PT planeja reduzir candidaturas a governos e focar alianças para fortalecer reeleição de Lula

Partido deve lançar cerca de 10 nomes nos estados e no DF, priorizando acordos com siglas de centro para ampliar apoio no Congresso

20/04/2026 às 07:39 por Redação Plox

O Partido dos Trabalhadores (PT) deve adotar nas próximas eleições uma estratégia mais pragmática, com menos candidaturas próprias aos governos estaduais. A legenda projeta lançar cerca de 10 nomes entre os 27 estados e o Distrito Federal, um número abaixo do histórico do partido, mas alinhado ao objetivo de fortalecer a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ampliar a base de apoio no Congresso Nacional.

Alianças com partidos de centro ganham prioridade

A diretriz é priorizar alianças com partidos de centro, como PSD, PSB, MDB e PDT, mesmo que isso signifique abrir mão do protagonismo em disputas estaduais consideradas relevantes. Em Minas Gerais, onde o PT tradicionalmente lançou candidatura própria, a busca agora é por uma composição em torno de um nome de centro. O senador Rodrigo Pacheco, que migrou do PSD para o PSB, é citado como o mais cotado e vem sendo sondado para encabeçar a disputa.

  • A orientação reflete uma avaliação interna — já exposta publicamente por dirigentes — de que o partido não tem competitividade em todo o país. Lula, segundo o texto, reconheceu neste ano que a sigla “não está com essa bola toda em todos os estados”, defendendo composições amplas para aumentar as chances eleitorais. A leitura interna é que, isoladamente, o PT teria dificuldades para enfrentar adversários fortes, especialmente em regiões onde o bolsonarismo mantém presença significativa.
    Com postura mais pragmática, comando petista Atua para favorecer a reeleição de Lula

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    Foto: Foto: Ricardo Stuckert / PR


Precisamos compor e decidir se a gente quer ganhar ou perder

Luiz Inácio Lula da Silva

Na mesma linha, o presidente do partido, Edinho Silva, tem afirmado em entrevistas que Lula só será reeleito se forem construídas alianças nos estados com o “campo democrático” em torno da candidatura presidencial, pois a legenda, sozinha, não derrotaria a extrema direita.

Sudeste: Minas sem candidato e aposta em Haddad em São Paulo

No Sudeste, considerado estratégico por concentrar grande parte do eleitorado, o PT deve combinar candidaturas próprias com apoios. Em Minas, segundo maior colégio eleitoral do país, a tendência é abrir mão de candidatura própria para apoiar Rodrigo Pacheco, visto como um nome capaz de aglutinar forças de diferentes campos políticos.

Em São Paulo, a tendência é lançar o ex-ministro Fernando Haddad. No Rio de Janeiro, o partido também não deve ter candidato próprio e tende a se alinhar ao ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), tanto na eleição regular quanto em uma eventual disputa indireta para um mandato tampão. Isso ocorre porque, de acordo com o texto, Cláudio Castro (PL) renunciou ao cargo de governador para não ser cassado, e o vice, Tiago Pampolha, não pode assumir por também ter deixado o posto para virar conselheiro do Tribunal de Contas do estado.

Nordeste: PT tenta manter governos e reforçar palanques aliados

No Nordeste, onde Lula foi mais votado nas eleições passadas, o PT vai tentar reeleger três governadores: Jerônimo Rodrigues (Bahia), Elmano de Freitas (Ceará) e Rafael Fonteles (Piauí). Além disso, o partido trabalha para sustentar influência em estados onde não terá candidatura própria, apoiando aliados considerados estratégicos.

Em Pernambuco, a tendência é apoiar o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). Em Alagoas, o alinhamento deve ocorrer com Renan Filho (MDB), ex-ministro dos Transportes, que deixou a pasta para concorrer ao governo do estado. O texto aponta, ainda, cenários indefinidos em Sergipe e Maranhão, onde disputas internas e rearranjos políticos dificultam a definição antecipada de alianças.

Norte e Centro-Oeste: candidaturas locais e foco em composições

Nas regiões Norte e Centro-Oeste, a atuação do partido deve variar de acordo com o contexto local. Em alguns estados, a legenda avalia lançar candidatos próprios; em outros, priorizar composições. No Acre, há a possibilidade de o PT não disputar o governo para concentrar esforços em uma vaga ao Senado. Em Roraima e Rondônia, existem movimentações para candidaturas próprias.

No Distrito Federal, o ex-deputado distrital Leandro Grass é apontado como candidato. Já em Mato Grosso do Sul e Tocantins, o partido considera lançar representantes, mantendo diálogo com aliados.

Sul: sem candidaturas próprias e apoio a nomes de outras siglas

No Sul, onde o PT enfrenta maior resistência eleitoral em razão da força do bolsonarismo, a estratégia deve ser ainda mais voltada a alianças. O objetivo é buscar desempenho melhor do que na disputa passada, quando Lula perdeu para Jair Bolsonaro nos três estados da região.

O partido não deve lançar candidatos próprios ao governo e optará por apoiar nomes de outras legendas. No Rio Grande do Sul, a tendência é apoiar a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT). No Paraná, o apoio deve ir para o deputado estadual Requião Filho (PDT). Em Santa Catarina, o PT deve compor com o ex-deputado Gelson Merisio (PSB), que em 2018 disputou o governo pelo PSD e chegou a declarar voto em Bolsonaro.

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