Turista do RS é presa em Salvador suspeita de injúria racial contra comerciante no Pelourinho

Segundo a polícia, mulher teria chamado vendedora de 'lixo', cuspido nela e insistido em sua branquitude durante agressões verbais em evento gratuito na Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba

22/01/2026 às 15:31 por Redação Plox

Uma turista do Rio Grande do Sul foi presa na quarta-feira (21), suspeita de cometer injúria racial contra uma comerciante que trabalhava na Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba, no Pelourinho, em Salvador. O episódio ocorreu durante um evento gratuito realizado no local.

De acordo com informações apuradas pela TV Bahia, a suspeita foi identificada como Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos. Ela teria dirigido ofensas de cunho racial à comerciante e, em seguida, cuspido na vítima.

Vítima relata ofensas e agressão com cuspe

Em entrevista à TV Bahia, a vítima, identificada como Hanna, contou que trabalhava no bar do evento e afirmou que não imaginava passar por uma situação desse tipo.

Eu fiz uma venda e retirei o balde um cliente. No momento que eu passei, ela falou: 'Vai mais um lixo'. Eu questionei e ela reafirmou que eu era um lixo e deu uma 'escarrada' em mim. Ela correu e eu perdi ela de vista. Ela teve problemas com outras pessoas e o segurança estava tentando tirar ela do evento. Hanna, comerciante

Hanna relatou ainda que, durante as agressões, a turista olhava diretamente em seus olhos e repetia: “Eu sou branca”. A comerciante disse ter recebido apoio da chefe, mas afirmou que, se dependesse apenas da segurança do evento, a suspeita não teria sido levada à delegacia.

Ela contou que houve divergência sobre a forma de condução à unidade policial e comparou o tratamento recebido pela suspeita com o que acredita que teria sido dispensado a ela em situação inversa.


Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, foi presa suspeita de injúria racial contra comerciante no Pelourinho

Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, foi presa suspeita de injúria racial contra comerciante no Pelourinho

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Condução à delegacia e atuação da polícia

A prisão foi realizada pela Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin). Após o registro da ocorrência, a turista foi conduzida à unidade, onde, segundo a polícia, manteve uma postura discriminatória.

Na delegacia, ela chegou a solicitar atendimento exclusivo por um delegado de pele branca, o que reforçou, para as autoridades, o caráter discriminatório de sua conduta.

Investigação em andamento

A equipe da Decrin realizou oitivas para apurar o caso, e a investigação segue em andamento. A suspeita permanece custodiada e está à disposição da Justiça.

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