Brasil completa cinco anos seguidos de queda nas mortes violentas em 2025

País registra 34.086 mortes violentas até novembro, queda de 11% ante 2024 e redução acumulada de 25% desde 2020, mas feminicídios batem recorde mesmo após endurecimento da lei

21/01/2026 às 07:06 por Redação Plox

O Brasil registrou em 2025 o quinto ano seguido de queda nos assassinatos. Foram contabilizadas 34.086 mortes violentas, ante 38.374 em 2024, o que representa uma redução de 11%, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública computados até terça-feira (20).

O total de 34.086 casos ainda não inclui os registros de dezembro em São Paulo e na Paraíba, que não haviam sido inseridos no sistema federal até a publicação dos dados, sem previsão para atualização.

Entre janeiro e novembro, São Paulo teve em média 228 mortes violentas por mês, enquanto a Paraíba registrou 79 casos mensais. Mantido esse ritmo em dezembro, o balanço nacional somaria cerca de 300 ocorrências a mais. Ainda assim, a queda no número de assassinatos ficaria em torno de 10,4% em relação a 2024.

Entram na estatística de mortes violentas os homicídios dolosos (quando há intenção de matar), feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. As informações são enviadas pelas secretarias estaduais de Segurança Pública ao governo federal, responsável pela consolidação e divulgação dos números.


Brasil tem queda nas mortes violentas intencionais, mas feminicídios batem recorde em 2025

Brasil tem queda nas mortes violentas intencionais, mas feminicídios batem recorde em 2025

Foto: Fernando Frazão/Arquivo Agência Brasil

Queda nas mortes se mantém há cinco anos

De 2021 a 2025, o país acumula cinco anos consecutivos de redução nas mortes violentas, com uma queda de 25% em relação a 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19.

O pico da série histórica foi registrado em 2017, com mais de 60 mil assassinatos. Após esse recorde, os indicadores caíram em 2018 e 2019, voltaram a subir em 2020 e, desde então, vêm em trajetória de queda.

Para especialistas, a dinâmica do crime organizado e a atuação do poder público ajudam a explicar o cenário recente.

Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, avalia que mudanças internas nas facções criminosas, com menos disputas armadas por território, tiveram impacto nos indicadores, somadas a medidas de segurança adotadas em ano eleitoral.

Foi um ano em que o crime organizado esteve, digamos assim, mais tranquilo em termos de briga do que anteriormente. Tem políticas públicas também. Estamos perto da eleição e algumas ações na segurança são tomadas. São todos fatores que podem explicarRafael Alcadipani

Na mesma linha, Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), aponta que a redução de confrontos entre facções, milícias e outros grupos armados, com arranjos de controle em determinados territórios, contribui para diminuir o total de assassinatos.

Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, lembra que a tendência de queda começou em 2018, foi interrompida em 2020 — quando houve alta puxada pela região Nordeste — e depois foi retomada.

Desempenho por regiões e estados

A queda nacional nos homicídios se repetiu nas cinco regiões do país, em 2025:

Sul: recuo de 22%, de 3.935 mortes violentas em 2024 para 3.055 em 2025.

Centro-Oeste: queda de 18%, de 2.682 para 2.204 casos.

Norte: diminuição de 11%, de 4.304 para 3.829 mortes.

Nordeste: baixa de 10%, de 17.052 para 15.412 registros.

Sudeste: redução de 8%, de 10.401 para 9.586 ocorrências.

Entre os estados, as maiores reduções foram observadas em Mato Grosso do Sul, com queda de 28%, e em Paraná e Rio Grande do Sul, ambos com redução de 24%.

Na contramão da tendência nacional, Tocantins teve alta de 17% nas mortes violentas, Rio Grande do Norte registrou aumento de 14% e Roraima, de 9%.

Em números absolutos, Bahia ocupa a primeira posição, com 3.900 mortes violentas em 2025, seguida por Rio de Janeiro (3.581) e Pernambuco (3.023). Na outra ponta da lista, os menores totais foram registrados em Acre (204), Acre (179) e Roraima (139), de acordo com os dados divulgados.

Taxa de assassinatos por 100 mil habitantes

Quando se considera a taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes, Ceará, Pernambuco e Alagoas lideram o ranking nacional.

Ceará registrou taxa de 32,6 mortes por 100 mil habitantes, à frente de Pernambuco, com 31,6, e Alagoas, com 29,4.

A média brasileira ficou em 15,97 assassinatos por 100 mil habitantes em 2025, abaixo da taxa de 18,05 registrada em 2024.

Feminicídios atingem recorde em 2025

Na contramão da queda geral dos assassinatos, o número de feminicídios atingiu o maior patamar da série em 2025. Foram 1.470 casos entre janeiro e dezembro, superando os 1.464 registros de 2024, até então o recorde.

O volume significa que, em média, ao menos quatro mulheres foram mortas por dia no país em 2025. A tendência é que esse total suba, já que os dados de dezembro de São Paulo e da Paraíba ainda não constam na base federal.

O feminicídio é o crime em que a mulher é assassinada pelo fato de ser mulher, tipificação incluída na legislação penal em 2015. Naquele ano, foram contabilizadas 535 mortes desse tipo. Em uma década, o aumento chega a 316% nos registros oficiais.

Em 2024, foi aprovada e sancionada uma lei que ampliou as penas para feminicídio, que agora podem variar de 20 a 40 anos de prisão, conforme o texto legal assinado pela Presidência da República.

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