Gleisi deve deixar ministério até março para disputar Senado pelo Paraná
Pedido de Lula para candidatura de Gleisi Hoffmann ao Senado abre disputa interna no Planalto pela articulação política do governo, hoje sob influência de Marcelo Almeida Costa e José Guimarães
21/01/2026 às 10:17por Redação Plox
21/01/2026 às 10:17
— por Redação Plox
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A saída prevista da ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná nas eleições deste ano já movimenta os bastidores do Palácio do Planalto e antecipa a disputa pela sucessão na articulação política do governo. Gleisi deve deixar o cargo até o fim de março, em cumprimento às regras de desincompatibilização previstas na legislação eleitoral.
Gleisi Hoffmann, ministra da Secretaria de Relações Institucionais (Secretaria de Relações
Foto: Institucionais/Flickr/Divulgação)
Como já revelado anteriormente, o plano inicial da ministra era tentar a reeleição na Câmara dos Deputados, da qual está licenciada para comandar a secretaria de Relações Institucionais (SRI). A estratégia mudou após um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que a incentivou a entrar na disputa por uma cadeira no Senado.
Sucessão na articulação política entra no radar
Com a saída de Gleisi se aproximando, ganha força a disputa interna por quem comandará a articulação política em pleno ano eleitoral. Nos corredores do Planalto, alguns nomes passaram a ser ventilados para assumir a SRI, peça-chave na relação do governo com o Congresso Nacional.
Integrantes do governo ouvidos apontam o secretário-executivo da SRI, Marcelo Almeida Costa, como o favorito para a vaga. Ele é elogiado pela equipe de Lula e é visto como o nome mais provável para ser alçado ao posto de ministro neste ano.
Diplomata de perfil técnico e considerado homem de confiança de Gleisi, Almeida é visto como alguém capaz de dar continuidade ao trabalho hoje desenvolvido pela SRI. Aliados avaliam que, embora a ministra tenha um estilo combativo, ela construiu bom trânsito com a cúpula do Legislativo e foi peça importante para a aprovação de pautas de interesse do governo.
Cotação de José Guimarães e mudança de perfil
Outro nome mencionado nos bastidores é o do líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE). O deputado tem manifestado a interlocutores o desejo de disputar o Senado em 2026, mas o cenário no Ceará é considerado incerto para o PT, diante da possibilidade de o atual governador concorrer à Casa Alta e de o ministro da Educação, Camilo Santana, pleitear o governo estadual.
Aliados avaliam que uma eventual ida de Guimarães para a SRI poderia representar uma “saída honrosa” caso ele não seja escolhido para concorrer a uma das duas vagas ao Senado pelo estado. Ao mesmo tempo, consideram que a indicação dele alteraria o perfil da condução da pasta, abrindo mais espaço para negociações com o Congresso e para concessões políticas.
Wellington Dias prefere permanecer no MDS
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, também chegou a ser cogitado para ocupar a SRI, em razão do bom trânsito que mantém com deputados e senadores e da experiência acumulada em quatro mandatos como governador do Piauí.
Apurações indicam, porém, que Wellington Dias prefere permanecer no comando do ministério até o fim da gestão, afastando, por ora, a possibilidade de mudança de pasta.
Lula mira maior influência no Senado
A decisão de lançar Gleisi Hoffmann ao Senado se insere na estratégia do presidente Lula de ampliar a base de sustentação do governo na Casa a partir da próxima legislatura. Em 2026, 54 das 81 cadeiras estarão em disputa, o equivalente a dois terços do total, com dois novos representantes por estado.
Esse cenário torna a eleição para o Senado um ponto central na disputa entre governo e oposição. Ambas as forças buscam garantir maioria ou, pelo menos, reduzir resistências em uma Casa considerada decisiva para a aprovação de projetos estratégicos do Planalto.