédula de Crédito Bancário (CCB):
Irmão, preciso saber se eles vão fazer ou não. Já tem 15 dias esse negócio do ccb. Se for agarrar e não sair agora preciso saber.
A resposta de Lima, segundo o material citado na apuração, indicou que o BRB confirmaria a operação até quinta-feira.
Arquivo “operacoes_BRB_29jan” detalha transações entre julho e janeiro
O anúncio público da oferta de compra do Master pelo BRB só ocorreria em março de 2025 — meses depois, portanto, de o banco já estar sendo sustentado com recursos do Distrito Federal, segundo a investigação.
Entre os arquivos destacados está um documento enviado por WhatsApp pelo superintendente executivo de tesouraria do banco, Alberto Félix, identificado pelo próprio remetente como “operacoes_BRB_29jan”. O balanço reúne todas as transações com o BRB de julho de 2024 ao final de janeiro de 2025 e lista seis categorias de ativos vendidos: carteiras de crédito consignado, dois tipos de CCBs, certificados de depósito interbancário (CDI), certificados de recebíveis imobiliários (CRI) e créditos do Will Bank, fintech que à época era vinculada ao Master.
Em outra mensagem registrada no celular, Félix escreveu em 17 de julho:
Estou em call com o brb. (...) Estamos definindo o contrato de cessão aqui, pra poder formalizar.
A defesa de Félix afirma que ele não tinha poder decisório e que sua atuação se limitava a reportar transações negociadas por outras pessoas.