Acionistas do BRB aprovam aumento de capital para captar até R$ 8,8 bilhões após caso Master
Assembleia abriu caminho para recomposição do patrimônio; GDF, maior acionista, pode ter de aportar até R$ 5 bilhões para evitar diluição
22/04/2026 às 16:06por Redação Plox
22/04/2026 às 16:06
— por Redação Plox
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Acionistas do Banco de Brasília (BRB) aprovaram, na manhã desta quinta-feira (22), em assembleia extraordinária, a ampliação do capital social da instituição. A medida abre caminho para que o banco estatal capte até R$ 8,8 bilhões e tente recompor seu patrimônio, pressionado por dívidas associadas à compra de papéis sem valor do Master, de Daniel Vorcaro.
Atualmente, o capital social do BRB é de R$ 2,344 bilhões. Com a decisão, o Governo do Distrito Federal corre para encontrar uma forma de financiar o socorro ao banco, já que, segundo o texto, não possui os recursos necessários em caixa e ainda não informou como fará o aporte.
Equipe da PF faz busca em prédio do BRB na primeira fase da Operação Compliance Zero
Foto: José Cruz/Agência Brasil
GDF busca alternativas para evitar diluição no BRB
Para não ter sua participação diluída — hoje, o governo local é o maior acionista — o DF precisará colocar até R$ 5 bilhões no BRB. O plano inicial, conforme uma lei distrital aprovada em março, prevê um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou a instituições financeiras.
O governo do DF também estuda pedir socorro ao governo federal, mas, de acordo com a matéria, o governo Lula se recusa a repassar dinheiro ao BRB para cobrir o rombo ligado ao Master. Além disso, o texto afirma que o DF não tem nota de crédito suficiente para receber ajuda financeira da União.
Rombo do BRB segue sem dimensão conhecida
O tamanho real do prejuízo ainda é desconhecido porque o BRB vem atrasando a divulgação dos balanços trimestrais de 2025. A instituição deveria ter publicado os resultados até 31 de março, mas, segundo a reportagem, não cumpriu o prazo legal aplicável a companhias de capital aberto.
Negócio anunciado em 2025 virou alvo de investigações
Em 28 de março de 2025, o BRB anunciou a compra de 58% do Master. Na época, o então governador Ibaneis Rocha (MDB) celebrou a transação e afirmou ao jornal “Correio Braziliense”:
Estou muito seguro. Acompanhei toda a operação desde o início. Tiramos toda a parte ruim, só vamos ficar com parte dos CDBs. Fizemos uma análise meticulosa, com consultorias
Ibaneis Rocha (MDB)
Conforme o texto, o Master tentava vender ativos remanescentes e já havia sinais de dificuldades financeiras, além de suspeitas de fraudes. A operação com o BRB marcou o início do escândalo do Master. Depois, o Banco Central (BC) desfez o negócio e, passado um ano do anúncio, a transação passou a integrar o conjunto de apurações conduzidas pela Polícia Federal (PF).
O BC liquidou o Master em setembro e, no mesmo dia, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero, que revelou um esquema de fraudes que teria movimentado mais de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito inexistentes. Ainda segundo a matéria, o BC identificou falhas de governança no BRB para detectar créditos irregulares, e Vorcaro foi preso na véspera da operação.
O texto também relata que veio a público um contrato de R$ 38,1 milhões, firmado em maio de 2024, entre o escritório de advocacia de Ibaneis e o Reag, fundo de investimentos do Master investigado pela PF por participação no esquema e por suspeita de lavar dinheiro para a facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
STF analisa prisão de ex-presidente do BRB
Nesta quinta-feira, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar, em sessão virtual, a prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Ele foi preso em 14 de março, na quarta fase da Operação Compliance Zero, sob suspeita de acertar propinas de R$ 146 milhões em imóveis com Daniel Vorcaro. O julgamento está previsto para terminar na sexta-feira (23/4).
Pela manhã, votaram os ministros André Mendonça e Luiz Fux, ambos pela manutenção da prisão. Mendonça é o relator do caso Master. O antigo relator, Dias Toffoli, declarou-se suspeito por ter sido sócio de Vorcaro no resort Tayayá, por meio de fundo ligado ao Master.
A defesa de Costa, feita por Cléber Lopes, voltou a afirmar que o cliente é inocente, que vinha colaborando com as investigações e pediu a liberdade do ex-presidente do banco.
Possível delação e impacto político no DF
Segundo a reportagem, Costa teria mudado de posição após ser preso e passou a considerar um acordo de delação premiada. Ele está no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A equipe do jornal em Brasília disse ter conversado com pessoas próximas a Costa, que relataram que ele já recebia conselhos de amigos e familiares para colaborar antes mesmo da prisão.
De acordo com o texto, a colaboração poderia atingir integrantes do primeiro escalão da administração pública do Distrito Federal e grandes empresários. A PF avalia que Costa pode detalhar negócios do BRB com o banco de Vorcaro, além de esclarecer empréstimos e patrocínios do banco público. Costa, que participou das negociações com o Master, deixou o BRB por ordem judicial em setembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero.
Ibaneis e Celina mudam o tom após prisão
Em nota divulgada após a prisão de Costa, a defesa de Ibaneis afirmou que ele “não acompanhava, não pressionou e tampouco teve qualquer ingerência” nas operações do BRB, sustentando que as decisões — especialmente sobre a compra do Master — eram responsabilidade da área técnica. A reportagem ressalta que essa posição contrasta com falas anteriores do próprio Ibaneis, que dizia ter acompanhado de perto as articulações financeiras do banco.
Já a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PSD), disse na última quinta-feira, após a prisão de Costa, que nada sabia sobre a gestão do BRB. Ela foi vice-governadora de janeiro de 2023 até um mês atrás, quando Ibaneis deixou o cargo para concorrer ao Senado, e é pré-candidata ao governo do DF.
Segundo o texto, Celina nunca se opôs publicamente aos negócios do BRB, mas agora afirma buscar socorro para o banco e reclama da falta de ajuda do governo federal. Em agenda pública, criticou Paulo Henrique Costa e mencionou patrocínios do BRB a iniciativas como eventos esportivos. Ela também cobrou punição:
“Aquelas pessoas que fizeram algo de errado vão ter que realmente pagar” disse a jornalistas.