7 em cada 10 brasileiros com diabetes relatam impacto emocional; estudo aponta ansiedade e isolamento

Levantamento em 22 países ouviu 4.326 pessoas e indica efeitos na rotina, no sono e na sensação de segurança, mais intensos no diabetes tipo 1.

21/05/2026 às 13:41 por Redação Plox

Sete em cada dez brasileiros com diabetes afirmam que a doença afeta de forma significativa o bem-estar emocional, segundo pesquisa do Global Wellness Institute, em parceria com a Roche Diagnóstica.

O levantamento, feito em setembro de 2025 em 22 países, ouviu 4.326 pessoas com diabetes, sendo 20% no Brasil, e aponta impacto direto da condição na rotina, no sono e na sensação de segurança dos pacientes.


Levantamento, feito em setembro de 2025 em 22 países, ouviu 4.326 pessoas com diabetes, sendo 20% no Brasil, e aponta impacto direto da condição na rotina, no sono e na sensação de segurança dos pacientes.

Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil


Entre os brasileiros entrevistados, 78% relataram ansiedade ou preocupação com o futuro, e dois em cada cinco disseram se sentir sós ou isolados por causa da doença.

No grupo com diabetes tipo 1, o impacto emocional foi ainda maior: 77% afirmaram ser afetados de maneira significativa.

A pesquisa também mostra

A pesquisa também mostra que 56% dos entrevistados no Brasil dizem ter a capacidade de passar o dia fora de casa limitada pela doença.

Outros 46% relataram dificuldades em situações comuns, como trânsito ou reuniões longas, e 55% afirmaram não acordar plenamente descansados em razão das variações glicêmicas durante a noite.

O diabetes é uma doença

O diabetes é uma doença causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio responsável por regular a glicose no sangue. 


Diabetes é uma doença causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


Quando não controlada, a condição pode levar a complicações no coração, nas artérias, nos olhos, nos rins e nos nervos.

Dados da International Diabetes Federation apontam que o Brasil está entre os países com maior número de adultos com diabetes, com cerca de 16,6 milhões de casos.

A busca por mais previsibilidade

A busca por mais previsibilidade aparece como uma das principais demandas dos pacientes.

No levantamento, 44% dos brasileiros consultados defenderam que tecnologias capazes de prever mudanças nos níveis de glicose sejam priorizadas para prevenir complicações.

Entre pessoas que usam medidores tradicionais, como testes de ponta de dedo, 46% consideram que sensores de monitoramento contínuo deveriam ser adotados por funcionarem como alertas preditivos.

Os sensores com inteligência artificial também aparecem entre as expectativas dos pacientes.

Para 53% dos entrevistados, a principal funcionalidade desejada é prever níveis futuros de glicose.

Entre pessoas com diabetes tipo 1, esse percentual sobe para 68%.

Ainda segundo o estudo, 95% dos pacientes desse grupo consideram fundamentais ferramentas capazes de prever hipoglicemia e hiperglicemia.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, André Vianna, afirmou à Agência Brasil que o monitoramento contínuo pode ajudar especialmente pacientes com diabetes tipo 1, por permitir ações preventivas antes de grandes oscilações da glicose.

Ele também destacou que a tecnologia pode reduzir complicações, idas a pronto-socorro e internações.

No Brasil, o acesso

No Brasil, o acesso a esses dispositivos ainda é mais comum entre pessoas com maior poder aquisitivo.

Em janeiro de 2025, o Ministério da Saúde tornou pública a decisão de não incorporar ao SUS o monitoramento contínuo da glicose por escaneamento intermitente para pacientes com diabetes tipos 1 e 2.

Na Câmara dos Deputados, tramita o Projeto de Lei 323/2025, que prevê a oferta gratuita desse tipo de dispositivo pelo Sistema Único de Saúde, mas a proposta ainda precisa passar por novas etapas antes de eventual aprovação definitiva.

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