Com quatro indicações ao Oscar, ‘O Agente Secreto’ retorna aos cinemas em várias cidades
Longa brasileiro iguala feito histórico de "Cidade de Deus", volta ao circuito do Vale do Aço impulsionado por quatro indicações ao Oscar,
O orçamento de produção de "O Agente Secreto" foi de R$ 28 milhões. De acordo com a Agência Nacional do Cinema (Ancine), o montante foi dividido entre Brasil, França, Alemanha e Holanda.
Wagner Moura é Marcelo em 'O Agente Secreto'
Foto: Divulgação
Dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, o longa recebeu, nesta quinta-feira (22), quatro indicações ao Oscar de 2026. A produção vai disputar as categorias de melhor seleção de elenco, melhor filme internacional, melhor ator (Wagner Moura) e melhor filme.
Segundo a Ancine, a fatia brasileira no orçamento do filme foi de R$ 13,5 milhões. Desse total, R$ 7,5 milhões vieram do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), enquanto o restante foi obtido por meio de aportes privados.
O FSA é um fundo ligado ao Ministério da Cultura, criado para estimular a produção, distribuição e exibição de obras audiovisuais no país. Os recursos do fundo são formados por contribuições do próprio setor audiovisual.
Entre essas contribuições, estão a Condecine — taxa paga por empresas da área, como emissoras de TV e exibidores —, valores provenientes do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) e receitas associadas a concessões.
A gestão do FSA é de responsabilidade da Ancine, enquanto o BNDES atua como agente financeiro encarregado de operacionalizar os recursos.
Além do orçamento de produção, a etapa de comercialização de "O Agente Secreto" custou R$ 4 milhões. Desse valor, R$ 750 mil também foram financiados pelo FSA.
Os outros R$ 3 milhões destinados à comercialização foram viabilizados por meio da Lei do Audiovisual, que permite a pessoas físicas e jurídicas direcionarem parte do Imposto de Renda para obras audiovisuais selecionadas pela Ancine, na forma de patrocínio.
Em troca, esses contribuintes podem obter até 6% de isenção no imposto devido.
Ao contrário do que afirmam publicações falsas que circulam nas redes sociais, o longa-metragem "O Agente Secreto" não recebeu recursos por meio da Lei Rouanet.
A Lei Rouanet é um mecanismo de incentivo fiscal que não prevê repasse direto de verbas do governo aos projetos culturais. Pela legislação, o governo federal abre mão de parte da arrecadação de impostos para que esse valor seja investido em iniciativas culturais aprovadas pelo Ministério da Cultura.
O modelo de fomento funciona por meio da autorização para que produtores culturais captem recursos no mercado, em etapas, junto a patrocinadores e incentivadores. Não há transferência direta de dinheiro dos cofres públicos para artistas ou produtores.
A lei pode ser utilizada para financiar filmes de curta e média metragem, mas não se aplica a longa-metragens, categoria em que se enquadra "O Agente Secreto".
De acordo com as regras da legislação, podem captar recursos via Lei Rouanet projetos das seguintes áreas:
Artes cênicas: teatro, dança, circo, ópera e mímica.
Música: concertos sinfônicos, música instrumental, erudita, canto coral e música popular.
Artes visuais: exposições de pintura, escultura, fotografia, design, artes gráficas e grafite.
Humanidades: literatura, edição de livros, feiras literárias e incentivo à leitura.
Audiovisual: festivais de cinema, documentários e produções de curta e média metragem.