Canetas para perda de peso no Brasil: veja quais são autorizadas
Agência veta canetas das marcas Synedica e TG e estende proibição à retatrutida de todas as marcas, reforçando que apenas medicamentos registrados com tirzepatida, semaglutida e liraglutida podem ser vendidos legalmente no Brasil
22/01/2026 às 09:54por Redação Plox
22/01/2026 às 09:54
— por Redação Plox
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu e determinou a apreensão das canetas de tirzepatida das marcas Synedica e TG, popularizadas nas redes sociais como “canetas do Paraguai”. A decisão se estende também à retatrutida, de todas as marcas.
De acordo com a Anvisa, esses produtos estavam sendo anunciados e vendidos sem qualquer registro no órgão regulador. A agência informa que as canetas eram divulgadas em perfis nas redes sociais, mas as marcas não possuem autorização para comercialização no Brasil.
Atualmente, apenas determinadas canetas antiobesidade com registro sanitário podem ser vendidas em território nacional. Entre os princípios ativos mais comuns nesses medicamentos estão a semaglutida, a liraglutida e a tirzepatida.
Essas substâncias atuam de forma semelhante ao hormônio GLP-1, produzido naturalmente pelo organismo e liberado principalmente por células do intestino. Ao alcançar o cérebro, especialmente a região do hipotálamo, o GLP-1 participa dos mecanismos de controle da fome, contribuindo para a redução do apetite.
Os medicamentos Ozempic, Wegovy e Mounjaro são aplicados com canetas subcutâneas e têm ganhado espaço na busca pela perda de peso
Foto: Reprodução/Novo Nordisk/Eli Lilly
Como funciona a tirzepatida
A tirzepatida é o princípio ativo do medicamento Mounjaro, aplicado por meio de uma caneta de uso semanal e associado a perdas de peso expressivas em estudos clínicos.
Pesquisas indicam reduções que podem ultrapassar 20% do peso corporal ao longo de cerca de 36 semanas, aproximadamente nove meses de tratamento. Esses resultados colocam a tirzepatida entre as opções mais eficazes para emagrecimento hoje disponíveis.
Assim como outros medicamentos dessa classe, a tirzepatida atua no controle da glicose no sangue e interfere nos mecanismos que regulam a fome. Ao imitar a ação de hormônios naturais do organismo, o fármaco aumenta a sensação de saciedade, o que contribui para a diminuição da ingestão de alimentos e para a perda gradual de peso ao longo do uso.
Ação da tirzepatida no organismo
A tirzepatida atua ao reproduzir a ação de dois hormônios envolvidos no controle do metabolismo e do apetite.
O primeiro é o GIP, que estimula a liberação de insulina, ajuda a reduzir os níveis de glicose no sangue e também influencia a diminuição da fome.
O segundo é o GLP-1, responsável por retardar o esvaziamento do estômago e aumentar a sensação de saciedade, o que leva à redução do apetite.
Estudos clínicos que embasaram a aprovação do Mounjaro pela Anvisa indicam que o medicamento apresenta desempenho superior tanto no controle da glicemia quanto na perda de peso em comparação a outros remédios da mesma classe, como o Ozempic.
Semaglutida e liraglutida: principais canetas em uso
A semaglutida e a liraglutida seguem como as principais substâncias usadas nas chamadas canetas injetáveis indicadas para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.
Pesquisas apontam que o uso desses medicamentos pode levar a uma redução média de cerca de 6% do peso corporal ao longo de 12 semanas, embora os resultados variem conforme o perfil do paciente e o tempo de tratamento.
A liraglutida é aplicada diariamente, enquanto a semaglutida é de uso semanal. A liraglutida está presente em medicamentos como Victoza e Saxenda. Já a semaglutida compõe produtos como Ozempic e Wegovy, além do Rybelsus, que traz a substância em forma oral.
Esses fármacos reduzem o apetite e aumentam a sensação de saciedade ao interferirem em mecanismos hormonais ligados ao controle da fome. Especialistas destacam que o uso deve integrar uma estratégia ampla de tratamento, com acompanhamento médico, para garantir eficácia e segurança.
Como semaglutida e liraglutida agem no corpo
A semaglutida e a liraglutida imitam a ação de um único hormônio produzido naturalmente pelo corpo: o GLP-1.
Esse hormônio é liberado principalmente por células do intestino e atua no cérebro, sobretudo no hipotálamo, onde participa dos mecanismos de controle da fome e contribui para a redução do apetite.
No organismo, o GLP-1 natural tem duração curta, pois é rapidamente inativado pela enzima DPP-4, o que faz a sensação de fome retornar em pouco tempo.
Já os medicamentos que reproduzem o efeito do GLP-1 foram desenvolvidos para resistir à ação dessa enzima. Eles permanecem ativos por mais tempo no corpo, prolongando a sensação de saciedade e ajudando a manter o controle do apetite por períodos maiores.