CSN é multada em R$ 39 milhões pelo TRF-6 por atraso para reduzir participação na Usiminas
Tribunal considerou 391 dias de descumprimento do prazo para baixar fatia abaixo de 5%, em medidas acompanhadas pelo Cade; processo está em sigilo.
O mercado financeiro começou esta sexta-feira (22) sob influência direta do noticiário internacional e com atenção voltada a indicadores no Brasil. Por volta das 9h46, o dólar subia 0,28% e era negociado a R$ 5,0146. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tem início de pregão previsto para as 10h.
O pano de fundo continua sendo a tensão no Oriente Médio, especialmente no Estreito de Ormuz, corredor considerado estratégico para o transporte global de petróleo. Sem sinais de entendimento entre Washington e Teerã, a commodity voltou a ganhar força no início do dia.
Dólar, moeda norte-americana
Foto: Free Pik
A retomada da alta do petróleo reforçou o clima de cautela entre investidores. Às 7h15 (horário de Brasília), o Brent — referência internacional — registrava avanço de 2,8%, cotado a US$ 105,48 o barril. Antes do conflito, em fevereiro, a cotação ficava em torno de US$ 70.
O movimento ocorre em meio ao receio de eventuais impactos sobre o fornecimento, já que a passagem por Ormuz é central para o fluxo mundial do produto. A tensão no local mantém o mercado em estado de alerta.
Um conselheiro dos Emirados Árabes Unidos estimou que ainda há “50% de chance” de Estados Unidos e Irã chegarem a um acordo para encerrar o conflito. Na avaliação dele, o maior risco seria um endurecimento excessivo do Irã nas negociações, o que poderia levar à perda de oportunidades de entendimento, como já teria ocorrido anteriormente.
O mesmo conselheiro afirmou também que a região precisa de uma saída política para evitar nova escalada militar. Para ele, a obtenção de um cessar-fogo temporário pode não ser suficiente para resolver o problema e ainda abrir espaço para novos confrontos no futuro.
Segundo a mídia estatal iraniana, a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) informou nesta manhã que 35 navios — entre petroleiros, porta-contêineres e outras embarcações comerciais — atravessaram o Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas com permissão do Irã.
Além do petróleo, o ambiente político americano contribuiu para a postura defensiva nos mercados. Parlamentares republicanos decidiram adiar para junho a votação de propostas que poderiam aumentar a pressão sobre o presidente Donald Trump para retirar os EUA da guerra.
Outro ponto de atenção é a política monetária dos Estados Unidos. Kevin Warsh assume oficialmente nesta sexta-feira a presidência do Federal Reserve (Fed), sucedendo Jerome Powell em um momento de grande escrutínio sobre a trajetória dos juros americanos.
O mercado acompanha os próximos passos do novo chefe do banco central, já que as decisões do Fed reverberam no dólar, nas bolsas e também em economias emergentes, como a brasileira. Warsh foi indicado por Trump para substituir Powell, que vinha sendo alvo de críticas do presidente por resistir a reduzir os juros. Ainda assim, analistas apontam que Warsh tem perfil técnico e histórico de atuação firme no combate à inflação.
No centro das expectativas está a dúvida sobre a condução da política de juros: se a autoridade monetária seguirá com taxas elevadas para conter a inflação ou se abrirá espaço, mais adiante, para cortes. A valorização do petróleo, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, aumentou a pressão inflacionária e tornou mais difícil uma flexibilização nos EUA.
Internamente, investidores acompanham a divulgação do relatório bimestral de receitas e despesas do governo federal. Também estão no foco os números de atividade industrial de março, divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Dólar
Acumulado da semana: -1,32%
Acumulado do mês: +0,99%
Acumulado do ano: -8,89%
Ibovespa
Acumulado da semana: +0,21%
Acumulado do mês: -5,16%
Acumulado do ano: +10,26%
As bolsas asiáticas encerraram a sexta-feira em terreno positivo, com recuperação de parte das perdas da sessão anterior. Na China, contudo, o mercado ainda acumulou a segunda semana seguida de queda, pressionado pela realização de lucros em empresas de tecnologia após a valorização associada ao avanço da inteligência artificial (IA).
O índice de Xangai subiu 0,87%. Já o CSI300, que reúne as maiores companhias de Xangai e Shenzhen, avançou 1,3%, aos 4.845 pontos, embora tenha terminado a semana com recuo de 0,3%.
Em Hong Kong, o Hang Seng ganhou 0,86%, aos 25.606 pontos, impulsionado por ações de tecnologia. A Lenovo disparou 20% e alcançou seu maior valor em 26 anos.