Itamaraty aponta assessor dos EUA como articulador em expulsão de delegado da PF

Diplomatas dizem que Darren Beattie atuou no processo que levou Marcelo Ivo de Carvalho a deixar os Estados Unidos após apurações ligadas à prisão de Alexandre Ramagem

22/04/2026 às 16:29 por Redação Plox

O Ministério das Relações Exteriores identificou a atuação de Darren Beattie no processo que culminou na expulsão do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho dos Estados Unidos, segundo diplomatas que participaram das discussões sobre o caso. Beattie é assessor sênior no Departamento de Estado e acompanha as relações e políticas dos EUA relacionadas ao Brasil.

Quem é o assessor de Trump que pressionou pela expulsão de delegado da PF dos EUA

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Foto: crédito: Foto: United States Department of State


Itamaraty aponta participação de assessor no caso

Carvalho foi obrigado a deixar os Estados Unidos após participar das apurações que levaram à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) pelo ICE, o serviço de imigração americano. De acordo com o relato, o delegado foi acusado pelo governo dos Estados Unidos de tentar “manipular” o sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e de “estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos” no caso.

  • Segundo integrantes do governo brasileiro, Beattie trabalhou pessoalmente pela soltura de Ramagem e pela expulsão do delegado da PF.

Histórico de atrito com o governo brasileiro

Beattie já era conhecido do governo brasileiro. Em março, ele teve um pedido de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha negado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e teve o visto para ingressar no Brasil revogado pelo Ministério das Relações Exteriores.

Na ocasião em que o governo brasileiro tomou a medida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que Beattie só entraria no Brasil quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pudesse viajar aos Estados Unidos.

Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, pra visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde, que estão bloqueados

Luiz Inácio Lula da Silva

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