Operação 'Soro da Morte' investiga uso de desinfetante em pacientes e mortes em hospital de Taguatinga
Três técnicos de enfermagem são presos suspeitos de aplicar desinfetantes na veia de pacientes para reduzir carga de trabalho; Polícia Civil do DF já relaciona três mortes ao esquema e apura outros 20 óbitos
21/01/2026 às 08:31por Redação Plox
21/01/2026 às 08:31
— por Redação Plox
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A injeção de produtos químicos como desinfetantes hospitalares diretamente na corrente sanguínea pode provocar a morte em poucos minutos. A avaliação é do médico infectologista Jean Gorinchteyn, que comentou os desdobramentos da operação policial “Soro da Morte”, responsável por investigar óbitos de pacientes em um hospital público do Distrito Federal.
Imagem ilustrativa
Foto: Pixabay
Em entrevista ao programa Bora Brasil, o especialista explicou que essas substâncias desencadeiam reações imediatas no organismo, afetando principalmente o sangue e o sistema elétrico do coração, o que pode levar a arritmias severas e parada cardíaca.
Como o desinfetante afeta o sistema cardiovascular
De acordo com Gorinchteyn, o contato direto do desinfetante com a circulação sanguínea causa um colapso fisiológico quase instantâneo. Os componentes químicos alteram a composição do sangue e interferem na condução elétrica cardíaca, comprometendo de forma súbita as funções vitais.
Isso leva a arritmias severas e, na sequência, à parada cardíaca por ação direta dessas substânciasJean Gorinchteyn
O médico ressaltou que não se trata de uma evolução lenta, mas de um processo abrupto, no qual a perda das funções vitais ocorre em pouquíssimo tempo após a aplicação das substâncias na veia.
Estado clínico pode ter reduzido percepção de dor
Mesmo com a brutalidade do método, Gorinchteyn afirmou que, em muitos casos, as vítimas provavelmente não chegaram a sentir dor ou desconforto intenso. Segundo ele, os pacientes estavam em condição clínica muito grave no momento em que teriam recebido o desinfetante e outros produtos inadequados.
O infectologista destacou que muitos desses pacientes estavam sedados, entubados e com importante rebaixamento do nível de consciência, o que reduz a capacidade de perceber sensações no ambiente hospitalar.
Operação investiga mortes em hospital do DF
A análise médica ganhou relevância após a deflagração da operação “Soro da Morte”, que levou à prisão de três técnicos de enfermagem em Taguatinga, no Distrito Federal. Eles foram identificados como Leandro Pinto da Silva, Edifânia de Almeida e Leandro de Almeida.
De acordo com a investigação, os profissionais são suspeitos de provocar a morte de pacientes por meio da aplicação de substâncias incompatíveis com o uso intravenoso, com o objetivo de diminuir a carga de trabalho durante os plantões, principalmente na madrugada.
Polícia apura possibilidade de mais mortes
A Polícia Civil do Distrito Federal confirmou, até o momento, três mortes diretamente ligadas ao suposto esquema criminoso. No entanto, o número de vítimas pode ser maior. As autoridades investigam outros 20 óbitos considerados suspeitos, registrados na mesma unidade hospitalar e sob responsabilidade dos técnicos presos.
O caso começou a ser desvendado após colegas de trabalho relatarem um aumento incomum no número de mortes durante os turnos em que os investigados estavam de serviço, o que levantou a suspeita de irregularidades e motivou a apuração formal.
Técnicos de enfermagem respondem por homicídio qualificado
Os suspeitos foram denunciados e respondem por homicídio qualificado. A investigação continua em curso para detalhar a dinâmica dos crimes, identificar eventuais novos envolvidos e confirmar o total de vítimas atingidas pelo esquema.