Bolsonaro tenta blindar Flávio e conter crise após laços com banqueiro investigado
Crise no entorno do PL envolve conversas sobre recursos para o filme “Dark Horse” e reacende debate interno sobre alternativas para 2026.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), viajou no mesmo voo oficial da FAB que levou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de São Paulo a Brasília em 11 de maio. A viagem ocorreu dez dias antes de Moraes determinar o arquivamento, em relação a Motta e outros parlamentares, de um inquérito sobre suspeita de entrada de bagagens no Brasil sem fiscalização.
Hugo Motta viajou com Moraes em voo da FAB antes de inquérito ser arquivado no STF
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Segundo a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, a aeronave saiu do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, às 16h10, e pousou em Brasília às 17h40. Ao todo, nove passageiros estavam no voo. Motta, por presidir a Câmara, está entre as autoridades que podem solicitar transporte em aeronaves da Força Aérea Brasileira. A coluna informou ainda que Moraes costuma pedir voos ao Ministério da Defesa sob alegação de segurança.
Na quinta-feira (21), Moraes arquivou a investigação contra Motta, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL). O ministro acompanhou entendimento da Procuradoria-Geral da República, que havia apontado ausência de indícios de participação dos parlamentares em irregularidades.
O caso envolve um voo particular vindo de Saint Martin, no Caribe, que pousou no Aeroporto Executivo Internacional Catarina, em São Roque (SP). A Polícia Federal investigava a suspeita de que cinco volumes transportados por um tripulante teriam entrado no país sem passar pelo raio-x e pelos procedimentos regulares de fiscalização. O avião era do empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como “Fernandin OIG”, citado em apurações relacionadas ao setor de apostas.
No pedido de arquivamento, a PGR sustentou que as imagens analisadas mostravam os passageiros passando normalmente pela fiscalização e que não havia elementos ligando os parlamentares às bagagens investigadas. Moraes afirmou, na decisão, que a presença dos congressistas no voo não representava, por si só, indício de participação nos crimes apurados.
O arquivamento vale apenas para os parlamentares com foro no Supremo. Em relação aos demais investigados que não têm prerrogativa de foro, Moraes determinou o envio do caso à 1ª Vara Federal de Sorocaba (SP), onde a apuração deve prosseguir.