Dourados decreta calamidade em saúde pública por avanço da chikungunya e lotação de leitos
Com mais de 6,1 mil casos prováveis e ocupação hospitalar em cerca de 110%, município afirma que não consegue dar resposta assistencial oportuna; vacinação deve começar na segunda (27)
22/04/2026 às 17:02por Redação Plox
22/04/2026 às 17:02
— por Redação Plox
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O avanço da epidemia de chikungunya em Dourados (MS) levou a prefeitura a decretar situação de calamidade em saúde pública. Antes concentrados na Reserva Indígena de Dourados, os registros da doença passaram a atingir também bairros da cidade.
Em 20 de março, o prefeito Marçal Filho já havia editado decreto declarando situação de emergência em saúde pública no município. Uma semana depois, um novo decreto estabeleceu situação de emergência em defesa civil nas áreas afetadas por casos de chikungunya.
Dourados (MS) decretou situação de calamidade pública por avanço da chikungunya e lotação de leitos.
Foto: Divulgação / Butantã
Decreto cita cenário crítico e pressão sobre a rede
Em nota, a prefeitura informou que o terceiro decreto segue orientações do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado para coordenar o enfrentamento da epidemia na reserva indígena e no perímetro urbano.
O comunicado descreve um cenário epidemiológico crítico em Dourados, com elevado número de notificações, ultrapassando 6.186 casos prováveis e com taxa de positividade de 64,9%.
Segundo a nota, também foram considerados dados do Departamento de Gestão do Complexo Regulador do município, que apontam extrapolação da capacidade instalada, com taxa de ocupação de leitos de internação em aproximadamente 110%. A prefeitura afirma haver impossibilidade de resposta assistencial oportuna até mesmo para casos graves.
O decreto de calamidade em saúde pública tem validade de 90 dias.
Vacinação deve começar na segunda-feira
A previsão é que a campanha de vacinação contra a chikungunya em Dourados comece na próxima segunda-feira (27). O primeiro caminhão com as doses chegou ao município na noite da última sexta-feira (17).
Nesta quarta (22) e quinta-feira (23), a prefeitura informou que vai capacitar profissionais de enfermagem para orientar a população sobre restrições à vacina e identificar eventuais comorbidades antes da aplicação.
Conforme regras definidas pelo Ministério da Saúde, apenas pessoas com mais de 18 anos e menos de 60 anos podem receber a vacina. A meta é vacinar pelo menos 27% da população-alvo, cerca de 43 mil pessoas.
Quem não pode receber a dose
A dose não pode ser aplicada em: gestantes ou lactantes; pessoas que façam uso de medicamentos imunossupressores, como corticóides em altas doses; pessoas com imunodeficiência congênita; pessoas em tratamento de câncer com quimioterapia e radioterapia; transplantados de órgão sólido; transplantados de medula óssea há menos de dois anos; pessoas com HIV/aids; pessoas com doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatóide; e pessoas com pelo menos duas condições médicas crônicas, incluindo diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmia cardíaca, doença pulmonar crônica, doença renal crônica, obesidade, doença hepática crônica e câncer (em tratamento ou em remissão).
A vacina também não pode ser aplicada em pessoas que tiveram chikungunya nos últimos 30 dias; que estejam em estado febril grave; que tenham recebido outra vacina de vírus atenuado nos últimos 28 dias; e/ou que tenham recebido vacina de vírus inativado nos últimos 14 dias.
A prefeitura avalia que a imunização deve ocorrer de forma mais lenta, já que o público-alvo precisa passar por avaliação de um profissional de saúde antes de receber a dose.
Na sexta-feira (24), os imunizantes serão distribuídos para todas as salas de vacinação do município, incluindo unidades da saúde indígena. O calendário prevê ainda uma ação de vacinação em formato drive-thru no feriado de 1º de maio, Dia do Trabalho, das 8h às 12h, no pátio da prefeitura de Dourados.
Estratégia nacional e escolha de municípios
Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025, a vacina contra a chikungunya começa a ser administrada de forma estratégica em regiões com potencial risco de transmissão ao longo dos próximos anos. Cerca de 20 municípios, em seis estados, devem ser contemplados.
A seleção dos municípios considerou desde fatores epidemiológicos, relacionados à potencial ocorrência de casos de chikungunya em regiões onde o vírus já está circulando, até o tamanho populacional dos municípios e a facilidade operacional de se implementar uma nova vacina no sistema local de saúde em um curto prazo
prefeitura
Casos e mortes em Dourados
Até a última segunda-feira (20), Dourados registrava 4.972 casos prováveis, sendo 2.074 confirmados, além de 1.212 descartados e outros 2.900 em investigação.
Até o momento, foram confirmadas oito mortes por complicações da chikungunya, sendo sete em moradores da reserva indígena.
Ministério da Saúde libera aporte emergencial
No fim de março, o Ministério da Saúde liberou aporte emergencial de R$ 900 mil para ações de vigilância, assistência e controle da chikungunya em Dourados. Em nota, a pasta informou que o valor será transferido em parcela única, do Fundo Nacional de Saúde (FNS) ao fundo municipal.
Segundo o ministério, os recursos podem ser usados para intensificar estratégias como vigilância em saúde, controle do mosquito Aedes aegypti, qualificação da assistência e apoio às equipes que atendem diretamente a população.
O que é chikungunya
A chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada de fêmeas infectadas do gênero Aedes. No Brasil, até o momento, o vetor envolvido na transmissão é o Aedes aegypti.
O vírus foi introduzido no continente americano em 2013 e provocou epidemia em países da América Central e em ilhas do Caribe. No segundo semestre de 2014, o Brasil confirmou por métodos laboratoriais a presença da doença nos estados do Amapá e da Bahia.
Atualmente, todos os estados registram transmissão do arbovírus. Em 2023, o ministério citou uma importante dispersão territorial do vírus, principalmente em estados da Região Sudeste. Antes, as maiores incidências concentravam-se no Nordeste.
Entre as principais características clínicas da infecção estão edema e dor articular incapacitante, mas também podem ocorrer manifestações extra articulares. Casos graves podem demandar internação hospitalar e evoluir para óbito.